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Hábito de ler ajuda no vestibular
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Os contos de “Sagarana”, de Guimarães Rosa, foram escritos há 62
anos. “Calabar”, de Chico Buarque e Ruy Guerra, tem 35 anos. “Ensaio
sobre a Cegueira”, de José Saramago, tem 13, e o caçula da lista de
livros exigidos para o vestibular da Universidade Federal de Uberlândia
(UFU), “Nove Noites”, de Bernardo Carvalho, tem seis anos.
As
obras não estão mais na prateleira de lançamentos das livrarias, são
famosas e exigidas freqüentemente nos vestibulares do País. Mesmo
assim, ainda não foram lidas por grande parte dos que deveriam ser os
principais interessados: os estudantes do ensino médio e vestibulandos.
César
Mota, professor de Literatura de um curso pré-vestibular, acredita que
apenas 10% de seus alunos leram todas as obras exigidas para a UFU. “É
muita coisa para eles estudarem. Eu chego a trabalhar oito resumos de
livros durante o ano”, afirmou.
Dentre os alunos de César, Yuri
Prado vai tentar uma vaga em relações internacionais na Universidade
Federal de Brasília, que não exige leitura de livros. “Não gosto de
ler”, disse Yuri. Karine Borges, de 21 anos, tenta pelo quarto ano uma
vaga em medicina. Além da UFU, fará prova pela Universidade Federal de
Ouro Preto (Ufop), para a qual, segundo ela, não leu nenhuma das quatro
obras sugeridas.
“É tanta coisa, quanto mais medicina, que
acaba não sobrando tempo para os livros, mas eu estou lendo os resumos
e estudando em sala de aula no cursinho”, disse a estudante.
Mariana
Fernandes, diferentemente de seus colegas, estudou em escola pública e
tenta pela segunda vez o vestibular em enfermagem na UFU, com a ajuda
agora de cursinho pré-vestibular. “Neste ano, eles colocaram o ‘Ensaio
sobre a Cegueira’. Achei ótimo. Eu já tinha lido no colegial, porque o
professor falou que poderia cair no vestibular. Agora estou relembrando
todos por meio dos resumos”, afirmou a estudante.
Em outro
colégio, as quatro colegas do 2º ano do ensino médio, Marília Freitas,
Laís Pereira, Carolina Lau e Talytha Pereira afirmam: “Não lemos estes
livros”. Elas estão há um ano de ingressar na faculdade e três delas já
escolheram cursos na área de Exatas.
“As pessoas acabam
preocupando com as outras matérias na hora da prova”, afirmou Carolina.
Já Gustavo Gomes Pereira, do 3º ano da mesma escola, leu todas as obras
para a UFU e finaliza o “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago. “A
leitura do livro te dá uma visão muito mais abrangente.”
Algum
detalhe pode ajudá-lo a entender a interpretação do problema e resolver
a questão. Estes resumos não nos dão esses detalhes, são feitos apenas
para reforçar”, afirmou o estudante que pretende ler ainda os livros
para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para a seleção de
janeiro.
Boa prova exige estudo
De
acordo com dados da Comissão Permanente de Vestibular da UFU (Copev),
no processo seletivo de janeiro deste ano, dos 9.846 candidatos, 96
zeraram a prova de literatura, o equivalente a 0,97% do total de
provas. De 10 pontos distribuídos na avaliação, a média dos inscritos
foi de 5,02 pontos.
Na segunda fase, o percentual foi ainda mais
significativo. Dos 3.637 candidatos, 396 (10,88%) não acertaram nenhuma
questão na prova de literatura. Dos 80 pontos distribuídos, a média foi
pouco acima de 12 pontos.
“Esse resultado não me surpreende. Os
alunos têm resistência para ler os livros, porque a maioria é clássico
e, às vezes, está fora da realidade deles. E também porque não dá
status fechar uma prova de literatura, ao contrário das outras
matérias. Já faz parte da cultura”, disse a professora de Literatura
Heloísa Vânia Marinari Zorzetti.
Outro item avaliado pela
educadora é a substituição da leitura da obra completa por resumos
disponíveis na internet e em cursinhos pré-vestibular. De acordo com
ela, o macete pode favorecer em uma avaliação rápida, mas não é o mais
indicado em processos seletivos.
“As provas de vestibular
exploram muito a interpretação do aluno. Se ele não tiver uma visão
geral do livro, conseguida apenas com a leitura completa, vai ter
dificuldade”, afirmou.
Equipe de professores
A equipe que escolhe os
títulos para o vestibular da UFU é formada por professores de escolas
particulares, estaduais e também da própria universidade.
Os
profissionais se reuniram em 13 de dezembro de 2007 para a decisão e a
lista de livros foi disponibilizada no início do ano, tanto para o
processo seletivo, como para o Programa de Ação Afirmativa de Ingresso
no Ensino Superior (Paaes), possibilitando assim o trabalho em sala de
aula durante o ano letivo.
Segundo Odete Maria Álvares,
coordenadora do Núcleo de Teoria Literária e Literatura de Língua
Portuguesa da UFU, as escolhas seguem uma ordem cronológica do que é
trabalhado com os estudantes em cada ano do ensino médio.
“É um
acordo que fizemos com o Estado. Cada ano do ensino médio estuda um
estilo, por isso a 3ª Etapa do Paaes foca o Modernismo, a 2ª é o
Realismo, Simbolismo e Romantismo e a 1ª aborda desde a introdução da
literatura até o Arcadismo”, disse a professora. “Independentemente de
corrente literária, tentamos manter também os clássicos.”
Ainda
de acordo com Odete, cada livro permanece no mínimo dois anos e duas
obras são iguais a algumas das demais universidades federais de Minas
Gerais. “Como nosso vestibular é em janeiro, entra o que foi estudado
no ano anterior”, afirmou Odete.
No ano passado, as obras, tanto
do extinto Programa Alternativo de Ingresso ao Ensino Superior (Paies),
como do processo seletivo, são parecidas com as da próxima prova, que
acontece dias 21 e 22 de dezembro.
Entre as cinco obras da 1ª
etapa do Paies de 2007, “O mistério da casa verde”, do imortal Moacir
Scliar, foi substituída neste ano pelo romance “Parábola do cágado
velho”, do escritor angolano Pepetela. Já as sete obras da 2ª etapa do
(Paaes) de 2008 são as mesmas de 2007, com exceção dos contos do livro
“Várias Histórias”, de Machado de Assis.
Na lista da 3ª etapa
e do processo seletivo houve três substituições, entre as oito
sugeridas. Para as provas do meio e do fim do ano de 2009, a lista
deverá ser decidida no próximo mês e a lista divulgada em seguida.
Análise
“São livros perfeitos, principalmente os do 3ª ano que são obras contemporâneas e tem tudo a ver com a realidade dos alunos. O “Calabar” retrata a época da ditadura, o “Nove Noites” vai buscar as tribos e a influência que os índios sofrem da civilização atual.São obras muito ricas e podem ajudar até em outras áreas, como Geografia, História, Filosofia e Sociologia”, disse a professora de literatura Heloísa Vânia.
Quanto à segunda etapa do Paaes, de acordo com a educadora, a linguagem é mais difícil. Já para a primeira etapa, ela cita o exemplo de “Os Lusíadas”, de Camões, que também é um texto complicado, mas do qual será exigido apenas o episódio “A ilha dos amores”.
“É só uma pequena parte da obra e com um bom dicionário do lado, você consegue interpretar bem. Inclusive, a UFU fornece, ao lado da questão, o significado das palavras mais difíceis”, disse Heloísa. “Os outros livros são atuais, fáceis de ler, como a ‘Parábola do cágado velho’, que é muito social e político, ‘O doente imaginário’, que fala de um doente hipocondríaco extremamente divertido, e que dá possibilidade ao aluno de ler um texto diferente.”
Organize seu tempo
Familiaridade
Você já leu algum? Já teve contato com outras obras do autor? Já viu
algum filme ou peça com base na obra? A partir daí, decida se você vai
começar pelas mais conhecidas ou pelas menos.
Afinidade
Talvez você não conheça nenhuma das obras, mas com uma breve pesquisa é fácil descobrir de quais poderá vir a gostar mais. Faça um ranking e, então, escolha se você deixa a sobremesa para o começo ou para o final.
Tamanho
Não é dos melhores critérios, mas já é alguma coisa. Faça uma lista por ordem de tamanho e escolha por onde quer começar. Se do maior para o menor ou do menor para o maior. Outra possibilidade é começar pelo maior e pelo menor e ir em direção aos médios.
Dificuldade
Esse critério é um pouco mais inteligente. Algumas obras exigem mais do estudante. Tente descobrir quais são e coloque-as no começo de seu cronograma. As mais fáceis podem ficar para o final, quando a preparação para as provas de vestibular estará mais puxada.
Horário
Se você gosta de ler, coloque a
leitura no fim do dia, pois vai encará-la como um momento de lazer,
depois de horas de estudo. Se você ainda não tem esse hábito, coloque-o
no começo do dia, pois estará mais descansado e vai se concentrar com
mais facilidade.
Veja o filme
Ver um
filme baseado no livro não substitui a sua leitura, mesmo porque são
duas obras completamente diferentes. Mas isso pode facilitar e aumentar
o entendimento, antecipando o enredo. Nem todas as obras da lista têm
filmes específicos. Não há problema. Veja um documentário sobre o autor
ou alguma produção cinematográfica baseada em outra de suas obras. Já
vai ajudar.
Resumos
No caso do
vestibular, um resumão pode ajudar a compreensão posterior da obra.
Você encontra facilmente milhares de sites especializados em resumos
das obras do vestibular. Porém, tenha em mente que o resumo não é a
solução. É apenas um apoio. Leia o livro integralmente se quiser ter a
certeza de um bom resultado.
Faça seu resumo
Um
resumo ao fim de cada leitura tem dois propósitos. Você avalia se
compreendeu o texto e ao mesmo tempo fixa essa compreensão. Isso também
vai servir para você treinar para a prova de redação, habituando-se a
escrever com constância. Não precisa ser nada demais. Algo entre cinco
e dez linhas. Guarde bem esses resumos, o mais organizadamente
possível, por mais que eles pareçam garranchos. Ao final de cada livro,
faça um novo resumo, um pouco maior, da obra completa.
Leitura obrigatória UFU/2008
1ª ETAPA PAAES 2008/2011:
1 – “Antologia poética”, Gregório de Matos.
2 – “Cronistas do descobrimento”.
3 - Episódio: “A ilha dos amores”, “Os Lusíadas”, de Camões
4 – “O doente imaginário”, Molière.
5 – “Parábola do cágado velho”, Pepetela.
2ª ETAPA PAIES 2007/2010:
1 – “Casa de pensão”, Aluísio de Azevedo.
2 - “Trio em lá menor”, “D. Paula”, “O enfermeiro, “Entre santos”, “Adão e Eva”, de “Várias histórias”, Machado de Assis
3 – “Macário”, Álvares de Azevedo
4 – “Memórias de um sargento de milícias”, Manuel Antônio de Almeida
5 – “Noite na taverna”, Álvares de Azevedo
6 – “Os melhores poemas”, Cruz e Souza
7 – “Poesia lírica e indianista”, Gonçalves Dias
Obs: Existe em uma única edição, as obras “Noite na taverna” e “Macário”
3ª ETAPA PAIES 2006/2009 e PROCESSO SELETIVO SEMESTRAL (julho/2008 e dez/2008)
1 – Contos “A hora e a vez de Augusto Matraga” e “O duelo”, de Sagarana, Guimarães Rosa
2 – “Calabar”, Chico Buarque e Ruy Guerra
3 – “Prosas seguidas de odes mínimas”, José Paulo Paes
4 – “Melhores poemas de Manuel Bandeira”, Manuel Bandeira
5 – “Nove noites”, Bernardo de Carvalho
6 – “O monstro”, Sérgio Sant’ana
7 – “Ensaio sobre a cegueira”, José Saramago
8 – “La vie en close”, Paulo Leminski


