Com as mudanças propostas pelo Ministério da Educação (MEC) para o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os cursinhos têm que correr contra o tempo para se adaptar às transformações. Com um calendário reduzido e muito conteúdo a ser repassado, as instituições tem adotado estratégias diferenciadas para desvendar o novo Enem. Em Curitiba, os cursinhos dos colégios Positivo, Dom Bosco e Expoente usam período de férias, aula com entretenimento e muita concentração para dar conta de preparar os alunos para o exame.

O colégio Dom Bosco encara as mudanças de forma natural e acredita que tais modificações são interessantes e positivas. Mas, com tanto conteúdo a ser repassado em um espaço reduzido de tempo — visto que o Enem foi antecipado de novembro para outubro — o jeito é fazer alterações tanto na didática dos conteúdos quanto no calendário letivo.

De acordo com o professor Ari Herculano Souza, do Colégio Dom Bosco, o cursinho está mudando a didática na hora de repassar os conteúdos. Os professores da instituição passaram a estudar o Enem e o colégio tem se preocupado em explicar a matéria e fugir da tradicional decoreba.

O calendário teve de sofrer modificações e ficou um tanto apertado para os alunos. O conteúdo que antes poderia ser repassado até novembro, agora precisa ser passado até outubro. São três semanas a menos. Para isso, o colégio tirou uma semana de férias dos alunos, adiantou uma semana do segundo semestre, tirou a famosa semana do saco-cheio (que foi transferida para depois do Enem) e haverá super intensivos destinados exclusivamente à Universidade Federal do Paraná (UFPR).

“Estamos focando o conteúdo no Enem e nos vestibulares e fazendo um cursinho em dose dupla. Até certo ponto, esta mudança do Enem ficou mais pesada para os alunos. Por outro lado, eles sabem que estarão concorrendo com todo mundo de maneira igual. A proposta do Enem é que o aluno seja colocado constantemente em situações inusitadas e nós queremos que ele saiba como aplicar esse conhecimento”, disse Souza.
No Colégio Expoente, o professor Renaldo Franque,
diretor da unidade de pré-vestibular, aponta que a instituição já trabalha há cerca de oito anos com material didático dentro dos parâmetros curriculares do MEC. Por conta disso, não foi preciso qualquer tipo de alteração no material utilizado.

“Dentro deste ponto não estamos tendo dificuldades porque já trabalhamos com esse material há muito tempo. O material está totalmente dentro deste conceito. Quando houve esta mudança do Enem, os alunos até vibraram por já estarem habituados ao método”, disse Franque.

O que trouxe apreensão foi em relação à data do novo Enem. “Essa data de 4 e 5 de outubro é um desastre. Temos que correr e adiantar coisas. Estávamos prevendo um super intensivo para o final do curso, mas os alunos vão fazer o Enem antes desta revisão. Está acontecendo uma adaptação no calendário”, apontou Franque.