Matemática, português, geografia, história. A cada ano, essas disciplinas ganham novas companhias. Filosofia, sociologia, artes, estudo da história afro-brasileira e indígena passaram a integrar também o currículo escolar obrigatório elaborado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

Mais matérias para estudar sim, porém, mais conhecimento. E além de todas essas novidades, os colégios têm oferecido, fora do horário das aulas, atividades extracurriculares. Viagens, coral, teatro, aulas de cálculos, esportes, lutas marciais. Tudo isso já faz parte da grade (não obrigatória) de várias escolas.

A coordenadora pedagógica geral de um colégio de Taguatinga, Andréia Bessa, diz que oferecer essas atividades extras como as culturais e as esportivas incentivam a parte cognitiva e a de sociabilidade do aluno e que ele acaba conhecendo mais o outro e aprendendo a respeitá-lo. "Hoje, a escola não pode ficar presa à informação de nível. Os alunos querem uma escola viva. Na hora da escolha de qual colégio estudar, o pai deve optar por um que desenvolva as habilidades do seus filho, pois uma escola tem que ter educação, conhecimento, mas, sobretudo, tem que preparar para a vida.

Quem não oferecer isso está fora do mercado", setencia. Andréia acrescenta que, com essas atividades, os alunos vivenciam de uma outra maneira as matérias e vêem na prática o que aprendem em sala de aula. "No caso das viagens, por exemplo, como para as cidades históricas ou para a praia, eles aprendem aspectos de história, geografia, biologia. É um trabalho multidisciplinar que complementa o estudo", ressalta.

Talentos Em muitos casos, os alunos acabam desenvolvendo habilidades que nem conheciam, como atesta a coordenadora do Ensino Médio de um grande colégio da Asa Sul Marli Pinheiro. "Além de desenvolver a capacidade crítica e a criatividade, eles descobrem talentos que nem imaginavam ter como no caso das atividades ligadas à música e ao teatro.

É mais uma oportunidade que a escola oferece de trabalhar e valorizar essas habilidades", conta Marli. Andréia Bessa lembra também que os alunos mais engajados nessas atividades são os mais disciplinados, e que é possível até perceber mudanças de comportamento positivas em alguns deles. "Eles passam a ficar mais organizados, comprometidos e concentrados", reitera.

Foi o que aconteceu com o estudante Lui Txai, de 16 anos, que integra o coral juvenil da escola em que estuda. Ele acredita que a música o ajudou a falar em público e o possibilitou estar mais concentrado nos estudos, além, é claro, de desenvolver um talento. "O coral me incentivou a estudar música e hoje estou tendo aulas de piano. Além do mais, tenho mais
disciplina e concentração.

Não tem como não gostar", revela Lui. Para Paula Cristine Santos Souza, 16 anos, que além de fazer parte da orquestra de violinos, tem aulas de karatê no colégio, as atividades extracurriculares são uma boa pedida não só para os alunos, como para os pais, pois, além de serem gratuitas (na maioria dos casos), elas são uma maneira de deixar os filhos em um lugar seguro e ainda obtendo conhecimento de uma forma mais lúdica e interessante. "Quando a escola oferece esse tipo de atividade, incentiva os alunos a desenvolverem um talento. E não atrapalha o nosso desempenho escolar. Além do mais, é uma segurança para os pais.

Em vez de ficar em casa vendo TV, a gente faz coisas bem mais interessantes", opina. O professor de teatro de um grande colégio de Taguatinga Émerson Gerin diz que ao longo dos anos em que ministra essas aulas extras, até descobriu alguns talentos e que a socialização entre os colegas é o principal ganho. "Eles ficam mais comunicativos, desenvolvem a criatividade. Isso ajuda até dentro da sala de aula, na hora de fazer amigos, apresentar um trabalho na frente dos colegas, falar em público", destaca.