Por: Jornal do Comércio
Marina Carvalho e
Mariana Medeiros sabem como água e sal pode revelar se a gasolina do
posto onde os pais delas abastecem o carro está adulterada. As duas têm
16 anos e mostraram a experiência aos colegas do 2º ano do ensino médio
durante a aula de química.
Vivências como essa ajudam a entender a
proposta do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a nova porta de
entrada para a universidade pública. Na segunda reportagem da série
sobre as disciplinas que aparecem na prova, saiba por que compreender
os fenômenos químicos faz a diferença na avaliação.
Amanhã, o tema é
biologia. Misturando 10 mililitros de gasolina com água salina, as
alunas descobriram que 3 mililitros do combustível era etanol. É que o
cloreto de sódio, mais conhecido como o bom e velho sal de cozinha, "puxa" o álcool para a água, separando-o da gasolina.
Realizando uma
simples operação matemática, chegaram ao percentual de 30% de álcool, o
que está acima dos 25% permitidos pela legislação brasileira. "Esta
amostra está adulterada", concluíram as estudantes. O experimento
interdisciplinar - que usou conhecimentos químicos e matemáticos - nada
mais é do que uma aula sobre soluções. E uma aula mais interessante,
diga-se de passagem.
"Dessa maneira, os alunos chegam ao 3º ano sabendo
que a química tem uma função. Assim, respondemos à grande dúvida deles:
para quê serve a química", conta o professor Gustavo Holanda, que
ensina a matéria no Colégio Motivo, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife.
Marina e Mariana vão prestar vestibular para direito, mas nem por isso
são menos curiosas sobre a química. "Aprender na prática é muito
melhor, chama a atenção e agente se identifica com o assunto. Ficar só
na teoria é muito chato", comenta Marina. "E agora isso vai nos ajudar
muito no Enem", conclui Mariana. Vestibulandos também precisam ficar
ligados em novas tecnologias. Segundo o professor, novidades em
alimentos, saúde e meio ambiente envolvem química.
"Remédio é química.
Todo mundo usa celular ou notebook, cujas baterias contém lítio e
funcionam por meio de reação química. A reação das enzimas com os
alimentos são bioquímica", enumera. Outro tema em evidência é o de
biocombustíveis. Gustavo Holanda crê que o aluno que lê naturalmente e
assiste a bons programas não deve ter dificuldade em identificar
fenômenos como esses no Enem.
Depois de fazer intercâmbio em uma escola
dos Estados Unidos, o vestibulando Matheus Rocha Araújo, 18, sente-se
preparado para encarar o Enem. Lá, realizava experiências em quase
todas as aulas de ciências, o que tornou o aprendizado mais divertido. "Sou curioso e sempre gostei de saber como e por que as coisas
acontecem. Espero o melhor desse vestibular", confia.
Mas o fera de
medicina não dispensa o mergulho nos livros didáticos, pois acredita
que eles dão base mais sólida. A relação de química com física e
biologia estará cada vez mais explícita no exame nacional. As três
disciplinas fazem parte de uma mesma área de conhecimento delimitada
pelo Enem. Compõem a área de ciências da natureza e suas tecnologias,
que corresponde a um quarto das questões da prova objetiva.
O teste
promete explorar temas como desenvolvimento científico, conservação do
ambiente, biotecnologia e uso da ciência para solucionar problemas
sociais e econômicos. Das 10h às 12h de hoje o Conselho Estadual de
Educação promove seminário sobre os impactos do Enem nos sistemas de
ensino.