O vestibular sempre impôs normas rigorosas aos candidatos. Este ano, porém, duas universidades do Paraná decidiram flexibilizar algumas regras previstas no edital de seus processos seletivos, o que provocou impasse entre os vestibulandos.

Em função do trânsito intenso nas proximidades da UniBrasil, um dos locis de prova, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) atrasou em 15 minutos o fechamento de todos os portões na primeira fase, e houve protestos de pais de alunos que chegaram na hora certa. Por problemas no Jardim Botânico, também houve tolerância de cinco minutos na prova de Redação da segunda fase. A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) também prorrogou em dez minutos a entrada dos estudantes, mas as reclamações maiores ocorreram quando a instituição resolveu aceitar as redações que não se adequaram ao gênero textual proposto.

Simone Barreto, 38 anos, e a filha, Ana, prestaram vestibular para o curso de Engenharia Civil da UFPR. As duas chegaram ao local da primeira fase duas horas antes do fechamento dos portões e se sentiram prejudicadas com a tolerância aos atrasados. Indignada com a atitude da Federal, Simone deixou uma mensagem de protesto no site da Gazeta do Povo.

“Em um trajeto que duraria normalmente dez minutos, da minha casa até a PUCPR, saí com uma antecedência de duas horas para que não ocorresse nenhum transtorno. A prova não é somente de conhecimento, visa também a comprovar o grau de responsabilidade que será exigido do aluno durante toda a faculdade”, diz.

Para não perder o horário e ter de adiar o sonho de entrar na universidade, Simone conta que nem ela nem a filha almoçaram no dia da prova. “Saímos de casa às 11 horas, por isso só tomamos o café da manhã. E esse tempo todo que ficamos expostas ao nervosismo não valeu nada”, reclama.

A vestibulanda ressalta que a UFPR não tratou do mesmo modo outras normas igualmente previstas em edital. Ela afirma que levou uma barra de chocolate sem o rótulo, envolta em embalagem transparente, mas não pôde consumir o alimento durante a prova, porque é proibido alimentar-se na sala.

Mãe de três filhos já formados, Regina Serafini, 54 anos, presenciou o desespero dos vestibulandos que estavam perto da UniBrasil e apóia a atitude da UFPR. Segundo ela, não houve displicência dos candidatos, que mesmo saindo cedo de casa foram prejudicados pelo congestionamento atípico na região. “Coincidentemente, eu estava no trânsito perto da UniBrasil. Do Hospital das Nações, no Alto da XV, até a instituição, um trajeto de no máximo três quilômetros, eu demorei mais de uma hora”, conta.

Redação

A PUCPR também decidiu ser mais tolerante com os candidatos. A prova de redação da universidade trazia dois textos sobre alimentos e solicitava a elaboração de um texto narrativo a respeito da alimentação do brasileiro. Mas, como grande parte dos candidatos redigiu uma dissertação, a instituição aceitou os diversos gêneros de texto, levando em consideração a abordagem coerente do tema.

Para Juliana Cristina Longo Pleszczak, 17 anos, aprovada no curso de Agronomia, o tom dos textos de apoio apontava para o discurso argumentativo. “Fiz uma dissertação porque achei que não havia como escrever uma narração a respeito do tema. Mas não sou a favor da medida tomada pela PUCPR, porque é preciso levar em conta o que está sendo pedido”, afirma.

Os estudantes Raisa Ulaf, 19 anos, e Filipe Matos Pereira Lima, 17 anos, cumpriram o enunciado e acreditam que foram prejudicados. “Fiquei 20 minutos pensando no que iria escrever, pois na minha opinião havia uma incoerência entre os textos dados e o estilo de redação pedido. Perdi um tempo grande da prova, mas fiz o que pedia o enunciado”, conta Raisa, que tirou 4 na redação (de um total de 10 pontos).

“Sempre fui bem na redação dos simulados do cursinho. Tiraram de mim o que de melhor eu tenho”, lamenta a estudante, que passou para a segunda fase da UFPR e espera ser aprovada na instituição. Para Filipe, a PUCPR deveria ter beneficiado os alunos que seguiram a proposta, retirando pontos dos candidatos que optaram pela dissertação.