O resultado do Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC, divulgado na última segunda-feira, deixa claro que o aluno deve se preocupar com os estudos e também acompanhar o desenvolvimento da faculdade onde estuda.

No Espírito Santo, 27% das instituições não chegaram a alcançar 40% dos pontos possíveis no IGC - 500. Essas instituições ficaram com nível 2, numa escala que vai de 1 a 5. O pior índice foi o de 129 pontos, que corresponde a 26% de aproveitamento. Os dados preocupam estudantes e chamam a atenção do mercado de trabalho que também está de olho nesse tipo de avaliação.

"O mercado considera, sim, esse tipo de avaliação. Sucessivas notas ruins da instituição de origem do candidato atribuídas pelo MEC servem como critério de desempate na hora de definir uma vaga", observou a psicóloga Vânia Reis, especialista em Recursos Humanos.

Segundo Vânia, em alguns casos, candidatos que vêm de faculdades com avaliações ruins seguidas "chegam a ficar fora da seleção, inclusive". A psicóloga orienta o candidato A buscar cursos de aperfeiçoamento e especializações para compensar alguma perda na graduação e criar diferenciais competitivos na hora de buscar um emprego.

Índice
O IGC foi divulgado na última segunda-feira pelo MEC e distribui o ranking em três categorias: Universidades, Centros de Ensino e Outros (faculdades). No Estado, 62 instituições obtiveram nota na avaliação. A única universidade é a UFES que alcançou 290 pontos e nível 3.

Entre os Centros de Ensino todos ficaram com nível 3. Das 58 faculdades, a Faculdade de Direito de Vitória (FDV) alcançou nível 4, com 363 pontos e ficou em primeiro no ranking, seguido da Faculdade Capixaba de Nova Venécia, também com nível 4, mas com 325 pontos. Ao todo, 12 faculdades ficaram com nível 2, o menor nível entre as instituições do Estado.

Ufes
Apesar de ser a única universidade do Estado, a Ufes ficou em quarto lugar geral no ranking entre todas as instituições de ensino superior do Espírito Santo que foram avaliadas.

Mas entre 38 universidades federais do país, a universidade ocupa a última posição, empatada com as federais de Sergipe e de Mato Grosso, todas com nível 3 e com 290 pontos. O ranking entre as universidades federais é liderado pela Universidade Federal de São Paulo que alcançou o nível máximo (5) e 439 pontos.

Cursos de Direito com nota ruim perderam vagas
No mês passado, depois de 11 meses de supervisão realizada pelo Ministério da Educação em cursos de Direito de todo o país, o MEC determinou a redução de 54% das vagas em 81 cursos da área em todo o país. No Espírito Santo, quatro faculdades tiveram que reduzir a oferta de vagas.

O MEC concluiu que isso diminuiria o número de estudantes por professor, o que, em tese, poderia resultar no aumento da qualidade do ensino. O processo de supervisão teve início em outubro de 2007, quando cursos de Direito foram notificados pelo Ministério da Educação por terem registrado conceitos inferiores a três no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e no Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). Os cursos também apresentaram baixos índices de aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Além da redução de vagas, os cursos se comprometeram com o MEC por meio de um acordo a melhorar o perfil do corpo docente (titulação e regime de trabalho), estruturação do núcleo de prática jurídica, reorganização de turmas, revisão do projeto pedagógico, adequação da estrutura física e dos recursos de apoio e aquisição e manutenção de equipamentos e sistemas.

Menos cursos, mais chance de ser bem avaliada
O cálculo do Índice Geral de Cursos (IGC) do Ministério da Educação (MEC) considera os cursos existentes na instituição de ensino e faz as devidas ponderações de acordo com o nível de ensino que existir na instituição avaliada.

Segundo o MEC, em casos em que a faculdade tem apenas um curso, toda a avaliação vai refletir sobre a estrutura montada para atender a esse curso, independente das intenções que a faculdade tenha de expandir as áreas de atuação.

Com isso, faculdades avaliadas que tenham poucos ou apenas um curso têm mais chances de obterem uma pontuação maior nos itens que dependem de números de salas, laboratórios, projeto político-pedagógico voltado a um curso.

A Faculdade de Direito de Vitória (FDV), que ficou em primeiro lugar entre as instituições do Estado, tem a estrutura voltada exclusivamente para o curso de Direito. Já a Ufes ficou em quarto lugar no ranking do IGC, mas teve que responder por uma estrutura de mais de 50 cursos.

Faculdades questionam índice
A GAZETA procurou os responsáveis pelas cinco faculdades que tiveram o pior desempenho no Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC. O diretor da Faculdade Castelo Branco (FCB) que assumiu a FICAB, Luciano Merlo, disse que discorda do índice porque não considera as mudanças adotadas na faculdade no ano passado e não transmite a realidade do nível dos cursos. Acrescenta que a FCB ainda não foi avaliada pelo MEC e atende a todos os requisitos que conferem qualidade e credibilidade a uma instituição de ensino superior. A diretora de marketing da Kroton Educacional, Aléssia Franco, disse que a empresa também assumiu a gestão da Cesv recentemente, e está implantando novos modelos administrativos e pedagógicos para adequá-la aos bons níveis
do grupo em todo o país. Os representantes da Fabavi Serra, Faculdade Cândido Mendes e Faculdade de Ciências Contábeis de Afonso Cláudio não deram retorno.

Em busca de uma formação mais completa
"Estava em busca de uma formação mais completa, que me desse condições de ser um profissional e um cidadão melhor e de fazer a diferença no futuro". Com essa determinação, Luiz Eduardo Abreu Hadad, 19 anos, define o que queria do curso de Direito que começou a fazer na FDV, no ano passado. "Prestei vestibular na Ufes e na UFF, mas a minha meta era passar na FDV por conta do conteúdo integral e da forma de ensino no curso que é diversificada, com muitas atividades extracurriculares. Isso foi o que mais me chamou a atenção".

Luiz Eduardo estuda na faculdade que ficou com a melhor nota individual entre as instituições de ensino superior do Espírito Santo, avaliadas no Índice Geral de Cursos (IGC), divulgado na última segunda-feira pelo MEC. "Não queria esse negócio de estudar pela manhã e fazer um estágio à tarde, e pronto. Queria mais", conclui.

Saiba mais sobre a avaliação do MEC
IGC. Índice Geral dos Cursos de Ensino Superior do Ministério da Educação. Nesse indicador são reunidas informações sobre os cursos de graduação e programas de pós-graduação das instituições de ensino superior que estão nos cadastros, censo e avaliações realizadas pelo MEC.

O que considera. O IGC será divulgado anualmente e utilizará os conceitos preliminares de Cursos (CPCs) obtidos pelos cursos de graduação e os conceitos dos cursos de pós-graduação das faculdades, centros de ensino e universidades do país. Os dados são ponderados de acordo com o número de matrículas em cada curso ou programa de pós-graduação.

O que considera. As faculdades, centros de ensino e universidades avaliadas têm mais ou menos pontos de acordo com a estrutura física como número de salas, bibliotecas, laboratórios; nivelamento de pessoal como número de professores com especialização, mestrado e doutorado, tempo de dedicação à instituição; nota do aluno no Enade; além da estrutura político-pedagógica dos cursos. Os requisitos variam de acordo com o nível de ensino (graduação, mestrado e doutorado).