Escolha da melhor foto para o material de campanha, visita a bairros que precisam de ajuda, divulgação dos planos de governo dos candidatos. Os elementos que influenciam na escolha do eleitor são variados e as estratégias de campanha se apóiam cada vez mais em conhecimentos especializados.

Por esse motivo, candidatos a cargos eletivos e grandes líderes mantêm grupos de cientistas políticos para assessorá-los. “Os políticos têm buscado nos últimos anos uma assessoria especializada. Muitos nos procuram pedindo sugestão de alunos para trabalharem em suas campanhas eleitorais”, afirma a coordenadora do curso de bacharelado em Ciência Política da Faculdade Internacional de Curitiba (Facinter), Vanessa de Souza.

Emerson Marcelo Sloniak, 32 anos, atua em campanhas políticas desde os 12. Há pouco tempo, decidiu aprofundar seus conhecimentos na área, de forma não mais restrita à experiência prática, mas com o peso de uma graduação. Formado em 2006 pela Facinter, ele trabalhou este ano como assessor da campanha à reeleição de um vereador de Curitiba.

“Trabalhei em conjunto com uma equipe formada por um jornalista, um engenheiro, um administrador e um educador. Fazia visitas aos bairros para divulgar as ações já feitas pelo candidato e aquelas a serem realizadas. Também levava as demandas das comunidades ao vereador e decidia detalhes sobre o material de campanha. Saía de casa todos os dias às 8h15 e retornava às 23h30”, descreve. O candidato conseguiu a reeleição.

O papel do cientista político, entretanto, não se limita à organização de campanhas eleitorais. Esse profissional também pode auxiliar partidos, vereadores, deputados, prefeitos e presidente na definição e avaliação de políticas públicas; prestar consultoria a sindicatos e ONGs; montar questionários, coletar e analisar dados em institutos de pesquisa; trabalhar como professor; ou mesmo candidatar-se a um cargo eletivo.

Há ainda a possibilidade de prestar concurso para gestor governamental, formulando, implementando e avaliando as políticas públicas de diversas áreas do governo. “Além de ter trabalhado na campanha política desse vereador, sou seu assessor político na Câmara de Curitiba e presto consultoria para vereadores de Morretes, Piraquara e Santo Antônio do Sudoeste”, afirma Sloniak.

O curso de Ciência Política da Facinter mistura disciplinas de caráter abrangente, como Sociologia Clássica, Antropologia Política, Introdução ao Direito e Introdução à Economia, com outras bastante específicas, como Partidos Políticos Brasileiros e Planejamento de Campanha Eleitoral.

A graduação permite que o aluno compreenda melhor o funcionamento da vida social brasileira para que nela possa interferir. “Hoje consigo analisar criticamente o que leio nos jornais. Consigo fazer uma crítica construtiva da realidade, uma avaliação que fuja do senso comum”, diz Sloniak.

De acordo com Vanessa, os cientistas políticos costumam disputar espaço principalmente com os graduados em Ciências Sociais. Ela explica, porém, que o curso de Ciência Política é mais específico e mais direcionado para a atuação prática no mercado de trabalho. “O curso de Ciências Sociais tem uma formação mais abrangente, com disciplinas voltadas para três grandes áreas: Sociologia, Antropologia e Ciência Política. Além disso, essa graduação é mais direcionada para a formação de professores, enquanto no curso de Ciência Política estamos mais preocupados com o ensino de conhecimentos específicos para o mercado de trabalho”, diz.