Artigos sobre o vestibular O nazismo como movimento sócio-político radical da baixa classe média da Alemanha não teria condições de desencadear a guerra se não houvesse recebido o apoio do militarismo alemão, dos grandes industriais e de grupos conservadores de outros países, articulados pelos "apaziguadores" britânicos. E o ponto de convergência destes apoios foi a crise de 29 e a Grande Depressão que a acompanhou, a qual colocou em risco os fundamentos do sistema mundial. Esta crise acirrou os conflitos entre as grandes potências, através da reação agressiva dos "capitalismos tardios" (Alemanha, Itália, Japão), mais atingidos pela depressão. Mas esta guerra não foi apenas um conflito interimperialista, pois a crise estimulava os protestos, enquanto, ironicamente, a URSS desenvolvia sua economia aceleradamente.
A guerra na Europa foi mais intensa e decisiva para a definição do conflito, com a luta terrestre entre a Alemanha nazista e a URSS, por seu enorme peso, intensidade e emprego de imensos contingentes humanos e recursos materiais, determinante para o resultado da guerra (ainda que os bombardeios anglo-americanos tenham sido importantes). Na Ásia, o Japão travou guerras terrestres limitadas contra a China e as colônias européias e uma guerra aeronaval contra os EUA. Portanto, o emprego de tropas foi ali mais limitado. Além do mais, os japoneses tiveram de enfrentar a superior capacidade tecnológica e industrial americana, sem esperanças a longo prazo – ao contrário do que ocorria no continente europeu, onde a definição do conflito só se esboçou gradativamente, sob a influência de condições políticas complexas.
Para a derrota do Eixo, sem dúvida contribuíram três fatores importantes. Em primeiro lugar, a grande força econômico-industrial e tecnológico-militar dos EUA, cujo economia controlava a maior parte dos recursos mundiais – enquanto Alemanha e Japão possuíam uma expressão apenas regional. Embora tendo influenciado a guerra como um todo, a superioridade econômica americana foi decisiva especialmente para a vitória sobre o Japão, cuja política expansionista era mais prejudicial aos interesses de Washington.
A URSS teve o papel preponderante na derrota do III Reich e constituiu o segundo fator para a vitória aliada. A intervenção anglo-americana no teatro europeu foi periférica, tardia e limitada. Sem a resistência extremada do povo e do governo soviéticos, o nazismo não teria sido detido na Europa, pois o exército franco-britânico perdera força e o americano tinha dificuldade de enfrentar em terra a Wehrmacht, qualitativamente superior. Mas deve-se observar igualmente que a contribuição da URSS à derrota da Alemanha não foi apenas a de uma nova potência industrial, mas a de um novo sistema social, o socialismo.
O início da guerra aprofundara o enfraquecimento da esquerda. Mas a opressão da "nova ordem", com o holocausto judaico, cigano e eslavo, estimulou os povos à resistência, que conheceu um crescimento contínuo, em meio à intensa mobilização. Um dos pressupostos para a vitória do nazismo era a intimidação pelo terror, mas nem toda a ferocidade fascista conseguiu dobrar os povos. As resistências tornaram-se, especialmente na Europa, importantes movimentos político-militares, nos quais a força da esquerda – sobretudo comunista – acentuava-se. A resistência, sobretudo dos povos racialmente desprezados pelo nazismo – eslavos, latinos, greco-albaneses, etc., constitui-se num terceiro fator para a derrota do Eixo.
No plano ideológico, a derrota do nazi-fascismo significou um forte revés da extrema-direita, do racismo, da barbárie, do obscurantismo, do militarismo, do genocídio, da reação mais torpe e de seus valores opressivos, representando, por contraposição, a afirmação da democracia, das liberdades individuais, sociais e nacionais e prestígio para o socialismo. A derrota do nazi-fascismo marcou, ainda, o triunfo de uma forma de capitalismo moderno e cosmopolita, dominado pelos EUA, contra um capitalismo marcado por contornos retrógrados de dominação social e de inserção no mercado mundial.
O custo social e econômico da II Guerra Mundial foi elevadíssimo e, embora razoavelmente quantificado, é bastante difícil qualificá-lo. Além da destruição propriamente dita, foram gastos um trilhão e meio de dólares – ao valor de 1939 – durante o conflito que envolveu diretamente 72 países e mobilizou 110 milhões de soldados. Houve 55 milhões de mortos, 35 milhões de mutilados e 3 milhões de desaparecidos. A maioria das vítimas era constituída de civis. A nação com maior número de vítimas foi a URSS, com 25 milhões, enquanto os EUA tiveram apenas 350 mil mortes. Relembrar as causas, estratégias, formas e consequências do conflito é fundamental quando o mundo mergulha em um novo ciclo de violência incontrolável.