O Ministério da Educação (MEC) já bateu o martelo sobre o formato do novo vestibular para as universidades federais. Mas resta saber se a moda vai pegar. Em Minas, sete das 11 instituições de ensino superior estão em cima do muro e ainda não decidiram se embarcam ou não no processo seletivo unificado.

Às vésperas da reunião, marcada para o início desta semana, entre os reitores e o governo federal para definir a adesão das escolas, apenas as universidades federais de Juiz de Fora (UFJF), de São João del-Rei (UFSJ) e de Uberlândia (UFU) deram um sinal positivo para a mudança. Por enquanto, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) não vai adotar a mudança, pelo menos para o vestibular deste ano. Nas demais, permanece o cenário de dúvidas e incertezas, que só terá fim depois de votações dos conselhos acadêmicos, previstas para o início do mês que vem.

Mesmo entre as três instituições que aderiram à proposta do MEC de padronizar a seleção dos alunos por meio de uma nova versão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a adoção será parcial. Nas universidades de Juiz de Fora, São João del-Rei e Uberlândia, o teste unificado vai substituir apenas a primeira etapa dos exames e o candidato ainda vai poder optar pelo novo Enem ou pelo vestibular tradicional. Nesse caso, valerá a maior nota. Mas a segunda fase do processo seletivo, com testes elaborados pelas próprias escolas, continuará obrigatória para os alunos que disputam uma vaga.

O novo Enem também será aproveitado por essas instituições para preencher vagas ociosas geradas pela falta de candidatos aprovados no processo seletivo comum. No caso específico da UFSJ, haverá ainda uma reserva de vagas exclusivas para alunos que fizeram o exame proposto pelo MEC. Até 25% das cadeiras poderão ser preenchidas por esses estudantes, que serão dispensados de fazer a segunda etapa do vestibular. “A proposta de vestibular unificado é um avanço e os fundamentos do MEC são persistentes, mas ainda não temos informações suficientes para esclarecer todas as dúvidas.

Por isso, teremos cautela na adesão e vamos acompanhar o andamento desse projeto em todo o Brasil. A universidade já usava a nota do Enem para compor o resultado final do processo seletivo e agora vamos dar a opção para quem quiser substituir o vestibular pelo novo modelo do MEC”, afirma o reitor da UFSJ, Helvécio Luiz Reis.

De acordo com o pró-reitor de Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora, Eduardo Magrone, o novo modelo vai aumentar as chances de ingresso do aluno no ensino superior. “O estudante pode fazer o Enem e se inscrever normalmente no vestibular tradicional. Depois, ele escolhe a melhor nota para então disputar a segunda etapa. Não temos nenhuma posição contrária ao novo modelo proposto pelo MEC e há um clima positivo na universidade para evoluir as discussões para uma adesão mais completa nos próximos anos”, diz Magrone.

Em todas as três instituições, a manutenção da segunda fase do vestibular é apresentada como solução para garantir a qualidade na seleção dos alunos e para que questões regionais, normalmente cobradas nas provas, não se percam com a padronização do Enem. “A universidade tem suas características próprias e, como a adesão teve que ser feita muito em cima da hora, queremos manter as nossas especificidades. Assim, a segunda etapa é uma forma de determinar melhor o perfil do aluno e não fugir da proposta pedagógica da instituição”,
declara o reitor da UFU, Alfredo Júlio Fernando Neto.

DÚVIDAS Enquanto as outras sete universidades federais de Minas estão mergulhadas num mar de interrogações, os estudantes sofrem com a falta de definição sobre qual modelo de vestibular vão enfrentar no fim do ano. Insegurança à parte, os alunos se apegam aos pontos positivos do novo modelo do Enem, agora chamado de Sistema de Seleção Unificada. Além de privilegiar o raciocínio e a interpretação em vez da decoreba, a proposta também oferece mais mobilidade aos candidatos, que não precisarão mais viajar por todo o país para garantir uma vaga no curso superior. Com apenas uma prova, o candidato poderá concorrer em cinco universidades do Brasil.

Esse é um dos motivos que enche de esperança o jovem Douglas Rossi Botega, de 20 anos. De olho numa vaga de medicina, ele já teve que percorrer várias cidades de Minas, além do Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal, para fazer vestibulares. “Conheci grande parte do Brasil só fazendo provas.

Essas viagens já me custaram mais de R$ 1 mil, fora o cansaço, o desgaste e a ansiedade pelo medo de atrasar no caminho e perder uma prova. Vai ser ótimo não ter que passar horas em ônibus e aviões, mas tenho medo de esse novo modelo aumentar muito a concorrência, que agora passará a ser nacional. Enquanto as universidades não definem sobre a adesão, eu estou pegando pesado nos estudos. Quem estiver preparado vai se dar bem em qualquer tipo de prova”, espera Douglas.