A Universidade de São Paulo (USP), neste ano, tem 138.242 interessados
nas 10.557 vagas oferecidas pela melhor universidade do País. A forte
competição, no entanto, esconde sério problema: a procura caiu.
E muito. Em 2006 foram 170.678 candidatos e em 2007, 140.918. Na prática, o número de inscritos para a Fuvest, a fundação que cuida do vestibular, voltou ao que era dez anos atrás. Não há razão única para esse fato, mas a queda de concluintes do ensino médio tem peso nisso.
Sem esquecer outros motivos, como a maior oferta de vagas no Pró-Uni, as bolsas para alunos pobres em escolas privadas ou até a crise na procura pelos cursos de formação de professores. Porém, há algo um pouco mais complicado nesse quadro. No Estado de São Paulo, 480 mil alunos terminaram o ensino médio em 2007, bem menos que os 560 mil de 1998. Lembrar do novo perfil demográfico, famílias com menos filhos, apesar de relevante, não ajuda.
Em outubro, o Censo Educacional 2008 (essencial para a distribuição dos recursos do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) revelou que foram 1,3 milhão de matrículas a menos no ensino fundamental, 4,7% menos ante 2007, óbvio impacto demográfico. Já no ensino médio, as matrículas foram 7,1% maiores do que em 2007, 400 mil alunos a mais.
Motivo: 98% das crianças entre 7 e 14 anos estão na escola, mas apenas 45% dos jovens entre 15 e 19 anos estão no ensino médio. Em outras palavras: quase todas as crianças estão na escola, enquanto a maior parte dos jovens não está e não vê motivos para procurá-la. Resultado: em 2000, o Brasil possuía 8,1 milhões de matrículas no ensino médio.
Hoje, não chega a 6 milhões. O ensino médio virou o primo pobre da educação nacional. Estudo do Inep/MEC, publicado no O Estado de S. Paulo (7/11) mostrou que o ensino fundamental recebia 63,06% do total dos recursos da educação (era 59,4% em 2000), enquanto o ensino médio permaneceu no mesmo patamar dos 13%.
Essa escolha orçamentária gera obrigatórios reflexos na sala de aula. Sem esquecer o problema, talvez bem mais grave do que o orçamentário, a grade curricular, o que é ensinado na sala de aula. Há uma brutal defasagem entre as expectativas (inclusive as profissionais) dos jovens e o ensino que a escola oferece.
Para agravar o quadro, políticos descobriram a opção ensino técnico como moeda eleitoral, isto é, abre-se a toque de caixa uma "escola técnica", seja do que for, pouco importa o perfil da demanda. A insensatez também atingiu o ensino médio como caminho da universidade. Há dez anos, todas as projeções educacionais sugeriam explosão de demanda no ensino superior.
A iniciativa privada e o setor público prepararam-se para essa expansão. E, curiosamente, a oferta de educação universitária subiu, mas a procura não. O caso paulista é exemplar: em 1998 existiam 300 mil vagas de ensino
superior e, em 2006, eram 920 mil. O projetado aumento da
procura por ensino superior não ocorreu pelo absoluto descaso com o
grau médio. Essa etapa é uma ponte entre o fundamental e a formação
tanto universitária como profissional.
No mundo inteiro, sério, é desse modo, 11 anos de escolaridade e, só depois, a escolha entre universidade ou técnico. Esse descaso gerou menos candidatos na Fuvest, além do duelo canibal por alunos entre as instituições privadas, inclusive as que formam tecnólogos. A rede privada de ensino superior sabe que tem muito espaço para crescer: apenas 7% dos nossos jovens entre 19 e 24 anos estão na universidade, metade da Argentina e menos de um terço do Chile. Investidores em universidades também sabem que precisam tratar do futuro do seu mercado, mas pouco fazem.
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de S. Paulo (Sieeesp) mantém programas de apoio a esse nível de ensino, mas é iniciativa solitária. A queda nos candidatos da Fuvest é só um alerta de que sem melhorar o ensino médio será difícil tanto aumentar a procura do ensino superior como tornar a mão-de-obra brasileira tecnicamente mais qualificada. Kicker: Problema não está na universidade; reflete a grave crise de expectativas do ensino médio
E muito. Em 2006 foram 170.678 candidatos e em 2007, 140.918. Na prática, o número de inscritos para a Fuvest, a fundação que cuida do vestibular, voltou ao que era dez anos atrás. Não há razão única para esse fato, mas a queda de concluintes do ensino médio tem peso nisso.
Sem esquecer outros motivos, como a maior oferta de vagas no Pró-Uni, as bolsas para alunos pobres em escolas privadas ou até a crise na procura pelos cursos de formação de professores. Porém, há algo um pouco mais complicado nesse quadro. No Estado de São Paulo, 480 mil alunos terminaram o ensino médio em 2007, bem menos que os 560 mil de 1998. Lembrar do novo perfil demográfico, famílias com menos filhos, apesar de relevante, não ajuda.
Em outubro, o Censo Educacional 2008 (essencial para a distribuição dos recursos do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) revelou que foram 1,3 milhão de matrículas a menos no ensino fundamental, 4,7% menos ante 2007, óbvio impacto demográfico. Já no ensino médio, as matrículas foram 7,1% maiores do que em 2007, 400 mil alunos a mais.
Motivo: 98% das crianças entre 7 e 14 anos estão na escola, mas apenas 45% dos jovens entre 15 e 19 anos estão no ensino médio. Em outras palavras: quase todas as crianças estão na escola, enquanto a maior parte dos jovens não está e não vê motivos para procurá-la. Resultado: em 2000, o Brasil possuía 8,1 milhões de matrículas no ensino médio.
Hoje, não chega a 6 milhões. O ensino médio virou o primo pobre da educação nacional. Estudo do Inep/MEC, publicado no O Estado de S. Paulo (7/11) mostrou que o ensino fundamental recebia 63,06% do total dos recursos da educação (era 59,4% em 2000), enquanto o ensino médio permaneceu no mesmo patamar dos 13%.
Essa escolha orçamentária gera obrigatórios reflexos na sala de aula. Sem esquecer o problema, talvez bem mais grave do que o orçamentário, a grade curricular, o que é ensinado na sala de aula. Há uma brutal defasagem entre as expectativas (inclusive as profissionais) dos jovens e o ensino que a escola oferece.
Para agravar o quadro, políticos descobriram a opção ensino técnico como moeda eleitoral, isto é, abre-se a toque de caixa uma "escola técnica", seja do que for, pouco importa o perfil da demanda. A insensatez também atingiu o ensino médio como caminho da universidade. Há dez anos, todas as projeções educacionais sugeriam explosão de demanda no ensino superior.
A iniciativa privada e o setor público prepararam-se para essa expansão. E, curiosamente, a oferta de educação universitária subiu, mas a procura não. O caso paulista é exemplar: em 1998 existiam 300 mil vagas de ensino
No mundo inteiro, sério, é desse modo, 11 anos de escolaridade e, só depois, a escolha entre universidade ou técnico. Esse descaso gerou menos candidatos na Fuvest, além do duelo canibal por alunos entre as instituições privadas, inclusive as que formam tecnólogos. A rede privada de ensino superior sabe que tem muito espaço para crescer: apenas 7% dos nossos jovens entre 19 e 24 anos estão na universidade, metade da Argentina e menos de um terço do Chile. Investidores em universidades também sabem que precisam tratar do futuro do seu mercado, mas pouco fazem.
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de S. Paulo (Sieeesp) mantém programas de apoio a esse nível de ensino, mas é iniciativa solitária. A queda nos candidatos da Fuvest é só um alerta de que sem melhorar o ensino médio será difícil tanto aumentar a procura do ensino superior como tornar a mão-de-obra brasileira tecnicamente mais qualificada. Kicker: Problema não está na universidade; reflete a grave crise de expectativas do ensino médio
2 Comentários:
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Nov 21, 2008
Nota:
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Cláudia disse:
As escolas particulares s
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Nov 13, 2008
Nota:
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