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Passar raspando não é o fim
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Você não teve o desempenho de que gostaria na prova de ontem da
UFPR? Não se desespere. A nota da primeira fase do vestibular conta
pontos no resultado final do candidato, mas nem tudo está perdido para
quem não foi tão bem na prova de conhecimentos gerais. Afinal, há
vestibulandos que passaram para a segunda fase com uma pontuação muito
próxima da nota de corte e ainda assim conseguiram a aprovação.
Rafael Bertier Valentim, 20 anos, é um desses estudantes. Aluno do segundo ano de Engenharia Mecânica, ele fez só dois pontos a mais que o último colocado na primeira fase do processo seletivo da UFPR. “Se não me engano, a nota de corte daquele ano (2006) foi 44 e eu tirei 42”, recorda. Após consultar o seu boletim de desempenho, Rafael foi para a segunda fase sem muita esperança, principalmente porque, no ano anterior, ele havia feito 49 pontos na primeira prova e reprovado no concurso. Para sua surpresa, entretanto, acertou 80% das provas específicas de Matemática e Física e entrou logo na primeira chamada do vestibular. “Fiz 600 pontos nas duas fases”, afirma.
A história de Ana Lígia Ribeiro, 21 anos, é mais um exemplo de como a pontuação na segunda fase pode definir o resultado do vestibular – até mesmo quando a disputa é pelo curso mais concorrido da universidade. Aluna do terceiro ano de Medicina da Federal, ela foi a última colocada na prova de conhecimentos gerais do concurso realizado em 2005, ou seja, tirou exatamente a nota de corte (que foi 59 naquele ano). O desempenho nas provas específicas não foi suficiente para que ela conseguisse a aprovação imediata, mas garantiu que a estudante passasse na sexta chamada complementar.
Ana conta que foi para a prova de conhecimentos específicos sem conferir o gabarito da primeira fase, o que pode ter lhe ajudado a manter o ritmo adequado de estudos e a tranqüilidade necessária para a resolução das questões dissertativas. “Eu não quis olhar quanto tinha tirado na primeira prova, pois teria de estudar de qualquer jeito para a segunda fase. Se eu tivesse ido muito bem, poderia folgar demais e, se tivesse ido mal, poderia me desesperar. Por isso, só vi a nota quando já havia feito todas as provas”, diz.
No processo seletivo realizado no fim de 2006, Carlos Eduardo Kania, 27 anos, fez apenas dois pontos acima da nota de corte para o curso de Direito. Em vez de desanimá-lo, porém, o resultado serviu como estímulo. “Eu não tinha a menor pretensão de passar, por isso a aprovação para a segunda fase, mesmo com uma nota baixa, me animou”, diz. Concluindo o primeiro ano em 2008, ele considera que foi privilegiado pelo modelo de prova adotado pela UFPR. “As provas da segunda fase beneficiam pessoas com mais vivência e que escrevem melhor”, avalia o universitário, que obteve pontuação total de 577,28 no vestibular.

