Alguma vez você já encontrou dois cursos com nomes parecidos e ficou sem saber o que fazia cada um? Ou teve a impressão de que duas carreiras ensinam coisas muito parecidas? Para você não se confundir e acabar desperdiçando meses de estudo antes e depois do vestibular, vale a pena prestar atenção à ênfase particular de cada graduação.

Veterinária x Zootecnia

Alguns estudantes ainda confundem o zootecnista com o médico veterinário, já que ambos os profissionais lidam com animais, mas as duas profissões apresentam enfoques distintos. O médico veterinário pode trabalhar em três grandes áreas: prevenção e tratamento das doenças que afetam os animais, saúde pública (aplicando técnicas para o controle de zoonoses, desenvolvendo vacinas para a erradicação destas enfermidades, inspecionando as condições de higiene e conservação de alimentos de origem animal) e produção animal (trabalhando para aumentar a produtividade animal a partir da criação orientada de bovinos, suínos, aves, peixes etc.). Já o zootecnista atua principalmente no controle da reprodução, do aprimoramento genético e da nutrição de animais criados com fins comerciais.

“Tanto o veterinário quanto o zootecnista são capacitados para trabalhar com produção animal, ou seja, com a exploração econômica de animais. Mas a Veterinária é um curso mais amplo. O médico veterinário também pode trabalhar na área clínica e na fiscalização sanitária”, explica o coordenador do curso de Zootecnia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alex Maiorka.

Entre as funções do zootecnista estão formular dietas específicas para os rebanhos, acompanhar a produção de rações, realizar cruzamentos, desenvolver programas de inseminação artificial e definir a melhor época para o abate. As oportunidades de trabalho para este profissional estão concentradas em fábricas de rações e complementos alimentares, laboratórios, indústrias de abate, frigoríficos, fazendas e cooperativas de criadores. Na UFPR, tanto o curso de Zootecnia quanto o de Medicina Veterinária têm duração de cinco anos, com aulas em período integral.

Gestão da informação x Sistemas de Informação

Apesar de apresentarem nomes muito parecidos, os cursos de Gestão da Informação e de Sistemas de Informação são bem diferentes. Enquanto o gestor da informação coleta, seleciona, classifica e avalia os dados de uma empresa, o profissional de Sistemas de Informação torna esse material disponível aos usuários por meio de um programa de computador. “O graduado em Sistemas de Informação está capacitado a analisar e propor a automação de processos administrativos de instituições. Pode, por exemplo, criar softwares de controle dos estoques de uma empresa ou que informem as contas que ela tem a pagar”, exemplifica o coordenador do curso de Sistemas de Informação da Universidade Positivo (UP), Francisco Javier Kantek Garcia Navarro.

O currículo básico do curso de Sistemas de Informação é carregado de cálculos matemáticos. Entre as matérias específicas estão Programação, Sistemas Operacionais e Engenharia de Software. O curso de Gestão da Informação mescla disciplinas das áreas de administração, ciência da informação e informática. Entre as matérias estudadas estão Sociologia, Língua Portuguesa, Inglês, Princípios de Administração, Estatística e Informática Aplicada. “O gestor de informação trabalha com profissionais de informática e com administradores, por isso precisa compreender essas áreas”, explica a diretora do Departamento de Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Helena de Fátima Nunes Silva.

Eng. da Computação x Ciência da Computação

Para quem tem aptidão para trabalhar com computador e informática, o primeiro “bug” pode acontecer na escolha errada da graduação. O Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) oferece dois cursos que costumam confundir os alunos pela semelhança dos nomes: Engenharia da Computação e Bacharelado em Ciência da Computação.

O diretor do curso de Ciência da Computação, Vidal Martins, explica que este curso tem duração de quatro anos e capacita o estudante a desenvolver softwares (programas de computador) de baixa, média e alta complexidade. Já no curso de Engenharia, com duração de cinco anos, o aluno não apenas desenvolve softwares, como projeta e constrói hardwares (a estrutura física da máquina). A engenharia proporciona uma formação mais voltada para a eletrônica, com conhecimentos menos aprofundados em sistemas. “O desenvolvimento de softwares complexos, como jogos de computador, exige uma programação elaborada, que normalmente está ligada ao trabalho do cientista da computação”, afirma a coordenadora do curso de Engenharia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Myriam Ragattieri Delgado.

O estudante Felipe Paraizo Rodrigues Vieira, 24 anos, diz que a graduação em Engenharia apresenta maior carga horária em disciplinas como Matemática e Física. Ele cursou um ano e meio da graduação na PUCPR e por motivos financeiros pediu transferência para o curso de Ciência da Computação da mesma universidade. Em sua avaliação, não basta ser um usuário de computador ou saber navegar pela internet para se dar bem nesses cursos. “O aluno precisa gostar de cálculo”, alerta.

Educação Física x Esporte

O curso de Educação Física oferece duas modalidades de formação: licenciatura e bacharelado. O diploma de licenciatura permite que o profissional lecione nos ensinos infantil, fundamental e médio. O bacharel, por sua vez, organiza e executa programas de atividades físicas em academias de ginástica e clubes, realiza atendimentos individuais como personal trainer e auxilia na recuperação de pacientes internados em hospitais. Esse profissional também prepara crianças e adultos para as inúmeras modalidades esportivas, disputando vagas no mercado de trabalho com o graduado no curso de Esporte. “O profissional formado em Esporte trabalha em campos específicos do bacharelado em Educação Física. Sua atuação é focada na formação e no preparo físico de atletas e equipes para competições esportivas”, descreve o coordenador do curso de Educação Física da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Sérgio Roberto Molletta.

O bacharel em Esporte também pode trabalhar na área de marketing esportivo, buscando patrocinadores para um clube ou esportista e divulgando torneios. Outra possibilidade é administrar times em clubes e associações. “O graduado no curso de Esporte recebe formação mais sólida na área de gestão esportiva do que o profissional de Educação Física. Por outro lado, ele normalmente não é preparado para trabalhar em academias ou como personal trainer”, afirma Molletta.

Formado em 2004 no curso de Esporte da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Luiz Gustavo Nascimento Haas conta que optou pela graduação por sua especificidade. “Não tinha vontade de trabalhar em escolas, dando aulas de Educação Física. Quando fui tirar minhas dúvidas a respeito dos cursos, fui informado de que o bacharelado em Esporte não era voltado para essa área. O curso é direcionado para a área esportiva, desde a iniciação esportiva até o treinamento de alto rendimento”, explica ele, que conseguiu seu primeiro emprego como treinador de basquete. “Depois montei uma empresa de eventos esportivos em Londrina, mas fui obrigado a sair devido à aprovação em um mestrado em Gestão Desportiva em Portugal. Atualmente estou terminando minha dissertação, que pretendo apresentar no fim deste ano, e acabo de iniciar um trabalho na Federação Paranaense de Tênis”, diz.