Depois de provocar muita correria e poucos debates nas universidades federais, o novo Exame Nacional do Ensino Médio [Enem] vai, aos poucos, sendo finalmente definido pelo Ministério da Educação [MEC]. O número de questões foi estabelecido em 180, a data das provas agendada para 3 e 4 de outubro e o período de inscrição programado para daqui duas semanas, de 15 a 19 de junho – os dois primeiros dias são exclusivos para concluintes do ensino médio.

Para quem vai fazer a prova, mais do que qualquer outra coisa, interessa saber o que encontrará no papel: como serão as questões, que tipo de resposta exigirão e como será o novo sistema de pontuação.

O primeiro hábito a ser mudado, segundo Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais [Inep], órgão do MEC que elabora o Enem, é não encarar a prova só como teste de conhecimento. A habilidade de interpretar e resolver problemas será bastante valorizada. “Questões com maior grau de dificuldade vão representar também maior pontuação”, diz Fernandes.

TEORIA – No novo modelo, que 36 federais adotam de alguma forma já no próximo vestibular, uma sigla explica muito sobre a natureza da prova: TRI. É a forma abreviada da Teoria de Resposta ao Item, corrente de avaliação bastante popular nos EUA e alguns países da Europa.

A diferença em relação aos testes clássicos é que a TRI não determina só os acertos, mas as chamadas competências de quem faz a prova. Para isso são usados modelos estatísticos que medem a probabilidade de um aluno com certa habilidade acertar determinada questão.

Até o final de junho, alguns estudantes saberão na prática o que isso significa: 48 escolas do País participarão de um pré-teste, que ajudará a definir a dificuldade das questões. A TARDE perguntou ao Inep se algum colégio da Bahia está na lista, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Ufba – Se não houver nenhum, o Enem será experimentado no Estado só pelos inscritos nos bacharelados interdisciplinares e cursos tecnológicos da Ufba. O vestibular normal não muda, diz o pró-reitor de graduação, Maerbal Marinho.  Há a possibilidade de o Enem substituir a 1 fase do Vestibular 2011, mas isso não está em debate, de acordo com ele. “A proposta do MEC foi rápida, não houve tempo de discutir outra coisa”, disse Marinho. Tão rápida que o presidente do Inep admitiu que questões de língua estrangeira não entraram no Enem deste ano por causa do tempo curto para elaborá-las. Elas voltam, segundo o MEC, em 2010.