Primeira estrutura de governo colonial - extremamente descentralizada - implantada pela metrópole para funcionar em todo o território brasileiro. Em 1532, dom João III anuncia a intenção de dividir a colônia em 15 amplas faixas de terra e entregá-las a nobres do reino, os capitães donatários, para povoá-las, explorá-las com recursos próprios e governá-las em nome da Coroa.


Essas faixas são de largura bastante diversa, podendo variar de 150 a 600 quilômetros, e estendem-se do litoral para o interior até a linha imaginária de Tordesilhas. Entre 1534 e 1536, dom João III implanta 14 capitanias, concedidas a 12 donatários, que se vieram somar àquela doada em 1504 a Fernão de Noronha pelo rei dom Manuel.

Direitos e deveres

Nas Cartas de Doação é fixado o caráter perpétuo e hereditário das concessões. Em troca do compromisso com o povoamento, a defesa, o bom aproveitamento das riquezas naturais e a propagação da fé católica em suas terras, o rei atribui aos donatários inúmeros direitos e isenções.

Cabe aos donatários distribuir sesmarias - terras incultas ou abandonadas - aos colonos, fundar vilas com as respectivas câmaras municipais e órgãos de justiça, além do direito de aprisionar índios. São também isentos do pagamento de tributos sobre a venda de pau-brasil e de escravos.

O sistema de capitanias implantado no Brasil não é original. Baseia-se em experiências anteriores de concessão de direitos reais à nobreza para engajá-la nos empreendimentos do Estado português nas Índias, na África, nas ilhas do Atlântico e no próprio reino.


  • Criar vilas e distribuir terras a quem deseja-se cultiva-las.
  • Exercer plena autoridade no campo judicial e administrativo, podendo inclusive autorizar pena de morte.
  • Escravizaros índios, obrigando-os a trabalhar na lavoura. Também podiam enviaríndios como escravos para Portugal, até o limite de 30 por ano.
  • Receber a vigésima parte dos lucros sobre o comércio do Pau-Brasil.
  • O donatário era obrigado a entregar 10% de todo o lucro sobre os produtos da terra ao rei de Portugal.
  • 1/5 dos metais preciosos encontrados nas terras do donatário deveria ser entregue a coroa portuguesa.
  • O monopólio do Pau-brasil.

Falência do sistema

Em sua maior parte, as capitanias brasileiras não conseguem desenvolver-se por falta de recursos ou por desinteresse de seus donatários. No final do século XVI, apenas as capitanias de Pernambuco (de Duarte Coelho) e de São Vicente (de Martim Afonso de Souza) alcançam certa prosperidade com o cultivo da cana-de-açúcar. É esse quadro pouco animador que leva a Coroa portuguesa a instituir, em 1548, um governo mais centralizado e capaz de uma ação mais direta - o governo-geral. No século XVII, outras capitanias são criadas para ocupar a Região Norte.

Cada vez mais enfraquecidas e progressivamente retomadas pela Coroa, as capitanias são extintas em 1759. Mas deixam sua marca na ocupação do território, sobretudo da faixa litorânea, e na formação política do país. Além de fixar o nome de muitos dos atuais estados brasileiros, as capitanias dão origem a uma estrutura de poder regional que ainda se mantém atuante.

Aspectos Principais 

Expedição de Martin Afonso de Souza, foi a primeira atitude de Portugalpara começar a colonização. Funda-se a primeira vila (São Vicente),monta-se o primeiro engenho, traz-se as primeiras reses (animais),características:

Foi a primeira expedição colonizadora;
Interiorizou a ação lusa;
Introduziu o gado;
Percorreu o litoral norte-sul;
Fundação de São Vicente;
Introduziu a cana de açúcar;
Instalou o primeiro engenho, era do rei, tinha plantação de cana de açúcar e moenda (engenho); 

Contexto Externo 

Portugal está em crise por causa do Tratado de Saragoça, no qual  perdeas rotas orientais, rota às Índias em 1529;
A experiência de sucesso do açúcar nas ilhas do Atlântico e aexperiência de capitanias hereditárias nas ilhas de Açores e Madeira;
O fato do Reino da Espanha encontrar riquezas (ouro, prata , bronze epedras preciosas) na região do México, Peru e Bolívia estimula Portugalà busca no Brasil;
Os francos ameaçavam a soberania lusitana no território brasileiro. 

Capitanias 

Criadas em 1534;
15 faixas desiguais para 12 pessoas (capitães);
O Estado Luso era pobre e pretendia transferir o ônus da colonização para a iniciativa privada;
A Capitania de Pernambuco dá certo pois estava veiculada com o mercado externo;

A Capitania de São Vicente ( São Paulo) não era ligada com o exterior,tinha ataques e influência dos índios, mas através do Tietê se consegueexpandir o mercado, faz a preação dos índios, prende os índios,escravizando-os e encontra ouro de aluvião, adentra para o interioratravés do Tietê, por isso deu certo;

As Capitanias foram de extrema importância porque garantiram o direitoluso sobre a terra, garantiram a soberania lusa, expulsaram osinvasores; 

Fracasso das Capitanias Hereditárias  

OFracasso da maioria das Capitanias Hereditárias, com exceção das de SãoVicente e de Pernambuco, que eram governadas pelos capitães donatáriosMartin Afonso de Souza e Duarte Coelho, respectivamente, estárelacionada com os fatos:  

- a falta de capitais tanto privados como estatais;
- desentendimentos internos;
- inexperiência administrativa dos capitães donatários
- ataques dos silvícolas ( índios);

Fator Geográfico: eram grandes propriedades difíceis de seremcontroladas politicamente e militarmente ( extensão do território) e ascapitanias não respeitavam os limites geográficos;

- falta de incentivo  do reino luso ( Descentralização do poder real);
- distância do Reino Português ( Açores e Madeira eram perto de Portugal);
- extensão litorânea exposta ao ataque de estrangeiros;
- Descentralização do Poder Real;

Fator Climático: os lusos não se adequaram ao clima dos trópicos, eramuito calor e desestimulava de certa forma o trabalho e não souberamaproveitar o sistema de chuvas;
- Falta de integridade nacional, eram extensas e sem comunicação interna;
- Não seguiram o molde das prósperas capitanias que era combinar aatividade açucareira e um contato menos hostil com as tribos indígenas. 

Aocontrário do pensamento mercantilista dos lusos as capitanias setornaram onerosas e inúteis. O Estado, então, compra e substitui muitasCapitanias.  

Sucesso Relativo 

Pernambuco  

Capitão Donatário: Duarte Coelho;
Investimentos de capitais flamengos ( holandeses);
Produção de Cana-de-Açúcar;
Escravidão Vermelha ( indígena) inicialmente como mão de obra naindústria da cana-de-açúcar e posteriormente escravidão negra ( mão deobra mais eficiente, porém mais cara).

São Vicente 

Capitão Donatário: Martin Afonso de Souza;
Foi responsável pela interiorização do território;
Busca do ouro ( achavam ouro de aluvião);
Preação do bugre ( índio);
Vicentinos: indigenização ( viviam como índios).

Capitania Limites aproximados Donatário
Capitania do Maranhão (primeira secção) Extremo leste da Ilha de Marajó (PA) à foz do rio Gurupi (PA/MA) João de Barros e Aires da Cunha
Capitania do Maranhão (segunda secção) Foz do rio Gurupi (PA/MA) a Parnaíba (PI) Fernão Álvares da Cunha
Capitania do Ceará Parnaíba (PI) a Fortaleza (CE) Antônio Cardoso de Barros
Capitania do Rio Grande Fortaleza (CE) à Baía da Traição (PB) João de Barros e Aires da Cunha
Capitania de Itamaracá Baía da Traição (PB) a Igaraçu (PE) Pero Lopes de Sousa
Capitania de Pernambuco Igaraçu (PE) à foz do Rio São Francisco (AL/SE) Duarte Coelho Pereira
Capitania da Baía de Todos os Santos Foz do Rio São Francisco (AL/SE) a Itaparica (BA) Francisco Pereira Coutinho
Capitania de Ilhéus Itaparica (BA) a Comandatuba (BA) Jorge de Figueiredo Correia
Capitania de Porto Seguro Comandatuba (BA) a Mucuri (BA) Pero do Campo Tourinho
Capitania do Espírito Santo Mucuri (BA) a Cachoeiro de Itapemirim (ES) Vasco Fernandes Coutinho
Capitania de São Tomé Cachoeiro de Itapemirim (ES) a Macaé (RJ) Pero de Góis da Silveira
Capitania de São Vicente (primeira secção) Macaé (RJ) a Caraguatatuba (SP) Martim Afonso de Sousa
Capitania de Santo Amaro Caraguatatuba (SP) a Bertioga (SP) Pero Lopes de Sousa
Capitania de São Vicente (segunda secção) Bertioga (SP) a Cananéia/Ilha do Mel (PR) Martim Afonso de Sousa
Capitania de Santana Ilha do Mel/Cananéia (SP) a Laguna (SC) Pero Lopes de Sousa