Dois, três, quatro anos de cursinho e a expectativa de conseguir uma vaga na tão sonhada faculdade pública. Mas o que compensa mais?

Passar anos em cursinhos ou estudar em uma faculdade particular? Para a psicopedagoga Débora de França Nunes Pena essa, é uma questão que não dá para generalizar. "É preciso analisar as condições financeiras, o conhecimento e a preparação que o jovem tem para ser aprovado nos vestibulares mais concorridos do país e o tempo que ele está disposto a investir em cursinhos."

Foi ver o tempo passar e a vaga na pública não chegar que fez o o estudante Diego Ricardo da Rocha, 24 anos, desistir de fazer ciências da computação na USP ou Unesp e optar por uma faculdade particular. Antes, ele fez quatro anos de cursinho. Se arrepende do tempo perdido. "É ilusão achar que só estará preparado para o mercado cursando uma faculdade pública. O aprendizado depende muito do aluno."

Como a faculdade é à noite, Diego se dedica durante o dia à sua empresa de desenvolvimento de software. "Se o sonho for estudar em uma estadual ou federal tem de tentar um, dois anos. Depois disso é procurar uma boa particular. Uma coisa é sonhar, a outra é pisar no chão firme", aconselha.

Mesmo com Plano Nacional de Educação, do governo federal, que entre outras conquistas aumentou de de 113 mil para 227 mil em seis anos "de 2003 a 2009" o número de vagas nas universidades federais, a desigualdade ainda é grande.

O Censo da Educação Superior mostra que 88% das universidades brasileiras são privadas, onde estudam sete em cada dez universitários. "Fazer um bom curso de graça fica cada dia mais difícil. Para entrar é preciso que o aluno esteja bem capacitado, ou seja, passar por escolas e cursinhos de primeira linha. É uma apartação social", diz Débora.


Poupança garante estudo do filho

A fórmula é antiga e caiu no esquecimento da maioria, mas a velha e boa poupança pode garantir a faculdade do filho. A conta é fácil. Para um recém-nascido, os pais devem depositar mensalmente R$ 70 por 20 anos (até que ele entre na faculdade).

Os valores poderão garantir por quatro anos uma mensalidade de R$ 500.
Se o filho tiver 5 anos, poupe R$ 120 por mês; 10 anos, R$ 200.

Se o filho passar em uma pública, o dinheiro vai para outros planos. Outra opção é o estágio durante o curso. Mais uma saída: crédito educativo. O financiamento é atrativo, mas difícil de ser aprovado para classe média. Tem ainda o ProUni com bolsas para estudantes pobres. E, por fim, tentar bolsa total ou parcial.