Agora que você já reconhece os perigos que o fenômeno moderno representa para jovens conectados, entenda o que fez do termo “figurinha fácil” em bibliotecas reais e virtuais em todo o mundo. Segundo a autora de Presas na Teia e co-autora do livro on-line Para Entender a Internet, Rosana Hermann, ninguém está imune à ameaça, “mas quanto mais a pessoa se expõe, quanto menos consciência ela tem dessa exposição, maior o risco”.

Conexão Professor (CP) - Que formas de violência, ameaça ou assédio circulam pela rede?

Rosana Hermann - A rede é feita de pessoas e reflete todos os problemas e desvios de conduta da vida real, com alguns elementos característicos da rede. Existem ataques anônimos e assinados, individuais e coletivos, contra pessoas e instituições. Acontece contra pessoas comuns e com celebridades, nacionais e mundiais.

CP - Como o “cyberbullying” afeta as crianças e os adolescentes?

Rosana Hermann - Se para os adultos é difícil enfrentar situações de ofensa, pressão, humilhação e ameaças, imagine o que isso pode causar para uma pessoa com personalidade em formação, como um jovem ou mesmo uma criança. Pode ser algo devastador. Pode comprometer o bem-estar, o equilíbrio físico e mental de uma criança.

CP - Quem está mais vulnerável?

Rosana Hermann – De certo modo, todos nós estamos. Mas quanto mais a pessoa se expõe, quanto menos consciência ela tem dessa exposição, maior o risco.

CP - Como identificar e buscar ajuda?

Rosana Hermann - Ainda é muito difícil identificar os agressores. Embora toda máquina tenha um endereço IP e tenha acesso à rede através de um provedor de acesso, esses provedores não quebram o sigilo, não fornecem dados, não colaboram de fato.

CP - Por que as salas de conversação são tão perigosas? Que tipos de armadilhas mais comuns são utilizados na agressão pela internet?

Rosana Hermann - Os agressores fingem,
mentem, dissimulam, disfarçam, enganam. Usam todos os subterfúgios para aliciar as pessoas. Via de regra, não se deve acreditar em tudo nem em todos.

CP - Que medidas devem ser tomadas pelos pais para reduzir os riscos de “cyberbullying”?

Rosana Hermann - Os pais devem conversar sobre o assunto com a criança, não com broncas e repreensões, mas tentando identificar se algo errado está acontecendo. E, se estiver, é preciso que a criança conte exatamente o que está acontecendo para que os pais possam tomar providências junto à polícia e outros órgãos que punem este tipo de ação.

CP - Qual o papel da orientação escolar no controle da síndrome?

Rosana Hermann - Crianças são muito transparentes. Se há algo errado, se ela não quer mais ir à escola, se está diferente, vale a pena procurar a fonte.