Rita de Cássia Ribeiro tinha 17 anos quando se debruçava durante horas sobre os livros e se preparava para o vestibular de 2003 da primeira turma de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac). Hoje, aos 23 anos, e tendo sido é a primeira da turma, a menina não só cresceu no conhecimento como também na certeza de ter escolhido a profissão certa.

Na entrevista concedida em 2003 ao Jornal Página 20, Rita de Cássia ressaltava, em sua forma meiga e simples, a importância do estudo para quem almeja realizar um grande sonho. Hoje, seis anos depois e com a mesma meiguice, ela reafirma que ser médica foi um sonho acalentado desde criança.

No entanto, ao invés das dúvidas sobre quais questões seriam cobradas nas provas do vestibular, Rita de Cássia pensa atualmente em que especialidade seguir enquanto desenvolve a Clínica Médica.

Entre a clínica médica e a cirúrgica, ela optou pela primeira e ainda não decidiu se fará especialidade em Dermatologia ou Cardiologia. “Todas as áreas me encantam”, diz. Acriana de Rio Branco, Rita afirma que a paixão pela medicina foi acalentada desde a infância pelos exemplos refletidos de sua tia médica, Conceição e em sua pediatra Dilza Ribeiro.

Apesar de ter recebido o apoio total dos pais, o administrador Ronaldo José Freitas Pereira e a advogada Maria do Socorro Muniz de Oliveira, na escolha da profissão, ela diz que até hoje o casal prefere não dá palpite sobre suas decisões. Mesmo no que se refeder aos rumos da especialidade na medicina, a mãe continua afirmando que Rita é quem decide sobre o que é melhor para si.
A recém-formada médica acriana viajou ontem à tarde para Brasília, onde participará de um processo seletivo para fazer residência de Clínica Médica pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sendo aprovada, a filha de Ronaldo e Maria do Socorro vai passar três anos fora de casa. Ao retornar, ela irá engrossar a corrente dos profissionais que hoje escrevem a história de um novo tempo no sistema de saúde do Estado.

Aprendizado constante

O exercício da profissão, segundo Rita de Cássia, exige um constante aprendizado, já que a cada dia surgem novas técnicas de tratamentos e descobertas científicas sobre os mais variados setores e especializações da medicina. “Vejo o estágio que estou pleiteando como uma oportunidade de aprender mais e adquirir novas e boas experiências para prestar um bom trabalho para a população do meu Estado”, declara.

Ainda de acordo com ela, não é possível oferecer apenas o que se aprende na graduação, mas o que se aprende no dia-a-dia, principalmente em uma área onde o aprendizado é constante e cada hora surge uma novidade. No momento ela se dedica ao atendimento na área da atenção primária da saúde, que são os postos e centros, mas também volta seu tempo para os hospitais de grande porte de Rio Branco.

Rita de Cássia está feliz por já ter oferecido seu serviço como estagiária, e mais ainda agora, como médica graduada. Para ela, o setor de saúde cresceu com os investimentos feitos nos últimos tempos em relação à infra-estrutura e preparação de pessoal. Porém, a relação médico-paciente ainda é prioridade. “A saúde é o bem mais precioso do ser humano, e nós, médicos, temos a missão de estar junto dele nesses momentos críticos, acolhendo e ajudando da melhor forma possível”, enfatiza.

O ser humano acima da ciência

Rita de Cássia faz parte da nova geração de profissionais médicos que coloca o ser humano acima da ciência, isto é, que trás em sua formação a certeza de que a relação de respeito e o bom acolhimento são peças fundamentais para a melhoria da saúde do paciente. “Muitas vezes o simples fato da conversa com o médico já trás melhora para o paciente que chega emocionalmente abalado ao posto de saúde ou hospital”, garante.

Para ela, o médico tem o dever contínuo para ampliar seu conhecimento e relacionamento com os pacientes, ou seja, o investimento não deve acontecer apenas na área científica, mas na relação humana. Rita de Cássia, também já participou do Programa Saúde Itinerante, no qual pretende continuar em virtude da relação de estreitamento que o trabalho proporciona com a população.

Nesse período também, a médica visitou vários municípios e fez estágio rural. “Nesses seis anos fomos inseridos na comunidade muito precocemente com oportunidade de conhecer de perto as experiências”, ressalta. Como acadêmica, ela participou de cursos e congressos envolvendo o relacionamento médico e paciente no Hospital de Cardiologia de Curitiba, tendo ainda colhido experiências no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Rondônia.

Da turma de 40 formandos da Ufac, ela integra uma maioria que optou por exercer a profissão no Acre. Isso inclui os muitos acadêmicos que vieram de outros Estados e que fixaram residência na capital. Para os jovens que acalentam o mesmo sonho que ela tinha quando criança, a orientação é para que nenhum deles desista de estudar. “Não se trata de uma utopia. Quem sonha com essa formação deve persistir, se esforçar para alcançar os objetivos e colher os bons frutos da determinação”.