O Ministério da Educação já fez a proposta do novo Enem, e várias universidades já manifestaram seu desejo de usar a prova. Saem as disciplinas tradicionais e entram áreas mais amplas de conhecimento.

E agora? Cursinhos procurados pelo caderno Vestibular não planejam fazer adaptações em seus materiais didáticos e no modo de trabalhar os conteúdos em sala de aula – pelo menos por enquanto. As instituições ressaltam que não há motivos para os estudantes se assustarem, pois há muito tempo os pré-vestibulares já contextualizam os conteúdos e discutem temas multidisciplinares, duas características marcantes do Enem e que devem permanecer após a reformulação da prova.

“O vestibular veio sofrendo transformações ao longo dos últimos anos e as escolas foram se adaptando”, afirma o diretor das sedes do Curso Positivo, Alceu Gnoatto. Desde 2006, a Fuvest, responsável pela elaboração do vestibular da Universidade de São Paulo (USP), tem 10% da prova da primeira fase reservada a questões interdisciplinares, em que os assuntos de diferentes disciplinas aparecem relacionados. Já as perguntas da primeira fase da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo, são contextualizadas e separadas por editorias (“Mundo”, “Meio ambiente”, “Política”), como se a prova fosse um jornal.

Programa da prova

O Curso Positivo aguarda a divulgação do programa do novo Enem e um posicionamento oficial da UFPR para definir mudanças na preparação dos alunos – o conselho universitário da Federal deve decidir amanhã como será sua forma de adesão à prova do MEC. Segundo Gnoatto, as particularidades do Enem já são trabalhadas de forma pontual pelo pré-vestibular.

O Positivo organiza ao longo do ano grandes encontros, chamados de Super-Revisões, para reforçar de forma criativa os conteúdos que foram vistos em sala de aula e mostrar como as matérias podem ser aplicadas na vida real. Gnoatto também afirma que o material didático procura relacionar alguns conteúdos, mas diz que talvez seja preciso ampliar essa característica. “Hoje, com essa mudança que o MEC está propondo, teremos de trabalhar melhor os conteúdos interdisciplinares em sala de aula. Mas eu não acredito numa grande mudança, porque o MEC afirmou que o novo Enem vai cobrar conteúdo também”, avalia.

O diretor da unidade Comendador Araújo do pré-vestibular Expoente, Renaldo Franque, também diz que a escola está preparada para as mudanças. De acordo com ele, os professores trabalham de forma integrada e as apostilas trazem exercícios do Enem. Franque diz que a maior dificuldade será adaptar a programação do cursinho ao calendário da prova. “Se o exame for mesmo nos dias 4 e 5 de outubro, como anunciou o MEC, precisaremos acelerar os conteúdos, para apresentá-los aos alunos até esta data”, observa.

Segundo o professor de História e diretor do Curso Dom Bosco, Ari Herculano de Souza, o pré-vestibular organiza todo bimestre um simpósio para trabalhar de forma interdisciplinar assuntos da atualidade, como ética, biodiesel ou aquecimento global. “Pegamos um determinado tema e fazemos um simpósio com três ou quatro professores de disciplinas diferentes. Se o tema for biodiesel, o professor de Geografia pode falar sobre políticas governamentais na área de biotecnologia, enquanto o professor de Português trabalha com a linguagem científica”, exemplifica. Ele afirma que a direção do cursinho também orienta os professores a relacionarem as disciplinas, sempre que possível, em sala de aula.

UFPR

Os cursinhos ressaltam que não será feita nenhuma mudança na metodologia de ensino até que a UFPR se posicione sobre a proposta do MEC. Airton Francisco Surdi, um dos diretores do Curso Decisivo, avalia que ainda é cedo para definir alterações nas apostilas e na postura dos professores. “É importante que a universidade se manifeste para que façamos alguma adaptação, se é que já não estamos adaptados. Eu penso que já estamos há muito tempo no caminho correto”, avalia.