Alguns significados do anúncio do fim do vestibular
Era possível ''pular'' a última série do primário, a 5ª série, pois era permitido a quem estivesse na 4ª série, se passasse no Exame de Admissão ao Ginásio, não cursar a 5ª série. Eu, por exemplo, não fiz a 5ª série, pois passei no exame de admissão após concluir a 4ª série. Quem concluía a 5ª série precisava fazer o exame de admissão, que era anual. Se não passasse, teria de ficar um ano se preparando (havia cursos preparatórios!) e só entrava no ginásio se passasse no tal exame. ''Passar no exame de admissão'' significava ter média para ser classificado conforme o número de vagas disponíveis. Do mesmíssimo jeito do atual exame vestibular.
Não sei a data exata do fim do Exame de Admissão ao Ginásio, mas deve ter mais ou menos uns 35 anos - época que coincide com a ampliação de vagas do antigo ginásio nas instituições públicas e privadas, medida que tem a marca da democratização do ensino para além do primário. Só para que entendam a dimensão do que digo: em 1965, não havia sequer um ginásio público em todo o sertão do Maranhão. Na capital, São Luís, eram pouquíssimos os ginásios, cursos científico, clássico, magistério e contabilidade em escolas públicas. Acho que só havia no Liceu Maranhense e na Escola Técnica Federal do Maranhão, na qual estudavam apenas homens.
Até a 3ª
série ginasial, estudei no Colégio Colinense (Colinas, MA), escola
particular católica, fundada pelo padre Macedo, tida como top de linha
no Maranhão. Tenho orgulho de ter estudado lá. São lembranças que
surgiram ao ler a notícia sobre a corajosa proposta do fim do
vestibular, anunciada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, a
quem cumprimento desejando-lhe muita garra para levar adiante a ideia e
com votos de que sobreviva ao fogo cruzado no qual se meteu. Para ser
franca, sequer consigo imaginar os zilhões de interesses de ordem
econômica e ideológica contrariados e que não vão deixar que a ousadia
''passe batido''.
A condição
legal no Brasil para o acesso à universidade é a conclusão do 2º grau.
O resto é tergiversação. Tal como o exame de admissão, o vestibular é
apenas um artifício, tal qual um funil para encobrir a falta de vagas
na universidade. Num olhar sem hipocrisia, urge entender que o
contingente de pessoas que conclui o 2º grau está apto a transpor as
soleiras da universidade, desde que assim o deseje.
As alegações de que o 2º grau é de baixo nível exigem medidas emergenciais, mas não podem ser impedimento para a entrada na universidade. A proposta evidencia que o governo Lula tem compromisso com a democratização da universidade. Substituir o vestibular por um processo seletivo inclusivo, social e racialmente, tendo como lastro a equidade, demonstra que o país assume demolir os entraves que impedem o acesso a todos os níveis do ensino. Trocando em miúdos, as cotas étnicas e outras modalidades de ação afirmativa devem ser a pedra de toque do processo seletivo como parte da reparação que o Brasil deve à população negra e indígena.
9 Comentários:
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Apr 12, 2009
Nota:
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Luisa disse:
bom...dizer q uma pessoa
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Apr 11, 2009
Nota:
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Francine disse:
Concordo com o Thomas ...
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Apr 11, 2009
Nota:
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Fernanda disse:
namoral , as cotas deveri
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Apr 11, 2009
Nota:
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Raquel disse:
Acho que o ministro Hadda
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Apr 11, 2009
Nota:
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Fabrício Toloczko disse:
Quero assinar em baixo do
Me desculpe senhora F A solução está na Inconsis Espero |
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Apr 11, 2009
Nota:
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Renato disse:
Complemento, conscientizo
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Apr 11, 2009
Nota:
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Mariana Souzas disse:
Excelentemente bem coloca
Disse tudo o qu |
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Apr 15, 2009
Nota:
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clovis gonçalves disse:
Comentário bom até onde
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Apr 11, 2009
Nota:
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thomas disse:
Muito bonito na teoria. M
Se eu mesmo me julgar in |



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