TIPOS DE ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS

Subjetivas

As orações subordinadas substantivas subjetivas atuam como sujeito do verbo da oração principal. Exemplos:

1. É fundamental o seu comparecimento à reunião.

2. É fundamental que você compareça à reunião.

3. É fundamental você comparecer à reunião.

O primeiro período é simples. Nele, "o seu comparecimento à reunião" é sujeito da forma verbal é. Na ordem direta é mais fácil constatar isso: "O seu comparecimento à reunião é fundamental".

Nos outros dois períodos, que são compostos, a expressão "o seu comparecimento a reunião" foi transformada em oração ("que você compareça a reunião" e "você comparecer à reunião"). Nesses períodos, as orações destacadas são subjetivas, já que desempenham a função de sujeito da forma verbal "é". A oração "você comparecer à reunião", que não é introduzida por conjunção e tem o verbo no infinitivo, é reduzida.

Quando ocorre oração subordinada substantiva subjetiva, o verbo da oração principal sempre fica na terceira pessoa do singular. As estruturas típicas da oração principal nesse caso são:

a) verbo de ligação + predicativo - é bom..., é conveniente..., é melhor..., é claro..., está comprovado..., parece certo..., fica evidente..., etc.

Observe os exemplos:
É preciso que se adotem providências eficazes.
Parece estar provado que soluções mágicas não funcionam.

b) verbo na voz passiva sintética ou analítica - sabe-se..., soube-se..., comenta-se..., dir-se-ia..., foi anunciado..., foi dito..., etc.

Exemplos:
Sabe-se que o país carece de sistema de saúde digno.
Foi dito que tudo seria resolvido por ele.

c) verbos como convir, cumprir, acontecer, importar, ocorrer, suceder, parecer, constar, urgir, conjugados na terceira pessoa do singular.

Exemplos:
Convém que você fique.
Consta que ninguém se interessou pelo cargo.
Parece ser ela a pessoa indicada.

Muitos autores consideram que o relativo "quem" deve ser desdobrado em "aquele que". Tem-se, assim, um relativo (que), que introduz oração adjetiva. Outros autores preferem entender que "Quem usa drogas" é o efetivo sujeito de experimenta. Esta nos parece a melhor solução.

Objetivas diretas

As orações subordinadas substantivas objetivas diretas atuam como objeto direto do verbo da oração principal.

Exemplos:
Todos querem que você compareça.
Suponho ser o Brasil o país de pior distribuição de renda no mundo.

Nas frases interrogativas indiretas, as orações subordinadas substantivas objetivas diretas podem ser introduzidas pela conjunção subordinativa integrante "se" e por pronomes ou advérbios interrogativos.

Exemplos:
Ninguém sabe
/ se ela aceitará a proposta.
/ como a máquina funciona.
/ onde fica o teatro.
/ quanto custa o remédio.
/ quando entra em vigor a nova lei.
/ qual é o assunto da palestra.

Com os verbos "deixar, mandar, fazer" (chamados auxiliares causativos) e "ver, sentir, ouvir, perceber" (chamados auxiliares sensitivos) ocorre um tipo interessante de oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo.

Exemplos:
Deixe-ME REPOUSAR.
Mandei-OS SAIR.
Ouvi-O GRITAR.

Nesses casos, as orações destacadas são todas objetivas diretas reduzidas de infinitivo. E, o que é mais interessante, os pronomes oblíquos atuam todos como sujeitos dos infinitivos verbais. Essa é a única situação da língua portuguesa em que um pronome oblíquo pode atuar como sujeito. Para perceber melhor o que ocorre, convém transformar as orações reduzidas em orações desenvolvidas:

Deixe que eu repouse.
Mandei que eles saíssem.
Ouvi que ele gritava.

Nas orações desenvolvidas, os pronomes oblíquos foram substituídos pelas formas retas correspondentes. É fácil perceber agora que se trata, efetivamente, dos sujeitos das formas verbais das orações subordinadas.


Objetivas indiretas
As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas atuam como objeto indireto do verbo da oração principal.

Exemplos:
Duvido de que esse prefeito dê prioridade às questões sociais.
Lembre-se de comprar todos os remédios.


Completivas nominais

As orações subordinadas substantivas completivas nominais atuam como complemento de um nome da oração principal.

Exemplos:
Levo a leve impressão de que já vou tarde.
Tenho a impressão de estar sempre no mesmo lugar.

Observe que as objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto as completivas nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é necessário levar em conta o termo complementado. Essa é, aliás, a diferença entre o objeto indireto e o complemento nominal: o primeiro complementa um verbo; o segundo, um nome. Nos exemplos dados acima, as orações subordinadas complementam o nome impressão.

Predicativas
As orações subordinadas substantivas predicativas atuam como predicativo do sujeito da oração principal.

Exemplos:
A verdade é que ele não passava de um impostor.
Nosso desejo era encontrares o teu caminho.

Apositivas
As orações subordinadas substantivas apositivas atuam como aposto de um termo da oração principal.

Exemplos:
De você espero apenas uma coisa: que me deixe em paz.
Só resta uma alternativa: encontrar o remédio.

PONTUAÇÃO DAS SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS

A pontuação dos períodos compostos em que surgem orações subordinadas substantivas segue os mesmos princípios que se adotam no período simples para as funções sintáticas a que essas orações equivalem:

- A vírgula não deve separar da oração principal as orações subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais e predicativas - afinal, sujeitos, complementos verbais e nominais não são separados por vírgula dos termos a que se ligam. O mesmo critério se aplica para o predicativo nos predicados nominais.

- A oração subordinada substantiva apositiva deve ser separada da oração principal por vírgula ou dois-pontos, exatamente como ocorre com o aposto:

O boato, de que o presidente renunciaria, espalhou-se rapidamente.

Imponho-lhe apenas uma tarefa: que administre bem o dinheiro público.

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS

Uma oração adjetiva nada mais é do que um adjetivo em forma de oração. Assim como é possível dizer "redação bem-sucedida", em que o substantivo redação é caracterizado pelo adjetivo bem-sucedida, é possível dizer também "redação que fez sucesso", em que a oração "que fez sucesso" exerce exatamente o mesmo papel do adjetivo bem-sucedida, ou seja, caracteriza o substantivo redação.

Em termos sintáticos, essas orações exercem a função que normalmente cabe a um adjetivo, a de adjunto adnominal.

Exemplos:
Pessoa que mente é pessoa mentirosa. A classe gramatical da palavra "mentirosa" é a dos adjetivos. Qualifica o substantivo "pessoa".

Em vez de se dizer "pessoa mentirosa", é perfeitamente possível se dizer "pessoa que mente". Agora, quem é que qualifica "pessoa"? A oração "que mente", que tem valor de adjetivo e, por isso, é oração subordinada adjetiva.

Esse "que" que introduz a oração adjetiva "que mente" pode ser substituído por "a qual" (pessoa que mente = pessoa a qual mente). E, por fim, esse "que" se chama pronome relativo.

Agora, vamos relacionar tudo isso com o emprego da vírgula. Leia a seguinte passagem: "Não gosto de pessoas mentirosas". Você poria vírgula entre "pessoas" e "mentirosas"? Certamente não. E por quê? Porque o papel da palavra "mentirosas" é limitar o universo de pessoas. Afinal, não é de qualquer pessoa que eu não gosto. Só não gosto das pessoas mentirosas, ou seja, só não gosto das pessoas que mentem.

A oração "que mentem" exerce o mesmo papel do adjetivo "mentirosas", isto é, limita, restringe o universo de pessoas. Essa oração é chamada de "adjetiva restritiva" e, como você deve ter notado, também não é separada da anterior por vírgula.

Agora veja este outro caso: "Os cariocas, que adoram o mar, sempre estão de bem com a vida". A que cariocas se faz referência na frase? Será que a idéia é dividir os cariocas em dois blocos (os que adoram o mar e os que não adoram) e dizer que só os que adoram o mar estão sempre de bem com a vida? É claro que não. O que se quer é fazer uma afirmação de caráter genérico: os cariocas adoram o mar e sempre estão de bem com a vida.

O "que" dessa frase é pronome relativo ("Os cariocas, os quais adoram o mar...") e, por isso mesmo, como você já sabe, introduz oração subordinada adjetiva, que, no caso, não é restritiva. Não restringe, não limita. Generaliza. É chamada de explicativa.

A oração restritiva não é separada da anterior por vírgula, mas a explicativa é.

Agora preste muita atenção. Leia estas duas frases:

1) Ele telefonou para a irmã que mora na Itália;

2) Ele telefonou para a irmã, que mora na Itália.

Elas parecem iguais, mas não são. A vírgula faz a diferença. Em ambos os casos, o "que" pode ser substituído por "a qual". Em ambos os casos, o "que" é pronome relativo e, por isso, introduz oração adjetiva.

A diferença está na extensão do termo que vem antes do "que" ("irmã"). Sem a vírgula ("irmã que mora na Itália"), cria-se um limite. Certamente, ele tem mais de uma irmã. Pelo menos duas, uma das quais mora na Itália. Não fosse assim, não faria sentido a restrição imposta pela oração "que mora na Itália".

Com a vírgula, a oração "que mora na Itália" não restringe. Deixa de ser restritiva e passa a ser explicativa. Nosso amigo só tem uma irmã, e ela mora na Itália.

Veja outro caso: "A empresa tem cem funcionários que moram em Campinas". O que acontece quando se coloca vírgula depois de "funcionários"? Muda tudo. Sem a vírgula, a empresa tem mais de cem funcionários, dos quais cem moram em Campinas.

Com a vírgula depois de "funcionários", a empresa passa a ter exatamente cem funcionários, e todos moram em Campinas.

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS

Uma oração subordinada adverbial exerce a função de adjunto adverbial do verbo da oração principal.

Exemplos:
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de minha vida.
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de minha vida.

No primeiro período, "naquele momento" é um adjunto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal senti. No segundo período, esse papel é exercido pela oração "Quando vi o mar", que é, portanto, uma oração subordinada adverbial temporal. Essa oração é desenvolvida, já que é introduzida por uma conjunção subordinativa (quando) e apresenta uma forma verbal do modo indicativo (vi, do pretérito perfeito do indicativo).

Seria possível reduzi-la, obtendo algo como: Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de minha vida. "Ao ver o mar" é uma oração reduzida porque apresenta uma das formas nominais do verbo (ver é infinitivo) e não é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma preposição (a, combinada com o artigo o).

Se você já estudou os adjuntos adverbiais, você viu que sua classificação é feita com base nas circunstâncias que exprimem. Com as orações subordinadas adverbiais ocorre a mesma coisa.

A diferença fica por conta da quantidade: há apenas nove tipos de orações subordinadas adverbiais, enquanto os adjuntos adverbiais são pelo menos quinze. As orações adverbiais adquirem grande importância para a articulação adequada de idéias e fatos e por isso são fundamentais num texto dissertativo.
 
Você terá agora um estudo pormenorizado das circunstâncias expressas pelas orações subordinadas adverbiais. É importante compreender bem essas circunstâncias e observar atentamente as conjunções e locuções conjuntivas utilizadas em cada caso.