Para os vestibulandos aprovados, o listão do vestibular 2009 foi a
confirmação de que o sonho de entrar na Universidade Federal de Santa
Maria (UFSM) virou realidade, e a eles, isso é o que mais importa.
Mas a relação dos 2.316 classificados para os cursos da Federal e do Centro de Ensino Superior Norte (Cesnors), divulgada na última quarta-feira, traz mais informações do que simplesmente o nome dos novos bixos da universidade. Esmiuçando alguns dados, confirma-se que o sistema de cotas adotado no concurso ganhou força – foram 988 cotistas aprovados contra 526 do ano passado, 462 a mais. Em percentuais, 42,6% dos aprovados no vestibular 2009 da UFSM são cotistas. Em 2008, eram pouco mais de 23%.
Os cotistas de escola pública, que entre as cotas teriam o maior número de vagas reservadas –20% – superaram as expectativas e, na maioria dos cursos, ultrapassaram esse percentual, conseguindo até o dobro das vagas a eles destinadas. No curso de Pedagogia Licenciatura Plena Diurno, por exemplo, 44,28% dos aprovados se inscreveram no vestibular por esse sistema de cotas. No quadro geral de classificação, são 269 egressos de escolas públicas a mais no listão.
Em outro cruzamento de dados, dá para observar que nas cotas para afro-brasileiros e para portadores de necessidades especiais, o número de classificados geral não alcançou o número de vagas reservadas. Dos 2.316 novos bixos da UFSM, 212 se declararam afro-brasileiros, o que representa 9,15% dos aprovados. Pelo sistema de cotas da UFSM, eram previstos 11% das vagas para esses candidatos. Na contramão do índice geral desse sistema de cotas, no curso de Medicina, o mais concorrido da disputa deste ano, os afro-brasileiros garantiram os 11% das vagas a que tinham direito.
Entre os cotistas portadores de necessidades especiais, o número de aprovados também ficou abaixo da quantidade de vagas destinadas, muito disso porque houve poucos candidatos inscritos. Quanto aos indígenas, as comparações ficam mais restritas porque são reservadas oito vagas para índios distribuídas nos cursos em que houver procura. Este ano, seis garantiram lugar na UFSM. No vestibular 2008, nenhum havia sido aprovado.
Em fevereiro, as informações que estão por trás do listão devem ser objeto de análise da Comissão de Avaliação das Ações Afirmativas da UFSM, que apresenta sugestões sobre o vestibular ao Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (Cepe). A partir desses dados é que podem surgir mudanças no sistema de cotas do concurso e outras alterações, mas o pró-reitor de Graduação da UFSM, Jorge Cunha, acredita que isso só ocorra depois de uma avaliação mais aprofundada do desempenho dos cotistas, que abrangeria, inclusive, como se saem dentro da universidade.
A superação do percentual de vagas pelos estudantes de escolas públicas ainda não significa que a instituição vá aumentar o número de vagas reservadas para esses candidatos.
– Não há nada quanto a isso.
Esse desempenho só mostra que eles têm condições de chegar lá –
diz Cunha.
Avaliações – Aprovada em Medicina como cotista de escola pública, Juliana de Moura Severo, 18 anos, ficou em terceiro lugar na classificação geral, mas não credita seu placar nas provas – 135 acertos em 150 questões – ao que aprendeu na escola pública. A estudante de Frederico Westphalen deixou a cidade onde mora para fazer cursinho pré-vestibular em Santa Maria. Foram dois anos de dedicação. Há conteúdos que ela sequer viu no Ensino Médio.
– O cursinho é quase uma escola particular resumida. Para cursos menos concorridos, até é possível que o estudante de escola pública passe sem cursinho, mas para um curso como o meu, acho difícil – avalia.
Com a propriedade de quem passou os últimos dois anos convivendo com vestibulandos, Juliana não concorda que o bom desempenho dos candidatos de escolas públicas sirva de termômetro para a qualidade do ensino nessas instituições. Mas a futura aluna do curso de Medicina acredita que, para muitos candidatos, o sistema de cotas reforçou a esperança de ingressar na universidade pública.
– Foi um incentivo para muita gente estudar mais – diz.
Mas a relação dos 2.316 classificados para os cursos da Federal e do Centro de Ensino Superior Norte (Cesnors), divulgada na última quarta-feira, traz mais informações do que simplesmente o nome dos novos bixos da universidade. Esmiuçando alguns dados, confirma-se que o sistema de cotas adotado no concurso ganhou força – foram 988 cotistas aprovados contra 526 do ano passado, 462 a mais. Em percentuais, 42,6% dos aprovados no vestibular 2009 da UFSM são cotistas. Em 2008, eram pouco mais de 23%.
Os cotistas de escola pública, que entre as cotas teriam o maior número de vagas reservadas –20% – superaram as expectativas e, na maioria dos cursos, ultrapassaram esse percentual, conseguindo até o dobro das vagas a eles destinadas. No curso de Pedagogia Licenciatura Plena Diurno, por exemplo, 44,28% dos aprovados se inscreveram no vestibular por esse sistema de cotas. No quadro geral de classificação, são 269 egressos de escolas públicas a mais no listão.
Em outro cruzamento de dados, dá para observar que nas cotas para afro-brasileiros e para portadores de necessidades especiais, o número de classificados geral não alcançou o número de vagas reservadas. Dos 2.316 novos bixos da UFSM, 212 se declararam afro-brasileiros, o que representa 9,15% dos aprovados. Pelo sistema de cotas da UFSM, eram previstos 11% das vagas para esses candidatos. Na contramão do índice geral desse sistema de cotas, no curso de Medicina, o mais concorrido da disputa deste ano, os afro-brasileiros garantiram os 11% das vagas a que tinham direito.
Entre os cotistas portadores de necessidades especiais, o número de aprovados também ficou abaixo da quantidade de vagas destinadas, muito disso porque houve poucos candidatos inscritos. Quanto aos indígenas, as comparações ficam mais restritas porque são reservadas oito vagas para índios distribuídas nos cursos em que houver procura. Este ano, seis garantiram lugar na UFSM. No vestibular 2008, nenhum havia sido aprovado.
Em fevereiro, as informações que estão por trás do listão devem ser objeto de análise da Comissão de Avaliação das Ações Afirmativas da UFSM, que apresenta sugestões sobre o vestibular ao Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (Cepe). A partir desses dados é que podem surgir mudanças no sistema de cotas do concurso e outras alterações, mas o pró-reitor de Graduação da UFSM, Jorge Cunha, acredita que isso só ocorra depois de uma avaliação mais aprofundada do desempenho dos cotistas, que abrangeria, inclusive, como se saem dentro da universidade.
A superação do percentual de vagas pelos estudantes de escolas públicas ainda não significa que a instituição vá aumentar o número de vagas reservadas para esses candidatos.
– Não há nada quanto a isso.
Avaliações – Aprovada em Medicina como cotista de escola pública, Juliana de Moura Severo, 18 anos, ficou em terceiro lugar na classificação geral, mas não credita seu placar nas provas – 135 acertos em 150 questões – ao que aprendeu na escola pública. A estudante de Frederico Westphalen deixou a cidade onde mora para fazer cursinho pré-vestibular em Santa Maria. Foram dois anos de dedicação. Há conteúdos que ela sequer viu no Ensino Médio.
– O cursinho é quase uma escola particular resumida. Para cursos menos concorridos, até é possível que o estudante de escola pública passe sem cursinho, mas para um curso como o meu, acho difícil – avalia.
Com a propriedade de quem passou os últimos dois anos convivendo com vestibulandos, Juliana não concorda que o bom desempenho dos candidatos de escolas públicas sirva de termômetro para a qualidade do ensino nessas instituições. Mas a futura aluna do curso de Medicina acredita que, para muitos candidatos, o sistema de cotas reforçou a esperança de ingressar na universidade pública.
– Foi um incentivo para muita gente estudar mais – diz.
1 Comentário:
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Jan 07, 2010
Nota:
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jacira garçon dos santos disse:
meu filho vai novamente t
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Autor/Admin)
