Raphael Leite Ferreira, 22 anos, acaba de se formar em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A profissão, ele escolheu no Ensino Médio. Mas se tivesse de desembolsar a mensalidade do curso, não teria conquistado tão cedo o primeiro diploma da sua família.

Raphael faz parte da primeira geração de formandos do Programa Universidade para Todos (ProUni), do governo federal. Com ele, outros 56 mil jovens de baixa renda estão sendo graduados no país. "Fiz o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2004, por curiosidade. Meses depois surgiu o ProUni e eu me inscrevi. Foi incrível. Com nota 79, fui chamado na PUCRS, no curso que eu queria. Nem acreditei. Nunca tive qualquer diferenciação na faculdade como bolsista. Também nunca rodei e concluí o curso em quatro anos" diz Raphael, que ainda busca o primeiro emprego.

O ProUni já atendeu 430 mil estudantes, diz o Ministério da Educação (MEC). Quando foi criado, em 2005, o programa que abre vagas na rede privada em troca de incentivos fiscais, foi criticado. Entre os pontos, estava o receio sobre o desempenho dos alunos de escolas públicas.

Quatro anos depois, um estudo da PUCRS confirma: os bolsistas são destaque no campus. " Esses alunos entram com uma nota alta no Enem e precisam manter o padrão para não serem eliminados do programa. A aprovação mínima é de 75% no semestre e eles superam os demais" diz Luiz Edgar Medeiros, coordenador do ProUni na PUCRS.

O programa cresce a cada ano. Para o próximo semestre, o número de bolsas é recorde: 156 mil, sendo que 96% delas já têm alunos pré-selecionados. Conforme a Secretaria de Educação Superior do MEC, além dos que ingressaram com a bolsa, como
Raphael, o ProUni já graduou 24 mil estudantes no país como Patrícia Bohn, 25 anos. Ela já estava na faculdade quando o programa começou.

"Eu pagava uma ou duas disciplinas por semestre. Em cinco anos, não tinha feito nem a metade do curso. O ProUni foi a oportunidade de concluir a formação" diz a administradora, formada no último sábado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

O MEC não apresenta dados sobre evasão, mas a secretária de Educação Superior, Maria Paula Dallari Bucci, afirma que a taxa de abandono é baixa. Ela destaca que foram criados mecanismos como a bolsa permanência e a articulação do programa com o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).