Quantas pessoas você conhece que fizeram ou pensam em fazer um MBA? Que
poder mágico essas três letrinhas têm para hipnotizar tanta gente? E,
se você já foi picado(a) pelo mosquito do Master in Business
Administration, como fazer para escolher o curso e a escola, diante da
enxurrada de opções ? muitas das quais exemplos clássicos de
apropriação indevida da sigla?
Em primeiro lugar, o MBA nada mais é que um curso de pós-graduação em gestão empresarial. Melhor dizendo, um mestrado, se levarmos em conta a tradução literal do título Mestre em Administração de Negócios.
Ou seja, MBA é um curso generalista para formação de executivos e gerentes, no qual são abordadas as mais diversas áreas da administração, como marketing, finanças, RH, contabilidade, logística e outras. Saiba maisConfira algumas dicas para não errar na hora de escolher um MBAE caro, se for bom:
no Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (Isae/FGV), uma das mais conceituadas escolas de negócios do país, os cursos de MBA custam R$ 16.230 à vista (ou 18 módicas parcelas de R$ 980).
Para se ter uma idéia, a pós-graduação em Administração na mesma instituição, que dura 24 meses contra 18 do MBA , custa R$ 8.730 à vista.
Nos Estados Unidos e na Europa, o MBA é um curso de mestrado propriamente dito, strictu sensu. Aqui é latu sensu, você até vai ter uma fundamentação teórica, mas ele é voltado essencialmente à aplicação prática na área de gestão, explica Luciano Salamacha, professor de Estratégia de Empresas e Planos de Negócios no MBA do Isae/FGV.
Acontece que, desde a metade da década de 1990, quando o governo Fernando Henrique reduziu os obstáculos para o ensino superior nas instituições particulares, o MBA ganhou status e tornou-se uma credencial indispensável para quem quisesse ascender na carreira, assumir posições de gerência e de lambuja ganhar um upgrade no holerite.
Se de um lado isso permitiu uma oferta maior e ampliou o acesso a esses cursos, de outro fez com que proliferassem as faculdades talibãs, instituições terroristas que oferecem qualidade mínima por um preço também mínimo, avalia Salamacha. E preparou o terreno para quem precisava esquentar o diploma: aqueles que fizeram uma faculdade de péssima qualidade, rejeitada pelo mercado, e que passaram a buscar uma pós-graduação para tentar validar a sua formação.
Assim, segundo ele, da mesma forma que essa abertura do mercado fez com que surgissem faculdades de primeira e de segunda linha, o mesmo teria ocorrido com os cursos de MBA: O mercado passou a oferecer cursos sem os requisitos práticos para poderem ser chamados de MBA, onde os professores são apenas professores, por exemplo, sem qualquer experiência empresarial.
Em uma palavra, virou moda. O MBA no Brasil virou uma grife, e uma grife com zero de significado. crava o secretário-executivo da Associação Nacional de MBA (Anamba) e diretor de Educação Executiva do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) em São Paulo, Luca Borroni. Qualquer escola agora se sente no direito de abrir um MBA, e passa a chamar assim cursos que não atendem sequer à regulamentação mínima do Ministério da Educação (MEC) a carga horária de pelo menos 360 horas.
A gente brinca que qualquer dia vão abrir um MBA em corte e costura. Ele também critica os MBAs segmentados. Os cursos que vertem somente sobre uma área do conhecimento, como um MBA em Marketing, por exemplo, não são MBAs. Isso é um engodo. Um MBA é necessariamente um curso generalista, que até pode derivar para uma área mais especializada, mas terá de abordar todos os aspectos da gestão corporativa, como estratégia, finanças, RH e logística, além do marketing.
Foi precisamente como uma resposta a este inchaço na oferta de MBAs que em 2004 representantes de 12 das principais escolas de negócios do país criaram a Anamba, que avalia os novos cursos e concede selos de qualidade às instituições credenciadas. Tudo para tentar separar o joio do trigo. Criamos a associação, formada por players do mercado, para que pudéssemos avaliar os cursos de MBA com regras mais rigorosas, justifica Borroni.
O problema é que esse credeciamento dos MBAs para a concessão do selo de qualidade da Anamba ainda é incipiente. Apenas seis instituições estão credenciadas, com destaque para a Fundação Instituto de Administração de São Paulo (FIA-SP), que tem doze cursos de MBA avaliados e aprovados. De fora de São Paulo, apenas o MBA Executivo Internacional da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EA/UFRGS), e o MBA Executivo da Graduate School of Business da Universidade de Pittsburgh, nos EUA.
Estamos fazendo um trabalho de conscientização, há muitas escolas boas com cursos excelentes que não fazem parte da Anamba, afirma. Fazer ou não fazer? Mas a pergunta que não quer calar é: vale a pena fazer um MBA? Para Luciano Salamacha, do Isae/FGV, em princípio sim. É difícil refutar conhecimento, sem falar no networking fenomenal que você encontra num bom MBA, onde terá gente muito boa à sua volta. Nesse aspecto vale muito a pena.
Mas dizer que um MBA vai salvar sua carreira, ou que não pesa nada no currículo, é uma mentira, observa. Não é um diploma de MBA por si só que vai te dar um bom emprego ou uma promoção, mas o quanto de conhecimento você acumulou no curso e é capaz de aplicar na prática. Ele vai além: Não existe nenhuma pílula dourada para transformá-lo em executivo de sucesso. Em uma instituição séria você vai ter que ralar, MBA não é uma escolinha para fazer provinha e pegar um diploma.
Todas as provas são estudos de caso, você
vai ter de mostrar que tem experiências para trocar,
destaca. Além disso, segundo ele as próprias empresas estão atentas à
qualidade dos cursos e das escolas. As empresas estruturadas não usam
mais o MBA por si só como linha de corte nos processos de seleção.
Dizer que tem um MBA já não impressiona mais ninguém. Além do
conhecimento, a pessoa precisa ter a habilidade para colocá-lo em
prática e atitude, enumera. Luca Borroni, da Anamba, concorda:
Não adianta se meter a fogueteiro. Se você chega numa empresa e diz que tem um MBA, o diretor de RH vai querer saber de onde ele é. Tanto que alguns prejudicam mais do que ajudam o seu currículo. Sobre fazer ou não um Master in Business Administration, Borroni alerta:
O MBA serve para melhorar a capacidade de gestão das pessoas, ou seja, é indicado para quem está numa posição gerencial, para quem está na iminência de ocupar um cargo assim ou para quem tem isso como plano de carreira, destaca. Cargos mais técnicos, por mais complexos que sejam, em tese não requerem um MBA.
Gildo Erzinger, mestre em Administração, professor na Fundação de Estudos Sociais do Paraná (Fesp) onde é coordenador da pós-graduação ? e no Centro Universitário Curitiba, além de consultor em gestão de carreira e sócio da Sênior Assessoria em Recursos Humanos, acredita que um MBA sozinho não garante um futuro brilhante para ninguém:
O profissional tem de se tornar competitivo. Para isso, precisa desenvolver três competências fundamentais: a técnica, ou seja, ser capaz de desenvolver as atividades exigidas; a intelectual, mostrar que se mantém atualizado e em constante aperfeiçoamento; e a comportamental, que revela sua atitude, postura e ética no trabalho. Às vezes as pessoas são contratadas pela competência técnica ou intelectual, mas acabam demitidas por falta de competência comportamental. E quem já está fazendo um MBA, o que acha
Existe sim uma butique nessa área, eventualmente algumas discussões são muito superficiais, mas também vai do interesse do aluno em estudar, defende Samuel Antonio Vedam Araujo, que trabalha no HSBC e faz o MBA em Marketing na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Eles são formatados para ajudar o mercado, voltados para a prática e não para a pesquisa. Por isso algumas pessoas que buscam um conhecimento mais profundo podem ficar meio decepcionadas. Mas para mim, que resolvi fazer porque estava sentindo falta de um conhecimento específico em marketing, está valendo a pena.
Em primeiro lugar, o MBA nada mais é que um curso de pós-graduação em gestão empresarial. Melhor dizendo, um mestrado, se levarmos em conta a tradução literal do título Mestre em Administração de Negócios.
Ou seja, MBA é um curso generalista para formação de executivos e gerentes, no qual são abordadas as mais diversas áreas da administração, como marketing, finanças, RH, contabilidade, logística e outras. Saiba maisConfira algumas dicas para não errar na hora de escolher um MBAE caro, se for bom:
no Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (Isae/FGV), uma das mais conceituadas escolas de negócios do país, os cursos de MBA custam R$ 16.230 à vista (ou 18 módicas parcelas de R$ 980).
Para se ter uma idéia, a pós-graduação em Administração na mesma instituição, que dura 24 meses contra 18 do MBA , custa R$ 8.730 à vista.
Nos Estados Unidos e na Europa, o MBA é um curso de mestrado propriamente dito, strictu sensu. Aqui é latu sensu, você até vai ter uma fundamentação teórica, mas ele é voltado essencialmente à aplicação prática na área de gestão, explica Luciano Salamacha, professor de Estratégia de Empresas e Planos de Negócios no MBA do Isae/FGV.
Acontece que, desde a metade da década de 1990, quando o governo Fernando Henrique reduziu os obstáculos para o ensino superior nas instituições particulares, o MBA ganhou status e tornou-se uma credencial indispensável para quem quisesse ascender na carreira, assumir posições de gerência e de lambuja ganhar um upgrade no holerite.
Se de um lado isso permitiu uma oferta maior e ampliou o acesso a esses cursos, de outro fez com que proliferassem as faculdades talibãs, instituições terroristas que oferecem qualidade mínima por um preço também mínimo, avalia Salamacha. E preparou o terreno para quem precisava esquentar o diploma: aqueles que fizeram uma faculdade de péssima qualidade, rejeitada pelo mercado, e que passaram a buscar uma pós-graduação para tentar validar a sua formação.
Assim, segundo ele, da mesma forma que essa abertura do mercado fez com que surgissem faculdades de primeira e de segunda linha, o mesmo teria ocorrido com os cursos de MBA: O mercado passou a oferecer cursos sem os requisitos práticos para poderem ser chamados de MBA, onde os professores são apenas professores, por exemplo, sem qualquer experiência empresarial.
Em uma palavra, virou moda. O MBA no Brasil virou uma grife, e uma grife com zero de significado. crava o secretário-executivo da Associação Nacional de MBA (Anamba) e diretor de Educação Executiva do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) em São Paulo, Luca Borroni. Qualquer escola agora se sente no direito de abrir um MBA, e passa a chamar assim cursos que não atendem sequer à regulamentação mínima do Ministério da Educação (MEC) a carga horária de pelo menos 360 horas.
A gente brinca que qualquer dia vão abrir um MBA em corte e costura. Ele também critica os MBAs segmentados. Os cursos que vertem somente sobre uma área do conhecimento, como um MBA em Marketing, por exemplo, não são MBAs. Isso é um engodo. Um MBA é necessariamente um curso generalista, que até pode derivar para uma área mais especializada, mas terá de abordar todos os aspectos da gestão corporativa, como estratégia, finanças, RH e logística, além do marketing.
Foi precisamente como uma resposta a este inchaço na oferta de MBAs que em 2004 representantes de 12 das principais escolas de negócios do país criaram a Anamba, que avalia os novos cursos e concede selos de qualidade às instituições credenciadas. Tudo para tentar separar o joio do trigo. Criamos a associação, formada por players do mercado, para que pudéssemos avaliar os cursos de MBA com regras mais rigorosas, justifica Borroni.
O problema é que esse credeciamento dos MBAs para a concessão do selo de qualidade da Anamba ainda é incipiente. Apenas seis instituições estão credenciadas, com destaque para a Fundação Instituto de Administração de São Paulo (FIA-SP), que tem doze cursos de MBA avaliados e aprovados. De fora de São Paulo, apenas o MBA Executivo Internacional da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EA/UFRGS), e o MBA Executivo da Graduate School of Business da Universidade de Pittsburgh, nos EUA.
Estamos fazendo um trabalho de conscientização, há muitas escolas boas com cursos excelentes que não fazem parte da Anamba, afirma. Fazer ou não fazer? Mas a pergunta que não quer calar é: vale a pena fazer um MBA? Para Luciano Salamacha, do Isae/FGV, em princípio sim. É difícil refutar conhecimento, sem falar no networking fenomenal que você encontra num bom MBA, onde terá gente muito boa à sua volta. Nesse aspecto vale muito a pena.
Mas dizer que um MBA vai salvar sua carreira, ou que não pesa nada no currículo, é uma mentira, observa. Não é um diploma de MBA por si só que vai te dar um bom emprego ou uma promoção, mas o quanto de conhecimento você acumulou no curso e é capaz de aplicar na prática. Ele vai além: Não existe nenhuma pílula dourada para transformá-lo em executivo de sucesso. Em uma instituição séria você vai ter que ralar, MBA não é uma escolinha para fazer provinha e pegar um diploma.
Todas as provas são estudos de caso, você
Não adianta se meter a fogueteiro. Se você chega numa empresa e diz que tem um MBA, o diretor de RH vai querer saber de onde ele é. Tanto que alguns prejudicam mais do que ajudam o seu currículo. Sobre fazer ou não um Master in Business Administration, Borroni alerta:
O MBA serve para melhorar a capacidade de gestão das pessoas, ou seja, é indicado para quem está numa posição gerencial, para quem está na iminência de ocupar um cargo assim ou para quem tem isso como plano de carreira, destaca. Cargos mais técnicos, por mais complexos que sejam, em tese não requerem um MBA.
Gildo Erzinger, mestre em Administração, professor na Fundação de Estudos Sociais do Paraná (Fesp) onde é coordenador da pós-graduação ? e no Centro Universitário Curitiba, além de consultor em gestão de carreira e sócio da Sênior Assessoria em Recursos Humanos, acredita que um MBA sozinho não garante um futuro brilhante para ninguém:
O profissional tem de se tornar competitivo. Para isso, precisa desenvolver três competências fundamentais: a técnica, ou seja, ser capaz de desenvolver as atividades exigidas; a intelectual, mostrar que se mantém atualizado e em constante aperfeiçoamento; e a comportamental, que revela sua atitude, postura e ética no trabalho. Às vezes as pessoas são contratadas pela competência técnica ou intelectual, mas acabam demitidas por falta de competência comportamental. E quem já está fazendo um MBA, o que acha
Existe sim uma butique nessa área, eventualmente algumas discussões são muito superficiais, mas também vai do interesse do aluno em estudar, defende Samuel Antonio Vedam Araujo, que trabalha no HSBC e faz o MBA em Marketing na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Eles são formatados para ajudar o mercado, voltados para a prática e não para a pesquisa. Por isso algumas pessoas que buscam um conhecimento mais profundo podem ficar meio decepcionadas. Mas para mim, que resolvi fazer porque estava sentindo falta de um conhecimento específico em marketing, está valendo a pena.


