Legislação ambiental, história contemporânea, ditaduras da América Latina. Os assuntos, divulgados na semana passada pelo Ministério da Educação (MEC), fazem parte dos conteúdos que serão exigidos neste ano no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O problema é que as questões fazem parte de uma realidade recente na educação e sequer estão presentes na maioria dos livros do ensino médio. Para cumprir todo o cronograma do Enem até o dia 3 de outubro, primeiro dia de realização da prova, os feras pernambucanos estão correndo contra o tempo.

Segundo professores entrevistados pelo Diario, o segredo para não fazer feio no exame que vai substituir de forma total ou parcial o vestibular das universidades federais do estado (UFPE/UFRPE/Univasf) é deixar a preguiça de lado. A dica é buscar atualização através de jornais, revistas, sites da internet e até nos livros do ensino superior após as aulas.

A disciplina com mais assuntos novos é biologia. Na parte de ecologia, por exemplo, serão cobradas questões de noções de legislação ambiental, que antes só eram abordadas nos cursos superiores. Problemas sociais que eram citados "en passant" durante as aulas, como obesidade e gravidez na adolescência, agora ganharam destaque e precisam ser entendidos.

"Tanto a gravidez na adolescência quanto a obesidade aparecem com frequência nas reportagens de jornais e revistas nacionais. Quanto aos assuntos de legislação e tecnologias ambientais, o ideal é que os alunos pesquisem nos sites de universidades que já publicaram trabalhos acadêmicos a respeito dos temas", explica o professor de biologia do Colégio Santa Maria, Antônio Gouveia.

É assim que o fera de administração Lucas Ávila, 18 anos, está se preparando para o teste nacional. "Por mais que alguns professores tenham falado a respeito das revoltas na América Latina, esse assunto ainda é abordado de forma superficial nos livros. Estou estudando parte desse conteúdo pela Wikipédia (enciclopédia virtual)", justifica. Mas nem toda informação desse site é confiável, alertam os docentes.

Como a Wikipédia é feita por textos de diversos internautas/colaboradores, o conteúdo pode não ser o mais seguro, já que apresenta várias versões. "Os alunos precisam observar a coerência. Além da enciclopédia virtual, há outras fontes mais confiáveis como os sites oficiais de jornais e revistas e portais de informação com credibilidade", destaca o professor de geografia do Colégio Equipe, José
Robinson Dantas.

Cotidiano - Além de biologia, as questões de geografia e história do Enem também trarão assuntos que ainda não chegaram às apostilas. Crise econômica mundial, conflitos do Oriente Médio e produção de petróleo no país são conteúdos dados praticamente como certos no exame. "Procuro acompanhar tudo o que acontece no mundo, todos os dias. Afinal, a prova do Enem faz questão de trabalhar o conhecimento geral do aluno, não apenas as fórmulas e datas.

Vai se dar bem quem tem visão de mundo e souber os fenômenos que acontecem no dia a dia", aposta a estudante Juliana Cristina Costa, 17, fera de direito do Colégio Atual. Entender os fenômenos do cotidiano, aliás, é a proposta da matriz da área 3 (ciências da natureza e suas tecnologias, que engloba as matérias de química e física).

Os livros do ensino médio são repletos de fórmulas, mas poucos exemplificam suas aplicações. A solução sugerida pelos professores é pesquisar em obras dos cursos superiores.