A reforma começará pelas 100 escolas com as menores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na lista não há nenhuma do Rio. As unidades que aderirem ao novo Ensino Médio terão que ampliar a carga horária mínima para 3 mil horas — um aumento de 200 horas a cada ano.
A reforma é a saída encontrada pelo MEC para tentar conter a evasão escolar, preparar melhor os alunos para o Enem que deverá substituir o vestibular nas universidades federais e amenizar o déficit de professores.
GRADE PERSONALIZADA
Outra
mudança é oferecer ao aluno a possibilidade de escolher 20% da carga
horária e grade curricular, dentro das atividades oferecidas pela
escola, que podem ser projetos, oficinas, atividades culturais ou
práticas em laboratório. “Os estados que aderirem receberão ajuda
técnica e financeira”, diz o coordenador-geral do Ensino Médio do MEC,
Carlos Artexes. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas revelou que a falta
de motivação é a principal causa de abandono apontada por 40% dos
brasileiros de 15 a 17 anos que pararam de estudar.
A novidade
dividiu a opinião de estudantes. “A qualidade do ensino pode piorar se
ficar muito superficial”, desconfia Patrícia Pimentel, 17, 3º ano do
Centro Educacional da Lagoa (CEL). Seu colega Gabriel Magnan, 18, acha
a mudança positiva: “É mais fácil aprender assuntos que estão próximos
da nossa realidade”. Lucas Martins, 16, do 2º ano do CEL, concorda: “Se
o Enem substituir o vestibular, a gente vai estar mais adaptado à
prova, que não é dividida por matérias”.
RESISTÊNCIA
A reforma curricular que deverá ser aprovada em junho pelo CNE enfrenta resistência do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe). “É um retrocesso que não vai resolver o problema da educação pública. Só vai tentar esconder a escassez de professores, que, por falta de condições, estão abandonando o magistério”, critica a coordenadora do Sepe Maria Beatriz Lugão. Aluno do Colégio Estadual Amaro Cavalcante, no Largo do Machado, Cristian Félix, 17 anos, gostou da ideia: “A gente aprende muita coisa que nunca vai usar. Seria menos chato se os assuntos estivessem ligados ao dia a dia”


