Faltam três meses para o vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a estudante Tauba Daniela Fejerbaum, 17 anos, já leu oito dos dez livros da lista exigida para realizar a prova de literatura.

Ainda precisa conhecer Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, e Leão-de-Chácara, de João Antônio. ‘‘Romanceiro é muito chato’’, diz a colega Marcela Milano, 18. Ela considera a linguagem do livro complicada mas acha importante conhecer a literatura nacional.

A jovem terá que ler outros dez livros, já que também irá prestar vestibular no Rio Grande do Sul.   Tauba opina que os livros deveriam ser mais atuais e tratar do dia-a-dia dos jovens. ‘‘Eu li um livro que uma menina de classe média contrai HIV. Isso é um assunto mais próximo da nossa realidade.’’ Depois de ler todos da lista pretende nem chegar perto desse tipo de literatura novamente. Mas por precaução, uma semana antes do vestibular irá ler o resumo de todas as obras. Enquanto lê, Marcela procura prestar atenção no contexto histórico do livro e nas características psicológicas das personagens.  

Lucas Henrique Brigo, 16, terá que correr contra o tempo. Até agora ele leu cinco livros entre todos os exigidos. No local onde estuda, a cada duas aulas de literatura o professor aborda um livro. Assim pode conhecer um pouco mais sobre as histórias. Mesmo assim terá que recorrer aos resumos.  

Outro que irá tentar uma vaga na UFPR é Jeancarlo Coletti, 17. Além disso o jovem tentará entrar na Universidade Estadual de Londrina (UEL), que também exige dez livros. Ele tenta dividir o tempo entre o colégio, o trabalho e os estudos em casa. Assim, não conseguirá ler todas as obras e até já foi atrás dos resumos.

Entre os livros que conhece estão Dom Casmurro, em que achou a linguagem complicada, São Bernardo, ‘‘legal mas não é fácil de ler’’, Memórias de um Sargento de Milícias, ‘‘mais complicadinho’’, e O Santo e a Porca, que Coletti gostou. ‘‘Além de ler os livros tenho que ler as obras para a prova de filosofia e também os jornais para estar atento aos assuntos atuais’’, diz o estudante.   Os resumos das obras literárias possuem aproximadamente 14 páginas.

Coletti gostaria de poder ler as obras completas, pois acredita que é importante conhecer os clássicos da literatura brasileira, além de poder enriquecer o vocabulário para a redação. Conhecimento   Quem tem na ponta da língua a história de todos os livros exigidos pela UFPR é o professor de literatura do Curso Positivo, Braz Ogleari.

Ele atua nesta profissão há 40 anos e sempre que a lista é divulgada pela universidade volta a ler os livros. Ogleari considera algumas obras difíceis,
como Romanceiro da Inconfidência, Dom Casmurro, Como e Porque eu Sou Romancista e Felicidade Clandestina, já que possuem linguagem antiga e são introspectivos. Outros livros podem ser mais complicados, mas quando o aluno se acostuma com a linguagem tudo se torna mais fácil. Isso é o que ocorre com Memórias de um Sargento de Milícias, que exagera nas situações e no ridículo das personagens.   ‘‘Tem que ler o resumo depois que ler o livro’’. Esta é a opinião de Ogleari.

Segundo o professor, apenas 10% das pessoas que prestam vestibular lêem os livros exigidos. O resto vai direto nos resumos. Isso não acontece só no Brasil, mas em todo o mundo. ‘‘A leitura exige sentar, ficar quieto e sozinho. Hoje os jovens querem ler ao mesmo tempo que estão com o som e a TV ligados e navegando na internet’’.  

Ogleari diz que é importante ler tudo e prestar atenção na temática da obra, na circunstância que aquele fato acontece e também no lado psicológio e filosófico das personagens. São seis questões de literatura na UFPR. Dentre elas, cinco abordam temas individuais. As outras cinco obras são citadas em apenas uma questão.