A aprovação do acordo ortográfico, que unifica a forma como é escrito o português nos países lusófonos, pode ampliar a utilização da língua portuguesa no mundo e melhorar os índices de leitura nos países que falam o idioma, na avaliação do presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Godofredo de Oliveira Neto.

"Essa decisão revigora decisivamente a língua portuguesa do mundo e amplia a circulação de livros nos países lusófonos, cria melhores condições para diminuição do dramático nível de falta de leitura encontrado na maioria dos países de língua portuguesa. E contribuiu até para abertura de mercado, tanto para as editoras portuguesas quanto para as editoras brasileiras", avalia Neto, que também preside a Comissão de Definição da Política de Ensino, Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip), ligada ao Ministério da Educação (MEC).

A mudança, segundo o especialista, cria condições para que a língua portuguesa "possa vir a ser uma língua oficial da Organização das Nações Unidas". Atualmente, a ONU adota o inglês, o francês, o espanhol, o russo, o árabe e o chinês como idiomas de documentos e reuniões oficiais.

As principais novidades para os brasileiros serão a extinção do trema e mudanças no uso do hífen e de acentos diferenciais (que distingue palavras com a mesma escrita, mas pronúncias ou funções diferentes), segundo Neto. "O acordo muda apenas a grafia, não vai alterar a diversidade da língua portuguesa. As diferenças continuarão a existir, serão permitidas", pondera.

No Brasil, a mudança entra em vigor em janeiro de 2009. Por causa do período de adaptação, a regra passará a valer pelos livros didáticos comprados pelo MEC para as escolas públicas a partir de 2010.

Veja o que muda

O acordo ortográfico, que unifica a forma como é escrito o português nos países que falam a língua, vai modificar 0,43% do dicionário brasileiro. Os portugueses, que levaram 16 anos para ratificar a proposta e não tinham aderido à reforma ortográfica de 1971, terão que alterar 1,42%.

Na avaliação do professor Godofredo de Oliveira Neto, presidente do Conselho Diretor do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e da Comissão de Definição da Política de Ensino, Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip), ligada ao Ministério da Educação, as principais mudanças para os brasileiros serão a extinção do trema e mudanças no uso do hífen e de acentos diferenciais.

Alfabeto Passará a ter 26 letras, ao incorporar "k", "w" e "y".
Trema Deixará de existir. Só permanecerá em nomes próprios.
Acento agudo Desaparecerá nos ditongos abertos "ei" e "oi" - palavras como "idéia" e "jibóia" - e nas palavras paroxítonas com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo - palavras como "feiúra".
Acento circunflexo Desaparecerá em palavras com duplo "o", como vôo e enjôo e na conjugação verbal com duplo "e", como vêem e lêem.
Acento diferencial
Não se usará mais acento para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição) ou "pêlo" (substantivo) de "pélo" (verbo) e "pelo" (preposição mais artigo).
Hífen Desaparecerá em palavras em que o segundo elemento comece com "r" e "s", como "anti-rábico" e "anti-semita". A grafia passará a ser "antirrábica" e "antissemita". O hífen será mantido quando o prefixo terminar em "r", como em "inter-racial".

Mudanças em Portugal

Para os portugueses, caem as letras não pronunciadas, como o "c" em acto, direcção e selecção, e o "p" em excepto e baptismo.

A nova norma acaba com o acento no "a" que diferencia o pretérito perfeito do presente (em Portugal, escreve-se passámos, no passado, e passamos, no presente).

Algumas diferenças vão continuar. Em Portugal, polémica e génesis manterão o acento agudo – o Brasil continuará escrevendo com o circunflexo.