Dislexia: é uma dificuldade na leitura e na escrita de origem hereditária, que atinge 15% da população mundial. Alguns dos sinais são a dificuldade de relacionar o som à palavra ou letra e confundir direita e esquerda. O tratamento, com fonoaudiólogo, pode variar de um a cinco anos. Na sala de aula, é importante que a criança fique em um lugar em que possa ouvir bem e que tenha a oportunidade de fazer provas orais.

Discalculia: disfunção cerebral semelhante à dislexia, que afeta a capacidade de efetuar operações simples e classificar números. Pode ser contornada com uma metodologia de ensino mais lúdica.

Hiperatividade: Atinge 5% das crianças em todo o mundo, embora seja muito confundida com a simples indisciplina. Caracteriza-se pela dificuldade de ficar parado e de se concentrar numa atividade. Pode ser tratada com medicação, terapia e reorientação pedagógica.

Déficit de atenção: síndrome neurológica que provoca distração, baixa capacidade de concentração, de tolerar frustrações e impulsividade. Costuma aparecer associada à hiperatividade.

O primeiro semestre letivo acabou e (mais) um boletim com notícias pouco agradáveis aterrissa nas suas mãos. Para a maioria dos pais, é como se aquela nota vermelha não se dirigisse apenas ao garotinho aparentemente pouco esforçado, mas à própria família. A reação costuma ser imediata: sermão, chantagem, castigo, além de reforços e mais reforços com professor particular. Quem está acostumado à luta para fazer o filho pegar nos livros sabe que a eficácia desse método é duvidosa. “Tudo isso equivale a combater uma febre sem tratar a origem da infecção”, afirma a psicóloga e psicopedagoga paulista Nadia Bossa, autora do livro Fracasso Escolar: Um Olhar Psicopedagógico (Artmed). Mais do que um problema em si, as dificuldades na escola são, sempre, sintoma de que algo não vai bem, reflexo de outra situação. Mesmo que pareça preguiça ou distração da criança. Ainda que ela diga que não está nem aí.

“Ninguém gosta de se sentir incapaz”, explica Nadia. “Muitas vezes, o ar de desinteresse nada mais é do que uma estratégia inconsciente da criança para esconder o sofrimento com as notas baixas”, diz a psicopedagoga. Há dez anos, Nadia faz um levantamento com seus pequenos pacientes pedindo que representem num desenho o que é ter dificuldade na escola. “Para todos, a imagem é a de um pesadelo”, revela.

O.k., sabemos então que há uma causa oculta. Mas qual é ela, afinal? Essa foi a pergunta que a relações-públicas Dulce Bellato, de São Paulo, se fez por um bom tempo até compreender
o motivo pelo qual o filho, Augusto, hoje com 12 anos, se recusava a ir às aulas tão logo iniciou o processo de alfabetização. Foram infindáveis conversas com a coordenação da escola e consultas com psicólogos, sem sucesso. “Na época, nunca tinha ouvido falar que existiam transtornos de aprendizado”, conta Dulce. “Só depois que encontrei uma clínica especializada veio a suspeita de dislexia, mais tarde confirmada por diagnóstico médico.” A dislexia é um distúrbio da linguagem caracterizado pela dificuldade de decodificar palavras simples e de aprender a ler, apesar de a criança ter inteligência normal. Um dos sinais mais comuns é a inversão de letras ou a troca de fonemas parecidos, como q por p ou f por v.

Não há cura, mas é possível, com tratamento, contornar a situação e fazer com que a criança tenha uma vida acadêmica normal, como ocorreu com Augusto. Hoje, ele é um aluno com notas acima da média. “Ser disléxico não me atrapalha mais, não”, comemora o garoto. “Sei que tem um monte de gente importante que também é, como o presidente americano George Bush.”