Após férias
prorrogadas estudantes retornam para escolas
esteticamente mais belas, repaginadas. O ambiente agradável reitera a
idéia de que é possível estudar bem nas escolas públicas. Indicadores
como Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mostram que, quando o ensino
é valorizado, a aprendizagem sai do papel e torna-se real.
A constatação, no entanto, não “passa a borracha” sobre as dificuldades e a constante necessidade da escola ser repensada, assim como as políticas públicas que as balizam . Ainda assim, a professora da rede pública estadual Maria Cristina Hortelan acredita no conteúdo trabalhado em salas de aula mantidas pelo poder público. E não apenas no discurso.
Seus dois filhos sempre freqüentaram escolas públicas e atualmente cursam o ensino superior também em universidades públicas. A caçula concluiu o ensino médio no ano passado e foi aprovada na Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Em meio a tantas críticas e dificuldades, as escolas públicas provam que possuem professores comprometidos. Continuam apresentando bons resultados. Precisam ser mais valorizadas. O ensino público ainda vale a pena”, diz. Seu filho, por exemplo, faz engenharia elétrica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), após estudar Colégio Técnico Industrial (CTI) Professor Issac Portal Roldan, mantido pela Unesp.
Por anos seguidos, o CTI permanece no topo das instituições mais bem pontuadas na cidade pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Já no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo Saresp 2007, as escolas de ensino fundamental de Bauru foram bem e obtiveram desempenho acima da média do Estado.
Conjunto
“Dá para melhorar muito, mas confio na escola pública”, afirma a dona de casa Rita de Cássia Barbosa. Ela tem um filho no ensino fundamental, uma filha no médio e o marido voltou às aulas pelo projeto Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Rita, porém, pondera que a boa aprendizagem depende de um conjunto de fatores, como dedicação de alunos, professores e participação dos pais. “Quando a direção consegue estabelecer disciplina, fica mais fácil para o professor ensinar”, analisa. Apesar de ter exemplos positivos em casa, conta que um sobrinho precisou transferir-se de escola porque o conteúdo ministrado numa delas era tão fraco que resultou no desinteresse da criança.
A importância da direção também foi ressaltada pela diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Bauru, Suzi da Silva. Para ela, a qualidade da educação ainda depende da equipe pedagógica e do envolvimento da comunidade. “Mas as condições que o governo do Estado dá são muito ruins. Ao mesmo tempo que as escolas têm autonomia para fazer determinadas coisas, não têm de fato”, critica.
De acordo com ela, em muitos casos, o consenso tirado pela comunidade escolar é desconsiderado pela Diretoria de Ensino. A situação frustraria todos os que precisam estar unidos em torno do projeto de educação.
“Também existem vários projetos que não foram discutidos com
a comunidade escolar. Os professores chegarão para trabalhar num
projeto que nunca tiveram contato”, avalia.
A reportagem tentou entrevistar diretores de escolas ou representantes da Secretaria de Estado da Educação na semana passada, mas foi informada pela assessoria de imprensa que todos estavam ocupados em torno da atribuição de aulas.
Pronto-socorro
Pode parecer óbvio apontar como escola boa aquela que prioriza o ensino. Mas não é. Muitas delas perdem o foco da educação e transformam-se num pronto-socorro da comunidade. Vice-coordenadora do curso de pedagogia da Unesp, Márcia Cristina Argente Perez conta sobre pesquisas em que mães apontam os avanços da escola pelo kit de higiene bucal recebido pelos filhos ou pelo material e agasalhos entregues.
Para elas, a formação fica em último plano. “Situa a escola como local onde se alimenta, onde pega material. A escola não está ali para doar. Claro que pode fazer isso. Mas fazem a diferença as escolas que colocam a questão do ensino como prioridade”, explica.Segundo Perez, a escola tem que ser viva no sentido de não se isolar da sociedade. “Muitas vezes a cultura da escola acaba sendo imposta sem se adequar à realidade desse aluno”, conclui.
A constatação, no entanto, não “passa a borracha” sobre as dificuldades e a constante necessidade da escola ser repensada, assim como as políticas públicas que as balizam . Ainda assim, a professora da rede pública estadual Maria Cristina Hortelan acredita no conteúdo trabalhado em salas de aula mantidas pelo poder público. E não apenas no discurso.
Seus dois filhos sempre freqüentaram escolas públicas e atualmente cursam o ensino superior também em universidades públicas. A caçula concluiu o ensino médio no ano passado e foi aprovada na Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Em meio a tantas críticas e dificuldades, as escolas públicas provam que possuem professores comprometidos. Continuam apresentando bons resultados. Precisam ser mais valorizadas. O ensino público ainda vale a pena”, diz. Seu filho, por exemplo, faz engenharia elétrica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), após estudar Colégio Técnico Industrial (CTI) Professor Issac Portal Roldan, mantido pela Unesp.
Por anos seguidos, o CTI permanece no topo das instituições mais bem pontuadas na cidade pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Já no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo Saresp 2007, as escolas de ensino fundamental de Bauru foram bem e obtiveram desempenho acima da média do Estado.
Conjunto
“Dá para melhorar muito, mas confio na escola pública”, afirma a dona de casa Rita de Cássia Barbosa. Ela tem um filho no ensino fundamental, uma filha no médio e o marido voltou às aulas pelo projeto Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Rita, porém, pondera que a boa aprendizagem depende de um conjunto de fatores, como dedicação de alunos, professores e participação dos pais. “Quando a direção consegue estabelecer disciplina, fica mais fácil para o professor ensinar”, analisa. Apesar de ter exemplos positivos em casa, conta que um sobrinho precisou transferir-se de escola porque o conteúdo ministrado numa delas era tão fraco que resultou no desinteresse da criança.
A importância da direção também foi ressaltada pela diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Bauru, Suzi da Silva. Para ela, a qualidade da educação ainda depende da equipe pedagógica e do envolvimento da comunidade. “Mas as condições que o governo do Estado dá são muito ruins. Ao mesmo tempo que as escolas têm autonomia para fazer determinadas coisas, não têm de fato”, critica.
De acordo com ela, em muitos casos, o consenso tirado pela comunidade escolar é desconsiderado pela Diretoria de Ensino. A situação frustraria todos os que precisam estar unidos em torno do projeto de educação.
A reportagem tentou entrevistar diretores de escolas ou representantes da Secretaria de Estado da Educação na semana passada, mas foi informada pela assessoria de imprensa que todos estavam ocupados em torno da atribuição de aulas.
Pronto-socorro
Pode parecer óbvio apontar como escola boa aquela que prioriza o ensino. Mas não é. Muitas delas perdem o foco da educação e transformam-se num pronto-socorro da comunidade. Vice-coordenadora do curso de pedagogia da Unesp, Márcia Cristina Argente Perez conta sobre pesquisas em que mães apontam os avanços da escola pelo kit de higiene bucal recebido pelos filhos ou pelo material e agasalhos entregues.
Para elas, a formação fica em último plano. “Situa a escola como local onde se alimenta, onde pega material. A escola não está ali para doar. Claro que pode fazer isso. Mas fazem a diferença as escolas que colocam a questão do ensino como prioridade”, explica.Segundo Perez, a escola tem que ser viva no sentido de não se isolar da sociedade. “Muitas vezes a cultura da escola acaba sendo imposta sem se adequar à realidade desse aluno”, conclui.


