Prioridade nº 1 de qualquer país sério, a educação não tem preço. Nenhum esforço para dotar as escolas, especialmente as públicas, de melhores condições possíveis de funcionamento pode deixar de ser feito. Nada pode ser considerado bastante e muito menos ser postergado.

Não há, portanto, como justificar, senão pela displicência e pela falta de compromisso das autoridades locais, a não inclusão de nada menos do que 257 municípios mineiros na distribuição de verbas do Ministério da Educação (MEC), para melhorar o equipamento e reforçar o nível dos professores de escolas públicas.

São inúmeros os melhoramentos que estão deixando de ser feitos, simplesmente porque essas cidades não de cumprir a única exigência do MEC para inscrevê-las nos programas: preencher os questionários que permitem o diagnóstico da realidade escolar de cada município.

Lançado há dois anos, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) do governo federal prevê a realização desse diagnóstico para orientar o MEC no enquadramento de cada município nos projetos de apoio e assistência técnica à rede escolar pública, reunidos no Plano de Ações Articuladas (PAR). é um passo simples, mas indispensável para a liberação dos recursos da União exatamente de acordo com o que as escolas de cada cidade precisa.

Os recursos apoiam a capacitação de professores, a inclusão digital nas escolas, a renovação da frota de transporte escolar e do acervo literário das bibliotecas, a ampliação das vagas de educação infantil e maior acesso de portadores de necessidades especiais às salas de aula.

Para fazer o diagnóstico da rede escolar, os secretários municipais de educação devem formar uma comissão com o pessoal das escolas e representantes dos pais para preencher um relatório com 52 indicadores de qualidade.

São avaliados a formação de professores; a infraestrutura e os recursos pedagógicos; as práticas pedagógicas e de avaliação, bem como a gestão educacional. Reportagem do Estado de Minas mostra que milhares de alunos de escolas públicas de 30% dos municípios mineiros estão prejudicados pelo descaso das autoridades locais em atender as exigências mais elementares do PAR.

E praticamente nenhum
desses municípios poderia se dar a esse luxo, a menos que se disponham a fazer vista grossa para as carências de suas escolas. Os maus exemplos levantados pelo próprio MEC em Minas não são privilégio apenas de comunidades pequenas e distantes. Dois deles são Vespasiano e Sabará, cidades de bom porte, localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Contudo, estão na lista, ao lado de Riachinho (Norte de Minas), Veredinha (Jequitinhonha) e Jesuânia (Sul de Minas). Vespasiano tem desempenho abaixo da média nacional no índice de Desenvolbimento da Educação Básica (Ideb) e bem que precisa do apoio oferecido pelos programas federais.

Mas, assim como Sabará, está longe de concluir o diagnóstico exigido pelo MEC. O que dizer de cidades do porte de Itabira, Formiga, Alfenas e Manhuaçu, todas ausentes dos programas do ministério? Pais e lideranças responsáveis desses 257 municípios devem agora exigir a inclusão das escolas de sua cidade nos benefícios a que suas crianças têm direito.