É aula pela manhã, à tarde e muita matéria para revisar à noite. Nem os intervalos entre um professor e outro são de descanso. Muitos vestibulandos, aproveitam a chance para ter uma explicação extra, esclarecer uma dúvida ou ler uma notícia no jornal para se manter atualizado. E, no meio de tanta correria, ainda há questões sem respostas: qual é o curso ideal? Vou acertar na minha escolha?

Nos corredores dos cursinhos, muita gente faz cara de decidido, mas ainda enfrenta um drama interior cada vez que vem à tona o assunto escolha da profissão. Mesmo para quem já se decidiu, o medo de não gostar do futuro curso é grande entre os vestibulandos. E pode atrapalhar os estudos. Por isso, é melhor deixar claro: acertar na futura profissão, é claro, é o objetivo de todos e o motivo de tanto esforço. Ninguém gosta de pensar em uma mudança de planos depois do vestibular. Mas ela não seria o fim do mundo.

– O jovem acredita que deve escolher algo para o resto da vida, que errar o curso seria um atraso, uma perda de tempo. Mas, na verdade, quando avaliamos carreiras de sucesso, percebemos que são pessoas que lidaram muito bem com mudanças, conseguiram sempre avaliar e fazer adaptações. É curioso que o adolescente ainda esteja se preparando para uma vida sem transições. Isso é muito distante da realidade – diz a psicóloga Cláudia Sampaio Corrêa da Silva, que atua em orientação profissional e desenvolvimento de carreiras.

Fazer uma boa escolha é pensar no que se quer fazer agora, sobretudo quando imaginamos resolver problemas da sociedade (sinônimo de trabalho). Para isso, é preciso se conhecer melhor e buscar informações sobre o que as pessoas podem fazer nas diferentes profissões. Mas não há como garantir que ela será a mesma por toda a vida. Mudanças ocorrem naturalmente. Para a psicóloga Luciana Ourique, o importante é poder refletir.

– O medo de fazer a escolha errada diminui muito quando o jovem percebe que toda trajetória traz conhecimentos e experiências que farão parte da construção da carreira. O que importa é saber que sempre há tempo de parar, pensar e mudar o rumo das coisas – afirma Luciana.

Dicas
- Antes de perguntar quanto você vai ganhar em uma determinada profissão, pense o que o mundo vai ganhar se você se tornar esse profissional.
- Não existe a profissão do futuro. Daqui a
cinco anos, tudo pode estar diferente. O sucesso depende da carreira de cada um.
- Assuma o próprio caminho e encontre seus sonhos.
- Pais e professores podem ser muito úteis ao passar informações sobre você e as diferentes carreiras. Mas lembre-se: ninguém tem bola de cristal e pode adivinhar o futuro.
- Testes vocacionais podem indicar tipos de ocupações em que há uma tendência de afinidade profissional. Não exatamente para quais atividades você serve.
- Informe-se sobre todos os cursos, mesmo aqueles que, aparentemente, não lhe despertam qualquer interesse.
- Busque informações sobre as atividades profissionais. Converse com pessoas já formadas na área para conhecer sua trajetória, saber como é seu dia-a-dia. Peça-lhe que indique profissionais que fazem um trabalho diferente, mesmo tendo se formado no mesmo curso.
- Procure na internet sites relacionados à profissão desejada e vasculhe o currículo do curso.
Fontes: Leo Fraiman, professor e psicoterapeuta, Maria Célia Lassance, psicóloga do Núcleo de Apoio ao Estudante da UFRGS