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VIVENDO NO EXTERIOR
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- Publicado 1/10/2007
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Nota:




A vida de brasileiros que decidem morar fora do Brasil. O que era para ser somente um intercâmbio de 3 meses, se torna uma mudança definitiva, com direito a faculdade, emprego, mulher ou marido e filhos. Já são muitos os estudantes brasileiros que trocaram um breve intercâmbio por uma vida definitiva em outros países.
Movidos por experiências de amigos e parentes, testemunhos vistos na internet e até por blogs e comunidades no Orkut, milhares de brasileiros largam todos os anos suas vidas, muitas vezes confortáveis, aqui no Brasil, para trabalhar em hotéis, aprender outras línguas e curtir as baladas em outros continentes.
Luiz Júnior era de uma família de classe média e possuía um bom emprego no Brasil, seu trabalho como comissário de bordo lhe proporcionou conhecer mais de 20 países, entre eles o Japão e morar por 4 meses em Los Angeles nos EUA.
Em março de 2000 pediu demissão da empresa onde trabalhava e se mudou para a Austrália onde estudou Marketing e trabalhou de gerente de lavanderia a DJ. O emprego de DJ surgiu por acaso, como possuia uma enorme coleção de cds e tinha recém chegado do Brasil trazendo várias novidades, era sempre convidado a levar seu acervo às festas locais. Com um pouco de estudo dos equipamentos e muito empenho, logo se tornaria um dos DJs brasileiros mais badalados da Austrália. Uma festa com o DJ brasileiro era garantia de diversão.
Apesar do trabalho rentável, Júnior não se esqueceu dos estudos e ingressou no curso de Marketing em uma faculdade de Sydney. A fácil mobilidade de grade nas faculdades australianas ajudou-o a equilibrar sua vida universitária e profissional. “Eu estudava 3 dias da semana, trabalhava os outros 3 o dia inteiro, das 9 da manhã às 10 da noite e fazia algumas festas aos finais de semana”. Com dinheiro que ganhava em meus trabalhos consegui morar bem, pagar minhas despesas e a faculdade.
Uma das primeiras dificuldades do brasileiro – depois da adaptação com o idioma – sem dúvida é perceber que está em um país mais aberto onde a classe social não tem tanta importância como no Brasil. Na Austrália muitos brasileiros sentem-se envergonhados de trabalhar em profissões mais mecânicas como atendente de posto de gasolina, faxineiro ou atendente em uma rede de fast food, mas lá na Austrália não existe tanto preconceito.
"No mesmo restaurante em que eu almoçava. encotrava meu patrão, meu cabelereiro ou a garota que limpava meu apartamento, lá não existe esta divisão de classes tão absurda em que pessoas ricas e outras nem tanto jamais frequentam o mesmo restaurante ou evento".
Porém é preciso estar certo de seus objetivos quando o assunto é faculdade. Antes de ir para a Austrália o estudante deve saber se pretende ficar na Austrália ou voltar para o Brasil, um dos motivos é a faculdade. Muitas vezes as matérias estudadas em uma universidade na Austrália não são compatíveis com as exigidas no Brasil e assim pode ser difícil revalidar o diploma.
Mas todo país do sonhos possui seus problemas:
"Sydney está no meio de uma floresta e tem muitas baratas, elas são pequenas, mas são uma praga, por mais que vc limpe sempre vai ter barata."
Engana-se quem pensa que a vida no exterior se resume a estudar pela manhã e curtir as baladas à noite, para viver sozinho e longe de casa é preciso muita responsabilidade.
“No Brasil, além de você estar perto de todos os seus amigos, você já tem a infra-estrutura toda montadinha, bonitinha, não precisa fazer nada e a geladeira se enche sozinha, o chão se limpa sozinho, as contas se pagam sozinhas. Aqui não. Você precisa dedicar tempo e dinheiro em outras coisas que no Brasil não precisava”. Diz Beatriz Singer, que está na Inglaterra há 1 ano e 2 meses.
Filha de pai inglês, Beatriz viu a Inglaterra como a melhor e mais viável opção quando decidiu se aventurar por terras estrangeiras, hoje trabalha como salva vidas enquanto junta dinheiro para fazer seu mestrado em Literatura Moderna na Goldsmith, que faz parte da University of London.
A fama de Londres com uma das cidades mais caras do mundo não é à toa, pelo menos para Beatriz. “Londres é muito cara e se não se é esperto, toda a grana que entra, sai com aluguel, comida, contas e meia dúzia de cervejas.”
Quem pretende se aventurar pelas terras da rainha não corre o risco de passar seus dias sozinho. A comunidade brasileira na Inglaterra é muito grande e depois do Orkut, muitos conterrâneos têm marcado encontros nos pubs da cidade para tomar uma cerveja, dividir experiências e jogar conversa fora.
Formada em jornalismo, ela pretende um dia voltar ao Brasil para exercer sua profissão e quem sabe publicar seus livros, pelo blog da garota é fácil perceber seu talento com as palavras. - " É muito difícil exercer essa profissão num país que não fala sua língua materna. ". Além da profissão, a saudade da família e dos amigos é um dos principais fatores que a influenciam a largar o céu nublado de Londres pelos dias "quentes" de São Paulo, sua cidade natal.
Para quem pretende se aventurar pela terra dos Hooligans Beatriz adverte: "Recomendo a qualquer um que queira viver aqui, que chegue no verão (inverno no Brasil) como eu fiz. Acho que se tivesse chegado no inverno londrino, já teria voltado pra terrinha há tempos".
Beatriz possui um blog imperdível onde conta sua vida na Inglaterra. Confira em:
http://singerinthereign.blogspot.com/
Anelise vive o sonho de muitos brasileiros; mora em Roma, uma das mais lindas cidades do mundo.
Ela é o exemplo de que sonhar é possível e vale a pena.
”Uma vez, quando estava em São Paulo, fui até a noite de autógrafos do sociólogo Domenico de Masi, de quem era uma admiradora. Naquela ocasião pensava o quanto enriquecedor seria poder frequentar uma aula sua. Hoje, toda vez que entro na universidade La Sapienza, onde ela ensina, me lembro deste episódio.”
Dividindo seu tempo entre o trabalho, os estudos e sua filha de 3 meses, ainda encontra tempo para escrever seu blog e realizar tarefas domésticas.
A Itália é uma boa opção para os brasileiros, principalmente para os que possuem descendência italiana. Para tanto, é necessária a obtenção do passaporte italiano. O processo é bastante lento, podendo por vezes levar anos, porém, uma vez com o passaporte o estudante brasileiro pode usufruir de muitas vantagens, entre elas, andar livremente por países da união européia, abrir conta em banco e até conseguir uma vaga na universidade. Tentar imigrar de outras formas está ficando cada vez mais difícil.
“Desde 2002, quando o governo italiano varou uma nova lei sobre imigração (l.n. 189/2002, mais conhecida como Bossi-Fini) não acredito que imigrantes tenham vida fácil por aqui porque obter um visto regular de permanência tornou-se muito mais complicado e diversos imigrantes trabalham no mercado negro, com baixa remuneração. Além disso, a Itália, assim como outras nações européias, segue a tendência de flexibilidade no mercado de trabalho, o que significa que é cada vez mais freqüente o uso de contratos de trabalho muito breves (3 ou seis meses) em vez de um contrato a tempo indeterminado. Com a entrada do euro, a capacidade de consumo de quem vive na Itália diminuiu drasticamente e não acho que a vida por aqui seja feita de festas e diversões”.
Apesar da grande saudade dos amigos e parentes, no momento ela não pretende voltar ao Brasil. Com sua vida estabilizada em Roma, provavelmente suas vindas ao Brasil serão apenas esporádicas, para rever a família e se divertir.
Também formada em jornalismo, no momento Anelise não tem encontrado muitas dificuldades para conseguir um emprego na área. No momento é jornalista free-lance e colabora com algumas publicações brasileiras. No entanto, desde que chegou à Itália trabalhou em uma agência de comunicação on-line, em uma agência de notícias especializada no tema imigração e em uma agência de Tv especializada em news sobre o Vaticano. Também foi assessora de imprensa para uma revista eletrônica londrina e fez estágios na Associated Press e no canal via satélite RAInews24.
Em seu blog você pode saber mais sobre o dia a dia desta “Ítalo-Brasiliana”
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1 Comentário para "VIVENDO NO EXTERIOR" 
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disse isso em 24 Dec 2007 8:35:58 PM PDT
Muito bom.
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