Há aproximadamente uma década, a mãe e o padrasto de Cindy Nicole Bonfim Cristo decidiram criar um fundo para financiar a faculdade da filha. Agora, aos 18 anos, a estudante não precisa mais se preocupar com os gastos que terá na graduação.

“Quero fazer duas faculdades ao mesmo tempo. Vou prestar vestibular para ciências sociais na UFPR e para direito nas particulares”, conta Cindy.
Quando a aprovação em uma faculdade ou universidade pública não vem, ou o curso escolhido só é ofertado por uma particular, a família precisa se programar para bancar anos de mensalidades que muitas vezes ultrapassam R$ 1 mil.

Os cursos com as prestações mais caras são, em geral, os da área de ciências biológicas e da saúde, como medicina, odontologia e farmácia, mas as graduações do setor de ciências exatas e de tecnologia também apresentam mensalidades salgadas.

Segundo o Censo da Educação Superior de 2007, cerca de 75% dos quase 5 milhões de universitários brasileiros estão matriculados em instituições pagas.

“O meu objetivo era passar na UFPR. Tentei duas vezes e não passei. Eu já estava com 20 anos, por isso meus pais decidiram fazer um sacrifício e pagar uma particular para mim”, afirma uma aluna do 6º ano de medicina da Faculdade Evangélica do Paraná, que preferiu não se identificar.

A estudante paga quase R$ 2 mil por mês, o menor valor cobrado por um curso de medicina em Curitiba. “Escolhi a Evangélica não só pela mensalidade, mas pelo conceito que ela tem”, ressalta.

O modelo de poupança familiar, muito comum nos Estados Unidos, mas ainda incipiente no Brasil, também foi colocado em prática por Ana Kira de Souza Silva, 45 anos.

“Estou fazendo uma poupança para o meu filho, que tem 12 anos. Começamos a juntar R$ 100 por mês desde que ele nasceu. Se ele passar na Federal, poderá comprar um carro. Se entrar em uma particular, o dinheiro servirá para pagar a universidade”, afirma.

Valores e seguro

Segundo a lei federal nº 9.870, de 1999, o valor das anuidades ou semestralidades escolares deve ser divulgado em local de fácil acesso ao público, pelo menos 45 dias antes da data final para a matrícula. As faculdades e universidades particulares costumam colocar essas informações em seus sites.

Para garantir que o estudante possa fazer um curso superior em uma instituição
privada, bancos e seguradoras oferecem há alguns anos a previdência educacional. De acordo com a diretora da unidade de benefícios da Bergus Corretora de Seguros, Elisângela Moes, geralmente se paga uma quantia mensal e, quando o contrato chega ao fim, retira-se o dinheiro também em parcelas mensais, durante alguns anos, ou de uma única vez.

Segundo a diretora, outra opção oferecida pelas instituições financeiras é o seguro educacional. Nesse caso, o contratante arca com um valor mensal e, no caso de imprevistos, como desemprego involuntário ou falecimento do responsável pelo pagamento das mensalidades, a seguradora banca os estudos do dependente.
“No momento da contratação, você pode escolher se deseja o pagamento de doze mensalidades ou a quitação do curso, para o caso de morte.

Quando há desemprego, são pagas no máximo 5 ou 6 mensalidades”, afirma. No entanto, apenas as instituições de ensino podem contratar esse seguro e os estudantes interessados devem verificar se a faculdade oferece o serviço.