Fabiano Ormaneze
Carteira vazia e muitas contas na calculadora. Para quem está na
corrida do vestibular, essas são as imagens que melhor resumem o estado
em que ficam os bolsos depois de tantas provas, viagens, alimentação e
hospedagem em busca de uma vaga nas universidades.
Que o diga a
vestibulanda Cristiane Gottschall, que pretende cursar medicina e vai
prestar, pelo menos, seis vestibulares. Colocando os gastos no papel,
gastará cerca de R$ 750,00. Como para complementar o Ensino Médio ela
faz cursinho, a esse valor, até o final do ano, serão acrescentados R$
350,00. “É muito caro. Algumas faculdades, inclusive, cobram mais pelas
inscrições nos cursos de medicina”, conta.
O gasto de Cristiane só não será maior porque somente uma das provas
precisará ser feita fora de Campinas, onde ela mora. “Isso ajudou
porque, pelo menos, não terei gastos extras com viagens e lugares para
ficar”, observa. Colega dela no Colégio Liceu Salesiano Nossa Senhora
Auxiliadora, Paula Magalhães participará de três processos seletivos
para o curso de economia e acredita que gastará, pelo menos, R$ 400,00.
Como, além do Ensino Médio, ela também faz cursinho, os gastos com
educação tiveram um acréscimo de R$ 200,00 neste segundo semestre. Para
que esses custos não pesassem no orçamento, Paula conta que os pais,
desde o ano passado, planejam os gastos. “Optei por universidades que
tinham prova em Campinas, pois ficaria muito caro se eu tivesse que ir
a outros lugares para prestar vestibular”, afirma.
Planejamento
Para evitar gastos desnecessários, Cristiane ficou atenta para o
calendário dos vestibulares. “Pensei em prestar a Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), mas a prova é no mesmo dia da Fuvest (vestibular para a Universidade de São Paulo).”
O vestibulando Tiago Ferreira Sabionei também economizou e, junto com
os pais, guardou cerca de R$ 500,00 para prestar quatro vestibulares
para engenharia mecânica e para engenharia de produção. “Fiz as contas,
gastei menos e não me preocupei muito com os gastos com as provas, pois
o vestibular é uma decisão sobre o meu futuro”, explica. O cursinho,
que completa o Ensino Médio, tira da conta bancária da família do
adolescente outros R$ 200,00 mensais. “Desde o início das inscrições
para o vestibular, eu e minha família estamos nos preparando para os
gastos.”
Candidatos de baixa renda têm isenção nas públicas
As taxas de inscrição nas grandes universidades são, em média, de R$
100,00. Este é, por exemplo, o valor que o vestibulando precisa
desembolsar para disputar uma vaga na Universidade Estadual de São
Paulo (Unesp), que abriu ontem as inscrições para seu processo
seletivo. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na
Universidade de São Paulo (USP), os valores são um pouco mais altos: R$
105,00 e R$ 109,00. No preço das inscrições, estão inclusos os manuais
do candidato, que são oferecidos em versão impressa ou podem ser
baixados pela internet.
As universidades públicas oferecem programas de isenção na taxa do
vestibular para alunos comprovadamente carentes. No caso da Fuvest, por
exemplo, puderam recorrer a esse benefício vestibulandos com renda
familiar inferior a R$ 496,00. As inscrições para a isenção ocorreram
no final do primeiro semestre e as listas dos beneficiados foram
divulgadas pouco antes do início das inscrições de cada vestibular. Nas
particulares, as taxas pesam menos no orçamento. Só para citar alguns
exemplos: na Universidade Paulista (Unip), que tem uma das menores
taxas de inscrição do Brasil, o aluno precisa desembolsar R$ 25,00 e,
na São Leopoldo Mandic, especializada em cursos de odontologia, o custo
é de R$ 50,00