Provas do Enem podem se tornar a principal porta de entrada para as universidades. Alunos, instituições de ensino e educadores de Joinville aprovam a proposta do MEC de unificar o sistema.

No ano passado, a joinvilense Cindy Matsumoto, 15 anos, viajou duas vezes a São Paulo para fazer o vestibular da Fuvest. Em 2009, ela se inscreveu em seis – todos para medicina. Se for fazer todas essas provas, ela terá que encarar cerca de 60 horas de testes, fora as cansativas viagens. “Cansa bastante”, concorda ela.

Toda essa maratona pode mudar se o novo Enem, proposto no mês passado pelo Ministério da Educação, começar a ser adotado ainda neste ano. Universidades federais de todo o Brasil teriam a mesma prova, na mesma data e horário. Seria uma espécie de vestibular unificado.

Assim, morando em Joinville e sem sair da cidade, Cindy poderia fazer apenas uma prova e concorrer a vagas em até cinco instituições de qualquer parte do País. Tem mais: o formato da prova, a maneira como ela avalia os alunos, também deverá mudar. As universidades que optarem pelo novo sistema deverão aderir nos próximos dias, para ter tempo hábil de organizar o seu processo de seleção.

A maior mudança já feita no concurso desde 1911, quando ele surgiu no Brasil, ainda deixa as instituições em dúvida sobre a melhor alternativa. Afinal, a proposta envolve, entre outros fatores, orçamento. O vestibular é o filão especialmente das universidades públicas. É um dinheiro que entra quase “limpo”. Cerca de R$ 200 milhões/ano, calculam os reitores de universidades federais de todo o País.

O governo promete reembolsar essa grana que pode ser “perdida” se as federais adotarem o novo Enem. A possibilidade anima os reitores. Num ponto há acordo: os melhores alunos irão para as melhores universidades, com menos “obstáculos”.

A maioria das universidades federais é a favor da mudança. De 51 reitores, 48 pretendem adotar o novo modelo. Mas ainda não se sabe exatamente quando, nem como. A UFSC, única federal de Santa Catarina, vai usar o Enem como parte da seleção. Pelo
menos neste ano, ele não deve substituir totalmente o vestibular.

Segundo o reitor da UFSC, Álvaro Prata, há duas alternativas. A primeira é pesar o Enem na pontuação final do candidato – como se fosse uma parte da prova. A outra hipótese é usar o Enem como primeira fase do vestibular, eliminatória. Um formato semelhante ao que a Udesc (pública estadual) já usa. Vestibulares importantes do País como a Fuvest também já têm essa prática – mas não usando o Enem como parâmetro.

Para os próximos anos, há ainda outras possibilidades, levantadas pelos reitores, em Brasília. Uma delas é usar o Enem como fase única para as vagas ociosas, após o vestibular. E a mais radical: substituindo o vestibular.

As universidades estaduais, fundações e particulares, no geral, apoiam a ideia. Mas ainda não sabem se e como poderiam aderir.