O
Ministério da Educação adverte: não adianta chutar no Enem. Será
possível identificar, com base no padrão das respostas de cada
candidato, quem acertou aleatoriamente uma determinada questão.
Mais:
no cálculo da nota, o peso atribuído ao acerto do "chutador" será
inferior ao dos que responderam de modo correto por dominar o tema.
O
sistema antichute é uma das características da TRI (Teoria de Resposta
ao Item), adotada no novo Enem. Criado para substituir o vestibular nas
universidades federais, o exame ocorre em 3 e 4 de outubro.
Com
a TRI, as perguntas são "inteligentes" - sabe-se o perfil de quem
acerta com maior probabilidade as mais fáceis, as intermediárias e as
difíceis.
Isso ocorre graças a um banco com milhares de
respostas de alunos que atualmente testam as questões do Enem. Além de
estabelecer padrões de resposta, o teste também seleciona quais serão
as 180 questões que comporão o Enem.
Participam dessa etapa
estudantes do segundo ano do ensino médio e universitários
primeiranistas. Os alunos do terceiro ano do ensino médio, público-alvo
do Enem, ficaram de fora - para não terem acesso a uma pergunta que
possam encontrar no exame.
É o padrão das milhares de respostas
que revela o chute. Estatisticamente, quem erra questões mais fáceis
não acerta as difíceis. Do mesmo modo, os que acertam as mais complexas
não erram nas simples.
"É assim que a TRI permite identificar
prováveis chutes na hora de calcular a nota do estudante", diz Heliton
Tavares, diretor de Avaliação da Educação
O segredo: coerência
Com um mecanismo que detecta respostas fora do padrão, qual o segredo para ir bem em uma prova como a do Enem? Ter um índice de acertos equilibrado e "coerente", diz Tadeu da Ponte, coordenador do vestibular do Insper (ex-Ibmec-SP). A instituição adotou pela primeira vez a TRI no vestibular de 31 de maio. A vantagem, segundo ele: maior precisão para escolher candidatos - e um vestibular com um número menor de perguntas.
Acertos
Também em razão da TRI, a prova do Enem não será avaliada pelo percentual de acertos, como em um vestibular convencional. Embora também leve em conta quem acerta mais, o exame atribui um peso a cada pergunta ou grupo delas - assim, responder de modo correto oito em dez questões não representa 80% na nota final.
Tavares usa o esporte para comparar os dois mecanismos: o vestibular clássico é o futebol, em que fazer gol vale um; o Enem, o basquete - em que é possível, a depender da distância, fazer dois ou três pontos.
O resultado será específico para cada tema (português, matemática, ciências da natureza e ciências humanas). Não haverá nota, mas sim uma pontuação que, em uma escala, definirá o grau de habilidades e conhecimentos do aluno. O mais provável é que a escala vá de 100 a 500 pontos, diz o Inep.
Sobre a divisão de questões, diz o diretor do Inep, é provável que o exame tenha 25% de fáceis, 50% de intermediárias e 25% de difíceis.
Há necessidade de perguntas mais simples porque o Enem não será usado apenas como vestibular das federais. Servirá também para avaliar o conhecimento dos alunos que deixam o ensino médio, para aqueles que fizeram o antigo supletivo e para quem quer entrar no ProUni - programa que dá bolsas para alunos de baixa renda em universidades particulares.


