Eça de Queirós foi um dos principais responsáveis pela introdução do realismo em Portugal, e O Primo Basílio foi um dos dois livros (sendo o outro 0 crime do Padre Amaro, também dele) que mais colaboraram para desbancar o romantismo de Camilo Castelo Branco ou Júlio Dinis e instalar em Portugal novos padrões de arte e de visão da sociedade e da vida.

O livro é um delicioso quadro da classe média de Lisboa, com inesquecíveis tipos caricatos, como o Conselheiro Acácio e Dona Felicidade, e uma história ao mesmo tempo banal e envolvente. 

[Snippet not found: '/Quad_FLEX_']

Luísa vive um casamento morno com seu prosaico marido, o engenheiro Jorge, e se intoxica de fantasias românticas, hauridas em livros ou sugeridas nas conversas com sua “devassa” amiga Leopoldina.

No meio de um verão sufocante, durante o qual Jorge faz uma viagem de trabalho, Luísa recebe a visita de um primo rico, seu ex-namorado, agora vivendo em Paris, cidade idealizada nos sonhos românticos da moça.

[Snippet not found: '/Quad_MDL_']

Uma velha empregada, a ressentida Juliana, a tudo assiste cheia de intenções de vingança. Esses são os ingredientes com que o estilo irresistível de Eça de Queirós compõe a trama do romance.

Disso resulta uma crítica demolidora da moral pequeno-burguesa. A aventura “romântica” de Luísa é vista sem nenhum romantismo; ao contrário, é desnudada pelas lentes implacáveis do realismo, que, nessa época, Eça abraçava com fervor, utilizando-o como método de análise para elaborar um amplo e devastador quadro crítico da sociedade portuguesa.

A força de O Primo Basílio, contudo, não provém de sua trama (que Machado de Assis, em crítica publicada na época do lançamento do livro, demonstrou ser defeituosa), nem de suas intenções de saneamento social, mas sim do poder com que Eça compõe as situações e do encanto do seu estilo.

Por: Curso Objetivo