Por: Michele Loureiro - Do Diário do Grande ABC
Carreira que exige o maior número de anos de estudo, dedicação
integral, reciclagens constantes e muitas noites em claro. Mesmo assim,
a profissão de médico é a mais almejada por jovens em época de
vestibular. Segundo a Fuvest (Fundação Universitária para o
Vestibular), medicina é o curso com maior número de inscritos há nove
anos.
"É preciso ficar atento, pois a profissão exige muito e quem não
tem vocação não demora muito para perceber que fez a escolha errada",
explica a coordenadora do curso de medicina da Faculdade de Medicina do
ABC, Lígia de Fátima Nóbrega Reato.
Com 39 anos de existência, a
Faculdade de Medicina do ABC já formou mais de 3.300 médicos. "Todo ano
ingressamos cerca de 120 profissionais no mercado. Uma pesquisa
realizada com ex-alunos mostrou que 80% deles trabalham em uma das sete
cidades da região", orgulha-se Lígia. Desvalorização - Segundo a
coordenadora, o perfil dos médicos mudou nos últimos anos.
"Até pouco
tempo as especialidades mais escolhidas eram pediatria e ginecologia. Agora eles preferem especialidades que possibilitem a realização de
procedimentos", explica. Isto porque com os procedimentos é possível
ganhar mais. "Na maioria das vezes os médicos não ganham o que merecem,
por isso alguns profissionais migram para cirurgia plástica e
dermatologia, vertentes que pagam melhor", complementa Lígia.
Para a
coordenadora os profissionais da área da saúde não são valorizados
adequadamente. "Muitas vezes um convênio médico paga por uma consulta o
mesmo que uma manicure, que um encanador. A diferença, não
menosprezando a importância desta profissões é que eles não fizeram
faculdade", explica. Mesmo assim, o amor pela carreira fala mais alto.
Há 31 anos Lígia atua como médica e diz que a satisfação de colaborar
para a melhoria da qualidade de vida das pessoas não tem preço. "A
gratificação compensa a defasagem salarial", conta. Dedicação - Laura
Monte, 21, faz cursinho pré-vestibular há três anos para tentar
ingressar no curso de medicina. "Já me disseram para desistir, que isso
é perda de tempo. Mas eu sinto que serei profissionalmente realizada e
leve o tempo que for vou conseguir entrar e concluir a faculdade",
conta.
Ano passado a jovem foi aprovada, porém em uma universidade
particular. "Infelizmente não tenho como pagar mais de R$ 2mil por mês.
Preciso de uma universidade pública", explica. Carreira exige dedicação
integral dos profissionais Dados do Conselho Federal de Medicina dizem
que o Brasil tem cerca de 300 mil médicos.
O número mostra que o País
tem, em média, um médico para cada 633 habitantes. Apesar de o número
parecer insuficiente, o problema nem sempre é a quantidade de
profissionais, e sim, a qualidade nos atendimentos.
Por isso, médicos
como o pediatra José Vicente Prandini merecem destaque. "A atenção com
que ele trata os pacientes e a certeza que passa dando o diagnóstico
fazem toda a diferença. Além de médico, ele passa a ser amigo da
família", conta a professora Luana da Penha Custódio, que sempre levou
seus dois filhos para serem consultados por ele. "Mesmo quando minha
filha já tinha 15 anos eu só me sentia segura com a palavra dele",
conta. Tímido, o pediatra, que atende em um consultório na região
central de Diadema, conta que o trabalho ocupa todo seu tempo. "Minha
mulher trabalha comigo, caso contrário quase nunca nos veríamos.
É
muito bom saber que posso ajudar de alguma forma", conta o pediatra.
Reconhecimento - Famoso na cidade, a agenda do médico é concorrida.
"Sempre consigo atender todo mundo, afinal, quando se faz as coisas com
amor, o tempo rende mais e o dia passa a ter mais horas", brinca.