PRONOME RELATIVO PRECEDIDO DE PREPOSIÇÃO

Esse módulo trata do uso do pronome relativo QUE. Em certos casos ele deve ser acompanhado da preposição EM , como no caso da letra da música “GOSTAVA TANTO DE VOCÊ” (Edson Trindade). Tim Maia canta:

“...Pensei até em me mudar, lugar qualquer que não exista o pensamento em você ...”.

Leila Pinheiro corrige e canta:

“... lugar qualquer em que não exista o pensamento em você ...” Leila Pinheiro tem razão. Afinal,, se esse pensamento existe em algum lugar, o correto seria dizer “lugar qualquer em que não exista o pensamento em você”. Trata-se do emprego da preposição com o pronome relativo “que”.

Na linguagem do dia-a-dia essa preposição desaparece. É comum as pessoas dizerem “A empresa que eu trabalho”. Se eu trabalho em algum lugar, deverei dizer “A empresa em que trabalho”.

PRONOME RELATIVO E REGÊNCIA

Há pouco tempo foi exibido na televisão um anúncio cujo texto dizia: “... a marca que o mundo confia.”

Acontece que, “quem confia, confia em”. Logo, o correto seria dizer: “... a marca em que o mundo confia.”

As pessoas falam “A rua que eu moro”, “Os países que eu fui”, “A comida que eu mais gosto”. O correto seria dizer “A rua em que moro”, “Os países a que fui”, “A comida de que mais gosto”.

O problema também está presente em uma letra da dupla Roberto e Erasmo Carlos, “Emoções”.

“... são tantas já vividas são momentos que eu não me esqueci...”

Se eu me esqueci, eu me esqueci de Quem esquece, esquece algo Quem se esquece, esquece-se de algo Logo, o correto seria “são momentos de que não me esqueci.”

Pode-se, também, eliminar a preposição de e o pronome me. Ficaria “são momentos que eu não esqueci”

Em um jornal de grande circulação o texto de uma campanha afirmava: “A gente nunca esquece do aniversário de um amigo..”

O correto seria: “A gente nunca esquece o aniversário de um amigo” ou “A gente nunca se esquece do aniversário de um amigo.”

Vale o mesmo esquema para o verbo lembrar.

Quem lembra, lembra algo Quem se lembra, lembra-se de algo Ex: Eu não lembro o seu nome.

Eu não me lembro do seu nome.

Como você pode notar, esses erros de regência são muito comuns. É necessário redobrar a atenção para não cometê-los mais. 


REGÊNCIA VERBAL I

Regência é a relação que se verifica entre as palavras. Por exemplo: quem gosta, gosta de alguma coisa. Assim, o verbo “gostar” rege a preposição “de”. Existe, entre o verbo e a preposição, um mecanismo, uma relação.

A regência se ocupa de estudar essa relação entre as palavras. Na língua falada, no entanto, regência é algo que se aprende intuitivamente. Ninguém precisou ensinar para nós que quem gosta, gosta de alguém. Ou que quem concorda, concorda com alguma coisa. Ou que quem confia, confia em algo. E assim por diante.

A língua culta, por seu lado, tem suas regras de regência, que levam em conta o significado do verbo. Um verbo com mais de um sentido, por exemplo, pode ter duas regências diferentes. Vamos ver o que acontece na canção “O Nome Dela”, gravada pelo goleiro Ronaldo & Os Impedidos:

“Eu não lembro

nem do lugar

ela me diz

que eu paguei o jantar

ela me diz

que eu prometi o mundo

eu não me lembro de nenhum segundo...”

As gramáticas dizem que quem lembra, lembra alguma coisa. E que quem se lembra, lembra-se de alguma coisa.

Quem lembra, lembra algo. Quem se lembra, lembra-se de algo.

Será que essa regra na língua efetiva vale sempre? Vamos ver o que acontece na canção “Lembra de Mim”, cantada por Ivan Lins. A letra é de Vítor Martins:

“Lembra de mim

dos beijos que escrevi

nos muros a giz

Os mais bonitos continuam opor lá

documentando que alguém foi feliz

Lembra de mim

nós dois nas ruas

provocando os casais...”

De acordo com a gramática normativa, o título da canção e a letra estariam errados. Deveria ser “Lembra-se de mim...”

Acontece que no dia-a-dia as pessoas não falam assim, com todo esse rigor, com essa consciência do sistema de regência.

Dessa forma, nós podemos dizer “lembra de mim”, sem problema. A língua falada permite essas licenças, e a poesia musical também, já que não deixa de ser um tipo de língua oral. Mas na hora de escrever, de adotar outro padrão, é conveniente obedecermos àquilo que está nos livros de regência. No texto formal, lembra-se de mim é o exigível, é o correto.

REGÊNCIA VERBAL II

Regência, em gramática, é o conjunto de relações que existem entre as palavras. Por exemplo: quem gosta, gosta de alguém.

O verbo “gostar” rege a preposição “de”. Nós aprendemos a regência naturalmente, no dia-a-dia. Só que a gramática, muitas vezes, estabelece formas diferentes das que utilizamos na linguagem cotidiana. Costumamos, por exemplo, dizer que chegamos em algum lugar, quando a norma culta indica que chegamos a algum lugar.

INCORRETO: “A caravana chegou hoje em Brasília.”

CORRETO: “A caravana chegou hoje a Brasília.”

Da mesma forma, o correto é dizer “chegou a Manaus”, “chegou ao Brasil”.

Outro exemplo é o verbo “esquecer”. Vamos ver o trecho da canção “As Canções que você Fez pra mim”, de Roberto e Erasmo Carlos:

“... Esqueceu de tanta coisa

que um dia me falou,

tanta coisa que somente

entre nós dois ficou...”

É muito comum que se fale “esqueceu de tanta coisa”, mas quem esquece, esquece algo. Quem se esquece, esquece-se de algo. Portanto, as formas corretas são:

“Esqueceu tanta coisa.”

“Esqueceu-se de tanta coisa.”

A mesma coisa vale para o verbo “lembrar”. Vamos ver um trecho da canção “Tempo Perdido”, gravada por Paulo Ricardo:

“...Temos todo o tempo do mundo.

Todos os dias, antes de dormir,

lembro e esqueço como foi o dia,

sempre em frente, não temos tempo a perder...”

O uso está correto. Poderia ser também “Lembro-me e esqueço-me de como foi...”

Quem lembra, lembra algo.

Quem se lembra, lembra-se de algo.


 COLOCAÇÃO PRONOMINAL I

Discute-se na letra da música - “ EU SEI QUE VOU TE AMAR “( Tom Jobim e Vivícius de Moraes ) a melhor colocação do promome TE no trecho:

“Eu sei que vou te amar

Por toda minha vida eu vou te amar ...”

O correto seria que o pronome viesse após a conjunção integrante que, já que esta conjunção é palavra atrativa. Ficaria : Eu

sei que te vou amar.

A outra forma é colocar o pronome TE após o verbo . Ficaria : Eu sei que vou amar-te .

No entanto, o professor Pasquale acha que ficaria estranho Tom Jobim e Vinícius cantarem:

“Eu sei que te vou amar

Por toda a minha vida

Eu sei que vou amar-te ...”

Na colocação do pronome muitas vezes vale a eufonia apesar de a eufonia apesar de a norma culta nem sempre abonar essas formas.


COLOCAÇÃO PRONOMINAL II

Este assunto foi tratado mais de uma vez no programa: a colocação dos pronomes oblíquos átonos em relação aos verbos.

Pronomes oblíquos átonos:

ME - TE - SE - LHE - LHES - O - A - OS - AS - NOS - VOS

Aqui no Brasil, muitas vezes o professor diz ao aluno: “Não é possível começar a frase com o pronome me”. E, se o aluno escreve na redação: “Me disseram que...”, leva uma bronca do professor, que não explica ao aluno de onde vem essa história.

O que acontece é que a língua portuguesa “oficial”, isto é, o português de Portugal, não aceita o pronome no início da frase.

Eles falam “Disseram-me...”. O problema é que essa colocação pronominal não tem nada a ver com a nossa maneira de falar, a nossa sonoridade. Nós temos a nossa maneira de usar o pronome, e não há por que lutar contra isso. É como na canção “Vento Ventania”, do grupo Biquíni Cavadão:

“Vento, ventania, me leve para as bordas do céu, pois vou puxar as barbas de Deus.

Vento, ventania,

me leve pra onde nasce a chuva,

pra lá de onde o vento faz a curva,

me deixe cavalgar nos seus desatinos, nas revoadas, redemoinhos...”

O mesmo grupo tem outra canção que também é um bom exemplo da nossa maneira de colocar os pronomes na frase. A canção é “Timidez”.

“Toda vez que te olho, crio um romance.

Te persigo mudo todos os instantes.

Falo pouco, pois não sou de dar indiretas.

Me arrependo do que digo em frases incertas...”

Em português de Portugal isso não poderia ser assim. Precisaria ser “Leve-me”, “Deixe-me”, “Persigo-te”, “Arrependo-me” e assim por diante.

É importante lembrar que a nossa forma de usar os pronomes, no começo da frase, está oficialmente errada. No cotidiano, com os amigos, na vida diária, podemos falar à nossa maneira. Mas numa prova de português, num vestibular, num concurso, devemos escrever o pronome sempre depois do verbo. Console-se, são coisas da nossa língua portuguesa...

Por: Enaol.com Pesquisas Educacionais