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Mecânica vai do plástico ao aço
Salário em alta e vagas de sobra no mercado de trabalho. Difícil de
acreditar, mas essa é a realidade atual na profissão de engenheiro
mecânico.
Em Curitiba e região metropolitana, a grande demanda por
profissionais se dá na indústria automobilística, onde os engenheiros
podem trabalhar nas áreas de mecânica estrutural, projetos e
fabricação, conta o professor Antonio Kozlik Júnior, coordenador do
curso na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
Mas, ao contrário do que parece, o engenheiro não vai trabalhar só com desenvolvimento e produção de carros, conta Kozlik. Qualquer aparelho que envolva motores tem o trabalho de um engenheiro mecânico – elevadores e escadas rolantes, por exemplo. Uma das áreas é a das ciências térmicas, responsável pela produção de máquinas a vapor, aparelhos de refrigeração e de ar condicionado. Na mecânica estrutural, o profissional analisa os componentes e procura melhorar o aproveitamento econômico.
Quem for trabalhar com projetos mecânicos vai planejar novos produtos, sempre pensando em facilitar a vida dos usuários. Os materiais usados para isso podem ser o aço ou até mesmo plásticos e polímeros. Na área de produção e automação está uma curiosidade da profissão, a utilização de robôs e o desenvolvimento de softwares responsáveis por realizar trabalhos que até há pouco tempo eram feitos manualmente. “O engenheiro mecânico pode fazer parte de um corpo técnico na realização de grandes projetos como a construção de uma via de metrô, ou na engenharia de aeronaves”, diz o professor.
Interesse por Matemática e Física é fundamental. O aluno vai
encontrar uma série de atividades durante o curso. Uma delas é a
competição de Mini Baja, que consiste em elaborar um projeto de
engenharia de um veículo para disputar com outras universidades. Cada
equipe compete para ter seu projeto aceito por um fabricante fictício.
Na Fórmula Sae os alunos desenvolvem carros de corrida. O estudante ainda tem de encontrar tempo para as 360 horas de estágio obrigatório. “São muitas opções e o estagiário é muito bem remunerado”, afirma o professor Kozlik. “Temos hoje 100% dos alunos empregados logo após a formatura”, enfatiza.
O estágio não só é uma oportunidade de ganhar dinheiro, mas também
pode ser o segredo para o primeiro emprego. Formado há um ano e meio,
Nicolas Furtado Salomão entrou bem antes na Bosch. “O estágio é a porta
para o mercado de trabalho”, diz. O engenheiro destaca que nesse
período teve contato com profissionais de outros países, o que
contribuiu muito para sua formação.
Nicolas começou trabalhando com
processos de fabricação – modelar o aço para transformá-lo nas peças
finais, sempre atendendo as exigências prescritas. O fruto do seu
trabalho pode ser visto dentro dos motores de automóveis, já que a
empresa onde atua fornece peças para as montadoras. Hoje, ele é
engenheiro de Planejamento e trabalha com sistemas de injeção a diesel
para veículos.
Antes mesmo de entrar na faculdade, Nicolas já estava atento à falta de profissionais na área de tecnologia e soube perceber a oportunidade. Para quem está pensando em encarar a carreira, ele dá as dicas: é imprescindível buscar aperfeiçoamento constante. “Uma segunda língua é fundamental e nunca se deve parar de fazer cursos”, afirma. O engenheiro deve se preocupar com as pessoas com quem trabalha. “É preciso uma boa formação técnica e um bom relacionamento humano”, diz.


