Ainda faltam três meses para o pequeno Dylan nascer. E pelo menos uns 17 anos até ir para a faculdade. Mas, se depender dos pais, a psicóloga Márcia e publicitário Darrell, o dinheiro para bancar os estudos universitários do mais jovem membro da família Marinho estará assegurado.

Assim que estiver com a certidão de nascimento do pequeno em mãos, o casal irá ao banco para contratar um plano de previdência privada para o caçula. Exatamente como fez para os mais velhos, Emilly, 10 anos, e Darrell, 3. O exemplo dos Marinho pode ser encontrado em um número cada vez maior de famílias brasileiras, que investem em planos de previdência, cadernetas de poupança, CDBs ou fundos voltados para a educação de filhos, netos, sobrinhos, afilhados.

“O importante aí é a idéia de planejamento. Não existe o melhor investimento, mas aquele que é mais adequado ao objetivo”, lembra Rodrigo Leone, consultor financeiro e professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec). Como o objetivo é bancar a educação de uma criança daqui a alguns anos, ele faz a ressalva: “não pode especular com esse dinheiro”. Ou seja, o investimento tem que ter baixo risco.

Nesse aspecto, a poupança ainda é imbatível, já que tem o aval do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ano passado, a Caixa Econômica Federal divulgou que houve um aumento de mais de 26% no número de titulares de poupança com idade entre 1 e 15 anos. Eles já somam mais de 1,5 milhão de poupadores.

Para garantir o sucesso do investimento na caderneta é preciso, antes de tudo, ter disciplina. Rodrigo Leone faz a simulação tomando como exemplo um curso que tem mensalidade hoje de R$ 1 mil e duração de cinco anos. “Colocando R$ 236 por mês desde o nascimento da criança, com a correção de poupança e uma projeção de inflação de 6% ao ano, daria para pagar perfeitamente todo o curso”, diz o consultor.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) também pode ser considerado. A taxa paga pode ser pré-fixada, pós-fixada ou flutuante. Mas é preciso avaliar o risco do banco.

Outra opção que pode ser considerada para garantir a faculdade do filho é o fundo de investimento. Existe o de renda fixa (mais conservador) e o DI (títulos públicos federais ou privados, com baixo risco de crédito devem compor pelo menos 80% da carteira). Já os fundos de ações não devem ser considerados por causa do risco (lembram da bolsa em 2008?). No caso da previdência privada, deve-se prestar atenção no nome da seguradora.

Entre os benefícios apontados por Rodrigo Leone está a possibilidade de dedução no Imposto de Renda (para quem faz a versão completa). “Eu tenho para meus filhos. Se eles passarem em uma universidade pública vão poder usar o dinheiro para outra coisa”, diz Leone. Essa mesma idéia tem Márcia Marinho, mãe de Emilly, Darrell e Dylan.

Emilly ganhou o plano de previdência privada cinco anos atrás. A de Darrell foi feita logo que ele nasceu. “A gente não sabe o dia de amanhã. Hoje eu tenho condições. Prefiro poupar para tero futuro deles garantido. Talvez eles passem em uma universidade pública. Talvez não”, conta Márcia, que sabe o peso de fazer uma faculdade particular. Por enquanto, os depósitos mensais são de R$ 50. A psicóloga conta que todos em casa têm o hábito de poupar.

O exemplo dos pais já “contaminou” Emilly, que pediu para colocar no banco uma parte do dinheiro que ganhou como presente de Natal. “É bom que a criança saiba que existe o investimento em nome dela, ajuda na educação financeira”, afirma Rodrigo Leone.

Cofrinho - A funcionária pública municipal Rejane Barros também serve de exemplo. Mas para o neto, Carlos Eduardo, 7. Ela diz que não é consumista, só gasta dentro das possibilidades e guarda o que pode. Há um ano, conversando com amigos, descobriu que poderia fazer uma previdência privada para o neto.

Foi até o gerente do banco e fez o contrato. Deposita R$ 100 todos os meses. Parte do dinheiro que tem na poupança também é voltado para ele. “Se ele passar no vestibular da Federal, ótimo. Ele decide o quefazer com o dinheiro depois. Se não passar, a faculdade estará garantida”, diz Rejane, que admite ser uma influência para Carlos Eduardo. Ele gosta de poupar e agora está juntando dinheiro para ter a própria caderneta de poupança.