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Ponty e o resgate da subjetividade
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Nota:




O livro Conversas reúne uma série de conferências escritas pelo
filósofo francês Maurice Merleau-Ponty e transmitidas em 1948 pela rede
Programa Nacional de Radiodifusão Francesa (RDF).
A obra é dividida em sete capítulos, mas apenas os três primeiros (O mundo percebido e o mundo da ciência; Exploração do mundo percebido: o espaço; Exploração do mundo percebido: as coisas sensíveis) serão cobrados na segunda fase do vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Uma das grandes influências que teve Merleau-Ponty ao escrever essas palestras foi a filosofia de seu grande amigo Jean-Paul Sartre, que desenvolveu uma profunda reflexão seguindo a linha do existencialismo (corrente caracterizada pela inclusão da realidade concreta do indivíduo, de sua subjetividade, no centro da especulação filosófica)”, explica o professor Ricardo Luiz de Melo, que leciona Filosofia no Curso Positivo.
Descontente
com os rumos tomados por uma sociedade fortemente influenciada por
doutrinas racionalistas, que não impediram os horrores da Segunda
Guerra Mundial, Merleau-Ponty propõe a valorização do fenômeno
perceptivo, de nosso contato espontâneo com o mundo por meio dos
sentidos, do corpo, processo que não aceita a separação entre o
subjetivo e o objetivo. “O cientificismo e a lógica cartesiana levaram
o mundo ocidental a uma visão excessivamente racionalista, em
detrimento de todo o aspecto sensível.
Aquilo que eu sinto, vejo e
percebo não tem o menor valor para a ciência; a única coisa que importa
são as coisas inteligíveis, porque elas, segundo Descartes, é que
mostram a verdade. A Segunda Guerra Mundial, entretanto, foi toda
racionalmente construída e inteligentemente organizada. Ou seja, a
razão não trouxe grandes benefícios; pelo contrário, trouxe uma Europa
devastada, o que fortaleceu a busca por uma nova forma de se encarar a
realidade, levando em conta a valorização da experiência pessoal”,
afirma o professor.
Ricardo explica que Merleau-Ponty questiona a supremacia da razão instrumental e o método rigoroso proposto por Descartes para se chegar a conhecimentos universalmente aceitos. “O que se descobriu, segundo Ponty, é que a ciência não mostra a verdade das coisas em si mesmas; a ciência apresenta apenas modelos teóricos provisórios que tentam explicar a realidade. Essas ‘verdades’ que a ciência apresenta duram enquanto não surgirem outros modelos teóricos melhores”, esclarece. Para o autor de Conversas, acrescenta Ricardo, o próprio desenvolvimento da ciência indica que ela não é capaz de oferecer verdades imutáveis. Como exemplo, o filósofo cita os diferentes conceitos formulados pelos físicos para explicar o que é a luz, que já foi definida como um bombardeio de partículas incandescentes, uma vibração do éter, e, na teoria aceita atualmente, é explicada como um fenômeno de ondas eletromagnéticas.
Ricardo lembra que, no capítulo II, Ponty utiliza a pintura de Paul Cézanne como metáfora para demonstrar os princípios de sua filosofia, pois esse artista busca representar o mundo da forma como ele é captado por nossos olhos, deixando de lado todas as precauções da arte clássica, como as leis da perspectiva, e introduzindo em suas obras distorções formais e alterações do ponto de visão. “A arte, até então, estava muito presa aos padrões da ciência clássica”, diz.
O professor ressalta, porém, que em momento nenhum Ponty deseja negar o valor do conhecimento científico, que, de acordo com o filósofo, é fundamental para o desenvolvimento técnico. ”O autor apenas demonstra as limitações da ciência, sua incapacidade de alcançar o núcleo real das coisas, e mostra como nós desvalorizamos as nossas percepções, os nossos sentimentos, a nossa visão de mundo”, afirma Ricardo, para quem a sociedade contemporânea é a prova cabal de que Merleau-Ponty estava certo. “Somos uma sociedade extremamente racional e muito pouco sensível às questões subjetivas. Percebemos isso até mesmo nos sistemas escolares; praticamente tudo o que se estuda hoje é ciência, pouco se aprende sobre dança, teatro, música, pintura, psicologia, antropologia e filosofia”, diz.4 Comentários:
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Feb 08, 2009
Nota:
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MARIA VALENTINA SENA E SILVA disse:
P.f. leiam otrabalho do P
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Feb 08, 2009
Nota:
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MARIA VALENTINA SENA E SILVA disse:
Hitler não estava preocu
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Dec 08, 2008
Nota:
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Mateus Landoski disse:
Muito bom o texto, claro,
. Quanto ao amigo Pedro |
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Dec 01, 2008
Nota:
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Pedro Morales disse:
iluminou minha mente sobr
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