Os candidatos a uma vaga na Universidade Estadual Paulista (Unesp) terão de enfrentar, a partir deste ano, um vestibular com duas fases. Além disso, os aprovados para a 2ª fase terão de responder a questões dissertativas de todas as disciplinas.

Outra novidade é que o resultado do Enem terá mais peso na nota final - de 4% para 10% da nota nos cursos em que não há prova de habilidades. A mudança foi aprovada nesta quinta-feira (19) pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da instituição.

A única alteração em relação à proposta original é que, em vez de a 2ª fase ser realizada em apenas um dia, será realizada em dois, totalizando três dias de provas. A diretora acadêmica da Fundação Vunesp, Tânia Azevedo, explica que o objetivo é aproximar a prova da realidade do ensino médio, cujo conteúdo é determinado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN?s).

As questões deixarão de ser divididas por matéria, valorizando a interdisciplinaridade, e serão organizadas em três eixos: linguagens, códigos e suas tecnologias (elementos de língua portuguesa e literatura, língua inglesa, educação física e arte); ciências da natureza, matemática e suas tecnologias (elementos de biologia, física, química e matemática); ciências humanas e suas tecnologias (elementos de história, geografia e filosofia). "A divisão da prova dissertativa por curso pode passar a mensagem errada de que determinadas disciplinas não são importantes para esta ou aquela carreira.

A universidade entende que todo o conteúdo da educação básica é importante para todas as carreiras, por isso, a prova de 2ª fase será
igual para todos os candidatos", diz Tânia.

Para o coordenador-geral do Curso Anglo, Nicolau Marmo, não é possível avaliar em igualdade de condições um candidato da área de humanas e outro da área de exatas, pois têm vocações diferentes. "Uma prova de matemática igual para todos não avalia bem nem os conhecimentos gerais de um candidato de humanas, nem os conhecimentos específicos de um candidato de exatas, que precisa ter boa base nessa disciplina.

Considero um retrocesso." Por sua vez, a coordenadora do Curso e Colégio Objetivo, Vera Lúcia Antunes, é favorável à mudança. "Hoje se exige do vestibulando formação mais ampla. Os alunos bem preparados não acham ruim."