Nos últimos cinco anos, o Ministério da Educação contabilizou o surgimento de 25 novos cursos de graduação. Entre os quais, carreiras apontadas como "profissões do futuro", mas, mesmo diante de novas opções no mercado, os candidatos a universitários continuam fazendo as antigas escolhas.

Por mais um ano, engenharia, medicina e direito (que já contam com um grande número de profissionais em exercício) encabeçam a lista de carreiras que atraíram o maior número de inscritos na Fuvest, o vestibular da Universidade de São Paulo (USP).

Na área de engenharia, por exemplo, a demanda por profissionais ainda é altíssima. Segundo estimativa do Conselho de Engenheiros, Arquitetos e Agronomistas (Confea), se as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) forem tocadas até 2010, haverá um déficit de 300 mil engenheiros no mercado.

Também é possível que futuros formandos em engenharia e direito se especializem em questões ligadas ao meio ambiente, setor que promete recrutar muitos profissionais. Porém, na avaliação de especialistas em carreira, não é o potencial de empregabilidade a principal razão que leva boa parte dos estudantes a ingressar em cursos tradicionais.

"A maioria desconhece que outros mercados oferecem mais oportunidades de desenvolvimento e que seria mais fácil conseguir um bom emprego do que nas áreas tradicionais " avalia Erika Noblau, da consultoria Convergência RH. Especialistas em estruturação de carreira avisa que é inadequado fazer uma escolha tão séria sem ponderar alguns fatores essenciais.

"A primeira coisa que se deve levar em conta são as habilidades pessoais. Quando alguém define com clareza quais são suas características
mais marcantes e encontra uma carreira que requisita essas habilidades, as chances de se destacar na profissão são bem maiores" ressalta Vicky Bloch, psicóloga e consultora em desenvolvimento de carreira. Depois de relacionar suas habilidades, o caminho é pesquisar as carreiras disponíveis e entender melhor como é o dia-a-dia de cada profissão. Tudo para verificar se suas características são compatíveis com o trabalho.

"O vestibulando precisa ter em mente o dinamismo do mercado, tentando projetar como estarão as coisas quando ele terminar a faculdade" diz Alberto Francisco do Nascimento, ­coordenador de vestibular do Anglo. Conversar com pessoas que atuam na área pode ajudar. Quanto mais informações tiver, menor será a chance de se frustrar.