A UFPR não espera um aumento no número de candidatos de outras regiões do país. Como a universidade optou por utilizar o Enem combinado ao atual vestibular, ela não poderá participar do Sistema de Seleção Unificada, que vai permitir a inscrição on-line dos alunos em até cinco cursos e instituições de ensino. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), apenas as universidades que usarem o Enem como única forma de acesso ou para preencher as vagas remanescentes serão incluídas no processo informatizado. “O aluno que quer entrar na Federal terá que se inscrever aqui mesmo. Em nossa avaliação, temos de atender prioritariamente à nossa comunidade”, observou o reitor.
Com a decisão de não extinguir o vestibular tradicional, a UFPR continuará recebendo as taxas de inscrição para o concurso, que no ano passado somaram R$ 3 milhões (foram 43 mil inscritos pagantes e a taxa foi de R$ 70). Segundo o coordenador do Núcleo de Concursos da UFPR, Raul Von Der Heyde, a ideia de que a taxa gera receita é um mito. “Usamos a totalidade desses recursos para pagar as despesas do processo de seleção”, disse.
O reitor da UFPR explicou que a universidade ainda não decidiu se a participação no Enem será obrigatória ou se os candidatos poderão optar por utilizar ou não a nota do exame no processo de classificação. A questão será discutida pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade e uma resposta deve ser dada até o fim de junho. Se a obrigatoriedade for aprovada, estudantes de municípios onde o Enem não é aplicado podem ser prejudicados. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), dos 399 municípios do Paraná, apenas 79 realizam a prova. Em todo o Brasil, 1.619 cidades fazem o exame, de um total de mais de 5 mil.
A proposta de utilizar o Enem como 10% da nota do candidato foi apresentada por uma comissão encarregada de elaborar um parecer da universidade. Segundo membros do Coun, nenhuma contraproposta foi debatida ontem. Akel ressaltou que a mudança não provocará alterações no calendário do vestibular. A primeira fase, composta por 80 questões, está prevista para 15 de novembro. A segunda, para os dias 6 e 7 de dezembro. O período de inscrições deve começar em agosto.
Autonomia
Cada uma das 55 universidades federais poderá escolher se irá aderir ao Enem e de que forma utilizará o exame em seu processo seletivo. Há quatro possibilidades: usar o Enem como fase única; como primeira fase do processo seletivo; como fase única para preenchimento de vagas ociosas; ou como porcentagem da nota final do candidato. Até ontem à tarde, segundo o MEC, 30 instituições comunicaram que iriam substituir seus processos seletivos ou utilizar o exame como primeira fase. Cinco instituições optaram por utilizar a nota do Enem 2009 como porcentual da nota de seus vestibulares.


