Débora Tavares, de 22 anos, nunca havia imaginado que a paixão por números a levaria para o caminho do mercado de resseguros. Fascinada por problemas e equações desde criança, ela deu o primeiro passo na direção desse campo de trabalho desconhecido de muitos ao escolher o vestibular de ciências atuariais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ao longo do curso, a jovem se debruçou sobre o conceito que evoluiu, basicamente, do cálculo de probabilidade do matemático francês Blaise Pascal, lá atrás no século 17, para o que hoje é um conjunto de técnicas específicas de análise de riscos e expectativas que norteiam a administração de seguros e fundos de pensão no mundo todo, além da atividade de resseguros.

"Sempre gostei de números, mas meu pai também me ajudou", revela Débora. O pai é executivo experiente da Azul Seguros no Rio de Janeiro. Ela aproveitou a "mãozinha" familiar para se preparar, ainda na universidade, para as oportunidades que a abertura do mercado de resseguros reservaria para uma atuária competente num futuro próximo.

Durante a graduação, além de priorizar cursos de línguas - Débora é fluente em inglês e é aluna de nível avançado de uma escola de espanhol -, a jovem estagiou na Superintendência de Seguros Privados (Susep) e na área de auditoria e consultoria atuarial da Ernst & Young. Ainda aluna, acompanhou a sanção da Lei Complementar 126 (marco da abertura do resseguro no País), de janeiro de 2007, e não pensou duas vezes em se inscrever no concurso do IRB-Brasil Re no mesmo ano. Passou, mas não pode começar a trabalhar. "Como estava no último semestre, precisei adiar minha posse e esperar o diploma sair", lembra.

Começou no então monopólio do resseguro brasileiro em janeiro do ano passado, para atuar como analista do departamento atuarial. Assistiu de um posto de observação privilegiado a todo o processo de abertura do mercado ressegurador do País, finalizado em 17 de abril de 2008. Hoje, com um ano de casa, Débora faz provisões técnicas
e cálculos contábeis. O IRB continua em seus planos, mesmo com a chance de ganhar muito mais em alguma das dezenas de empresas estrangeiras atraídas pelo potencial do negócio no Brasil. "Vejo muita perspectiva para mim no IRB. Neste momento, o conhecimento que adquiro aqui no dia-a-dia não terei em lugar nenhum", afirma Débora, assegurando que ainda não foi assediada por nenhum headhunter que acompanha o agitado movimento do mercado de trabalho do setor.

Apesar da estabilidade e segurança que tem como funcionária pública no IRB-Brasil Re, Débora Tavares está ampliando seus horizontes. Foi uma das primeiras a se matricular no primeiro MBA Executivo em Seguros e Resseguro, oferecido pela Escola Nacional de Seguros (Funenseg), no Rio. "É importante ir além dos números e do universo atuarial, que é um conhecimento muito específico, e conhecer melhor como o mercado funciona", afirma.