O atuário calcula a matemática da empresa para honrar compromissos com seguros e previdência.

Quanto valem as pernas do Ronaldinho gaúcho? As jóias da rainha da Inglaterra? O seu carro? E as 199 vidas perdidas no acidente da TAM há um ano, em São Paulo? Pergunte a um atuário. Ele é o profissional preparado para mensurar e administrar riscos, aposentadorias e planos de saúde. É uma espécie de arquiteto financeiro. Alguém capaz de calcular, com conhecimento de administração, contabilidade, direito e outras especialidades, o que muitas vezes não tem preço.

No Estado, os atuários são formados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O ingresso no curso é anual e, a cada semestre, são diplomados de 10 a 12 profissionais que precisam ter disposição para sair do Estado para trabalhar.

– Muitos dos graduados vão direto para São Paulo e Brasília. O mercado é muito bom nessas cidades, pois é onde se concentram as sedes das grandes empresas, bancos e estatais – diz o professor João Marcos Leão da Rocha, chefe do Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais da UFRGS.

Nos últimos oito anos, o número de cursos triplicou no país. A profissão é regulamentada desde 1970 e valorizada pelo mercado.

– Fui contratada em março, mas vou concluir o curso só no final do ano que vem. Trabalhei como estagiária por 10 meses. O trabalho em seguradora é muito bom, bem dinâmico. O Estado só tem cinco empresas com matriz onde estão as gerências técnicas e eu estou em uma delas – conta Clarissa Barcellos Conrado, 19 anos.

Quando não está fazendo análises na empresa, Clarissa freqüenta aulas na UFRGS. O curso tem dois professores para as disciplinas de atuária, a partir do terceiro semestre. Nos dois primeiros, os alunos assistem a aulas em outras graduações.

Na UFRGS, conforme o atuário e um dos professores do curso, José Antônio Lumertz, há enfoque financeiro.

– Muitos dos investimentos internacionais são feitos com recursos de fundos de pensão, que são planos de aposentadoria. Essa movimentação amplia muito o mercado para o atuário – diz o professor, destacando a expansão da área de saúde privada e o resseguro (o seguro das seguradoras).

Para quem já pensa em ingressar na carreira, mais um alerta: gostar de matemática e estatística não basta. O português e o direito são muito importantes.

Por Lúcia Pires

Dica
Com a lei de responsabilidade fiscal, as prefeituras precisam criar os próprios fundos de assistência e previdência e abriram novo campo de atuação para o profissional.
 
Você sabia?
Que a origem do termo “atuário” vem da história antiga onde, entre os romanos, eram os escribas que redigiam as atas do senado?



Como eu fiz

“Entrei com 18 anos no curso, com informações de um guia de estudante. Vi que o currículo era bem amplo e gostei. Comecei a trabalhar no segundo ano da faculdade como estagiária na Previdência do Sul, empresa com matriz em Porto Alegre onde trabalho até hoje. Estou formada desde 2005. Da minha turma, boa parte foi para São Paulo, Brasília ou Rio. O mercado é concentrado nesse eixo porque é onde está a maioria dos bancos e seguradoras do país.

O nosso curso é baseado em matemática e estatística, mas oferece administração, contabilidade e direito, além das disciplinas de atuária que nos dão a teoria da profissão. O atuário deve gostar de números e também de português, pois vai elaborar contratos e produtos.

No meu cotidiano, auxilio em novos produtos, cotações, mas o que faço mesmo são os cálculos das provisões técnicas da seguradora. Mensalmente, temos de avaliar o quanto a empresa precisa guardar para manter os seus compromissos com os seguros de vida que assume. É a parte mais importante da seguradora e só o atuário pode fazer esse tipo de avaliação. É também o que eu mais gosto na profissão. É uma análise da empresa que vai ao fundo. São tabelas enormes que exigem um alto grau de concentração. Preciso ser detalhista, mas não com uma visão míope da situação. O mundo está em constante mudança. Estou cursando pós-graduação em economia aplicada na UFRGS. A atualização é importante, e o estudante deve buscar estágio ainda na faculdade. Trabalho com quatro alunos de atuária, do terceiro ao oitavo semestre. Eles têm pique, são muito bons e interessados.”

LUCIANA SCALABRIN BRAND, 26 ANOS, ATUÁRIA

Ciências Atuariais
O curso
- Com quatro anos de duração, a graduação é noturna, com disciplinas diurnas no início do curso. São oferecidas 30 vagas por ano, e a concorrência é de cerca cinco candidatos por vaga no vestibular. No início, matemática, contabilidade, cálculos tomam contam do currículo. As disciplinas de atuária e administração vêm a partir do quarto semestre. Não há estágio obrigatório. No final da graduação, há um trabalho prático no qual o aluno precisa demonstrar conhecimento em todas as áreas em que o atuário pode atuar.
O mercado
- A grande oferta de emprego está centrada em São Paulo, onde os profissionais atuam em grandes empresas e seguradoras, e em Brasília, para atender aos fundos de previdências e assistência de estatais. O campo de atuação é amplo, e a atuação dependerá do interesse e da formação do profissional. Estão em alta as áreas da saúde privada e do resseguro, que é a novidade da área (seguro das seguradoras). Para o estagiário, há vagas remuneradas em bancos e seguradoras, com remuneração média de R$ 650. Os profissionais encontram melhores salários em São Paulo, onde a média para iniciantes é de R$ 2 mil. No Estado, recém-formados que estagiaram na faculdade começam a carreira com R$ 1,3 mil.
Onde estudar?
UFRGS
Onde estão os atuários?
- Fundos de pensões, instituições financeiras, companhias de seguros, companhias de resseguros (seguro das seguradoras), empresas de capitalização, órgãos oficiais de previdência, entidades de previdência aberta sem ou com fins lucrativos, assessoria e consultoria em atuária, órgãos de fiscalização, previdência social, perícia técnica-atuarial, atuando em processos judiciais que envolvem o cálculo atuarial, auditoria atuarial, planos de saúde e no ensino.