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Alunos não medem esforço para passar no vestibular
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- Publicado 2/07/2009
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Nas salas Dandara Zumbi
e Florestan Fernandes, do cursinho alternativo Hebert de Souza, na Vila
União, a estudante Veridiana Alves Silva, de 17 anos, se prepara para
realização de um sonho: entrar em uma universidade pública.
Ela, que vem da escola pública, ainda nem terminou o Ensino Médio — cursa atualmente o 2º ano na Escola Estadual Sebastião Nogueira Ramos, no bairro São Bernardo —, mas estuda constantemente há quase dois anos para conquistar uma vaga no curso superior de história. “A gente, que estuda em escola pública, precisa se virar para complementar os estudos e conseguir entrar numa universidade gratuita. Só com o Ensino Médio normal não dá”, disse Veridiana, que irá prestar vestibular na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como treineira pelo segundo ano consecutivo. “Já vi que a prova é puxada, principalmente as questões de matemática”, acrescentou.
Assim como ela, outros inúmeros estudantes de escolas estaduais e municipais se esforçam para encarar o vestibular concorrido da maioria das universidades públicas do País. Apesar de alguns cursos terem até 78 candidatos disputando uma única vaga, o ingresso desses estudantes não é impossível, mas é preciso muita dedicação para conquistar o feito.
“A própria escola estadual, muitas vezes, forma o estudante para o mercado de trabalho, para ser mais uma mão-de-obra e não incentiva que o aluno continue os estudos, ingresse numa universidade e faça uma especialização”, disse o estudante Thiago Gonçalves, de 21 anos, que também estudou a vida inteira em escola estadual e tentará uma vaga no curso de ciências sociais da Unicamp.
A última em que o jovem estudou foi a E.E. Prefeito Antonio da Costa Santos, no Jardim Planalto, e, segundo ele, os professores não passavam nenhum conteúdo de vestibular para os estudantes do Ensino Médio. “Essa é uma das escolas clássicas que não está interessada em preparar um estudante para ingressar numa faculdade. Acho que até mesmo porque não faz parte da cultura das pessoas que moram naquela região”, afirmou.
O estudante diz que decidiu disputar uma vaga no curso de ciências sociais numa universidade pública, principalmente, para tentar quebrar esses estereótipos. “Quem foi que disse que jovens da periferia não conseguem entrar numa universidade pública?”,
questionou Thiago.
Estudar
A dica dos dois jovens para quem quer ingressar numa universidade pública é clássica: estudar, estudar e estudar. Não há outra alternativa. A prova costuma ser mais puxada, a concorrência é grande, mas as chances podem ser as mesmas se a dica for seguida à risca.
Foi o que fez o estudante do primeiro ano do curso de ciências sociais da Unicamp Fernando Xavier Silva, de 22 anos. Sem incentivo e sem cobranças na E.E. Eduardo Barnabé, no Parque D. Pedro 2, onde cursou o Ensino Médio, Silva conquistou praticamente sozinho a vaga na tão sonhada universidade. “Quem mora na periferia não costuma ter estímulo para entrar na faculdade. Se alguém consegue, é pura sorte porque, se for esperar pelo professor, você nunca vai fazer um curso superior”, disse o estudante, que está conseguindo acompanhar normalmente as aulas.
O sonho foi realizado graças à força de vontade e à presença dele num cursinho alternativo com mensalidades que cabiam no seu bolso. “Meu intuito agora é virar professor da rede estadual e tentar melhorar pelo menos um pouquinho o ensino público do País”, acrescentou.
USP e Unicamp oferecem programas de incentivo
Além do esforço de cada um e da dedicação absoluta aos estudos, os jovens estudantes de escola pública ainda contam com alguns incentivos oferecidos pelas próprias instituições de ensino. Na Unicamp, o Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais), criado desde 2004, não determina cotas, mas consiste no acréscimo de 30 pontos à nota final do vestibulando caso ele tenha feito todo o Ensino Médio na escola pública. Os candidatos que se audodeclararem negros, pardos ou indígenas ganham mais outros dez pontos.
Desde que o Paais foi implantado, o número de ingressantes que cursaram a escola pública se mantém em torno de 30%. A Universidade de São Paulo (USP) também oferece um programa similar, chamado Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp), desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e que será aplicado pela primeira vez no vestibular 2009.
O candidato será submetido a uma prova, aplicada pela própria Fuvest, e, dependendo do desempenho nessa avaliação, o estudante pode conseguir até 3% de bônus na nota final do vestibular. Mais informações sobre os dois programas podem ser obtidos pelos sites www.comvest.unicamp.br/ e www.usp.br/inclusp/pasusp/. (JF/AAN)
Ela, que vem da escola pública, ainda nem terminou o Ensino Médio — cursa atualmente o 2º ano na Escola Estadual Sebastião Nogueira Ramos, no bairro São Bernardo —, mas estuda constantemente há quase dois anos para conquistar uma vaga no curso superior de história. “A gente, que estuda em escola pública, precisa se virar para complementar os estudos e conseguir entrar numa universidade gratuita. Só com o Ensino Médio normal não dá”, disse Veridiana, que irá prestar vestibular na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como treineira pelo segundo ano consecutivo. “Já vi que a prova é puxada, principalmente as questões de matemática”, acrescentou.
Assim como ela, outros inúmeros estudantes de escolas estaduais e municipais se esforçam para encarar o vestibular concorrido da maioria das universidades públicas do País. Apesar de alguns cursos terem até 78 candidatos disputando uma única vaga, o ingresso desses estudantes não é impossível, mas é preciso muita dedicação para conquistar o feito.
“A própria escola estadual, muitas vezes, forma o estudante para o mercado de trabalho, para ser mais uma mão-de-obra e não incentiva que o aluno continue os estudos, ingresse numa universidade e faça uma especialização”, disse o estudante Thiago Gonçalves, de 21 anos, que também estudou a vida inteira em escola estadual e tentará uma vaga no curso de ciências sociais da Unicamp.
A última em que o jovem estudou foi a E.E. Prefeito Antonio da Costa Santos, no Jardim Planalto, e, segundo ele, os professores não passavam nenhum conteúdo de vestibular para os estudantes do Ensino Médio. “Essa é uma das escolas clássicas que não está interessada em preparar um estudante para ingressar numa faculdade. Acho que até mesmo porque não faz parte da cultura das pessoas que moram naquela região”, afirmou.
O estudante diz que decidiu disputar uma vaga no curso de ciências sociais numa universidade pública, principalmente, para tentar quebrar esses estereótipos. “Quem foi que disse que jovens da periferia não conseguem entrar numa universidade pública?”,
Estudar
A dica dos dois jovens para quem quer ingressar numa universidade pública é clássica: estudar, estudar e estudar. Não há outra alternativa. A prova costuma ser mais puxada, a concorrência é grande, mas as chances podem ser as mesmas se a dica for seguida à risca.
Foi o que fez o estudante do primeiro ano do curso de ciências sociais da Unicamp Fernando Xavier Silva, de 22 anos. Sem incentivo e sem cobranças na E.E. Eduardo Barnabé, no Parque D. Pedro 2, onde cursou o Ensino Médio, Silva conquistou praticamente sozinho a vaga na tão sonhada universidade. “Quem mora na periferia não costuma ter estímulo para entrar na faculdade. Se alguém consegue, é pura sorte porque, se for esperar pelo professor, você nunca vai fazer um curso superior”, disse o estudante, que está conseguindo acompanhar normalmente as aulas.
O sonho foi realizado graças à força de vontade e à presença dele num cursinho alternativo com mensalidades que cabiam no seu bolso. “Meu intuito agora é virar professor da rede estadual e tentar melhorar pelo menos um pouquinho o ensino público do País”, acrescentou.
USP e Unicamp oferecem programas de incentivo
Além do esforço de cada um e da dedicação absoluta aos estudos, os jovens estudantes de escola pública ainda contam com alguns incentivos oferecidos pelas próprias instituições de ensino. Na Unicamp, o Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais), criado desde 2004, não determina cotas, mas consiste no acréscimo de 30 pontos à nota final do vestibulando caso ele tenha feito todo o Ensino Médio na escola pública. Os candidatos que se audodeclararem negros, pardos ou indígenas ganham mais outros dez pontos.
Desde que o Paais foi implantado, o número de ingressantes que cursaram a escola pública se mantém em torno de 30%. A Universidade de São Paulo (USP) também oferece um programa similar, chamado Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp), desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e que será aplicado pela primeira vez no vestibular 2009.
O candidato será submetido a uma prova, aplicada pela própria Fuvest, e, dependendo do desempenho nessa avaliação, o estudante pode conseguir até 3% de bônus na nota final do vestibular. Mais informações sobre os dois programas podem ser obtidos pelos sites www.comvest.unicamp.br/ e www.usp.br/inclusp/pasusp/. (JF/AAN)


