Jéssica Resende, de 17 anos, está dividida entre veterinária e medicina Você sabe o que vai ser quando crescer? Essa pergunta não incomoda apenas as crianças, colocadas contra a parede pelos adultos mais curiosos. Muitos jovens, a um passo de decidir o futuro profissional, também não têm resposta para a temida questão.

Na encruzilhada do vestibular, candidatos se dividem entre mais de 200 profissões regulamentadas, muitas delas entrelaçadas, com muitos pontos em comum, mas grandes diferenças na prática.

O leque de dúvidas se abre entre as mais de 10 subáreas da engenharia, as várias habilitações da comunicação social, as semelhanças e diferenças dos cursos voltados para a administração e a economia, as especificidades das profissões da saúde e, para complicar ainda mais, as novidades que a cada dia são oferecidas nas universidades.

Para ajudar os adolescentes a encontrar o melhor caminho, o D começa hoje uma série especial de reportagens sobre os cursos mais concorridos, as novas tendências de graduação e algumas possibilidades do mercado de trabalho.

A pouco mais de dois meses do início das inscrições para o vestibular mais concorrido do estado, o da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é hora de explorar os caminhos da orientação vocacional e decidir, com segurança, firmeza e determinação, os rumos da carreira acadêmica e profissional.

Nessa corrida contra o tempo, vence a batalha quem tiver mais maturidade e informações. "O processo de escolha é pessoal e intransferível. é um trabalho que demanda tempo e depende de três fatores: o autoconhecimento, para saber quais interesses e habilidades o aluno tem; uma pesquisa sobre as profissões, para conhecer a estrutura dos cursos e a rotina dos trabalhadores daquela área; e uma boa noção da dinâmica do mercado de trabalho, o perfil exigido e as reais possibilidades de emprego. A escola e a família precisam dar recursos e suporte, ou seja, instrumentalizar os jovens para que eles tomem a decisão de forma consciente e autônoma", afirma a pedagoga e especialista em psicologia escolar Flávia Barros Fialho, que integra o setor de psicologia educacional do Colégio Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

Na escolha da profissão a ser seguida pela vida toda, o ideal é não deixar nada para a última hora. Por isso, a maioria das escolas inicia as ações de orientação vocacional a partir do 1º ano do ensino médio.

Palestras com profissionais de cada área, reuniões e debates com os pais, montagem de feiras em parceria com as universidades e a visita guiada aos câmpus são as principais estratégias para ajudar na preparação dos estudantes. E, na reta final da escolha, psicólogos e pedagogos reforçam a atenção em atendimentos individualizados ou para pequenos grupos. Simão Tavares, de 16, ainda não definiu qual curso superior a ser seguido

No último ano do ensino médio, alguns colégios ainda apostam na divisão das turmas por áreas para ajudar na definição profissional dos alunos. "O estudante é obrigado a se decidir entre as turmas de exatas, humanas e biológicas. Isso leva a um posicionamento diferente e ajuda a despertar o interesse de cada um pelas disciplinas. A escolha é um assunto delicado, porque os jovens têm de decidir, aos 16 ou
17 anos, uma profissão para o resto da vida. E, por mais que haja preparação, nada garante que o curso escolhido é o que ele vai levar adiante. Hoje, há um grande percentual de desistência nas universidades, resultado da insegurança dos alunos", explica a pedagoga e orientadora educacional do 3º ano do Colégio Pitágoras, Maria Eugênia Duarte Silva.

ANGÚSTIA Mesmo com tantas estratégias e atividades para ajudar no momento da escolha, o assunto ainda deixa os pré-universitários de cabelo em pé. "A cada semana, eu quero uma coisa. Agora, tenho pensado mais em economia, administração pública e engenharia civil, mas não sei qual caminho seguir. Minha mãe pede que eu faça medicina e meu pai sugere um curso mais amplo. Também converso muito com meus irmãos para saber sobre a faculdade que eles fazem. Peço conselhos, mas sei que a decisão depende só de mim", conta Simão Pereira Tavares, de 16 anos.

Enquanto Simão tenta descobrir sua área de interesse, seus colegas lutam contra outra grande fonte de angústia: as constantes mudanças no mercado de trabalho. "Sempre tive certeza de que queria medicina veterinária. Mas tenho medo de um futuro pouco promissor, com salários baixos e pouco reconhecimento social. Por isso, estou cogitando fazer o curso de medicina. é muita pressão escolher entre a profissão que realmente gosto e aquela que pode me dar mais segurança profissional", lamenta Jéssica Resende, de 17.