Nesta época do ano, junto aos afazeres e alegrias do Natal e Ano Novo, um grande número de famílias passa pelas agruras de um vestibular.

Jovens, cheios de sonhos e de esperança, se lançam a esta dura tarefa de enfrentar um vestibular, que muito menos do que ser uma prova de conhecimento, é para o jovem uma prova de afirmação junto à sociedade, junto a seus amigos e junto à família. Uma prova em que ele se autodetermina para se autoafirmar como pessoa adulta e já responsável. Muitas vezes a carga jogada nos ombros destes jovens é inversamente proporcional à grandeza do fato.

Cabe a nós pais, tios, avós, amigos, darmos aos jovens a segurança, a medida exata do tamanho do vestibular e tentar passar a eles que este ato não é o resumo de uma vida, não é a prova de que são capazes ou não. Não é, em absoluto, a prova que vai diferenciá-los dos outros. É apenas e tão somente uma prova escolar em que existe o componente "saber" , mas que da maneira totalmente equivocada que estes exames são realizados em nosso país, premia também o componente "sorte" no resultado final.

É necessário que tentemos tirar a ansiedade dos jovens, que mostremos a eles que, independente do resultado, eles continuam a ser filhos, netos, sobrinhos, amigos, e que uma eventual derrota neste vestibular deve servir de incentivo para o outro ano. Aqueles que conseguem ingressar em uma faculdade, em especial em uma universidade pública, devem ter em mente o exato sentido disso, afinal é um privilégio poder estar em uma universidade pública, gratuita e com ensino da melhor qualidade.

O jovem deve saber que ao estudar em uma universidade pública ele acaba
contraindo uma dívida com toda a sociedade, pois é o dinheiro de todos os contribuintes que o sustenta naquele estabelecimento de ensino e, sendo assim, eles devem se esforçar para se formarem e principalmente aprenderem da melhor forma possível.

Têm que saber também que a cada ano repetido em uma escola pública, além do custo financeiro, ele está tirando o lugar de outros que poderiam e deveriam estar naquele lugar. Enfim, curtam este momento, vestibulandos, pais e demais pessoas que estão ligadas aos vestibulandos. Espero que todos vocês possam estar tendo a mesma sensação de alegria que sinto após quatro anos de uma filha na universidade, poder ouví-la dizer: "Pai, terminou, estou formada!". Walter Bartels